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	<title>No Improviso &#187; violência</title>
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	<description>Uma visão bem humorada de como levamos a vida no improviso tentando convencer que sabemos o que estamos fazendo!</description>
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		<title>Uma nova pessoa</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Mar 2011 15:03:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Rafael se debateu, fez força, pulou, mas a cadeira onde estava amarrado nem ao menos se mexeu, parecia parafusada no chão. Olhou para Cássia que estava calma puxando um banco de madeira para perto dele que olhava em volta, não reconhecia o lugar onde estava, parecia um armazém vazio. - Veja Rafael, eu só quero [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-458" title="Uma nova pessoa" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/03/88388435-222x300.jpg" alt="" width="222" height="300" />Rafael se debateu, fez força, pulou, mas a cadeira onde estava amarrado nem ao menos se mexeu, parecia parafusada no chão.</p>
<p>Olhou  para Cássia que estava calma puxando um banco de madeira para perto  dele que olhava em volta, não reconhecia o lugar onde estava, parecia um  armazém vazio.</p>
<p>- Veja Rafael, eu só quero saber a verdade, e depois você pode ir, mas eu preciso que você me fale exatamente a verdade.</p>
<p>Rafael  olhou nos olhos de Cássia e viu que ela estava serena, ele respirou  fundo e tentou ignorar o formigamento dos braços por causa da pressão  das cordas.</p>
<p>- Tudo bem Cássia, o que você quer saber? – falou tentando disfarçar o medo na voz.</p>
<p>-  Você fez tudo o que fez, me fez te amar, fazer planos junto de você, e  você estava o tempo todo me sacaneando pelas costas – disse Cássia, que  interrompeu a frase para suspirar lembrando da recente dor do termino do  seu noivado, foi quando Rafael interrompeu.</p>
<p>- Você quer saber o porquê eu fiz essas coisas?</p>
<p>Cássia abriu um sorriso estranhamente luminoso.</p>
<p>-  Não Rafael, eu sei por que você fez essas coisas, fez por que é um mau  caráter, um cafajeste. Mas você parecia uma boa pessoa, todo mundo pensa  que você é uma boa pessoa, mas no fundo você é um safado, quero saber  como você conseguiu enganar todos. É isso que eu quero saber.</p>
<p>Rafael  ficou confuso no começo, mas encarou a pergunta com a sobriedade que  vem de estar completamente imobilizado sem ninguém para ajuda-lo,  resolveu entrar de cabeça no jogo de Cássia.</p>
<p>- Ok, Cássia, é bastante simples, você conheceu um Rafael que morreu. Que não existe mais, e eu uso o que sobrou dele às vezes.</p>
<p>Cássia se ajeitou no banquinho e cruzou as longas pernas.</p>
<p>- Explique melhor.</p>
<p>-  Muito tempo atrás um outro Rafael foi noivo, e foi o noivo mais feliz  do mundo, ele era honesto, ia de casa para o trabalho, e fazia  absolutamente tudo para agradar sua noiva, era gentil, mandava flores,  comprava joias, vivia sua vida por ela, na verdade, ela era mais  importante que a própria vida desse Rafael.</p>
<p>- E o que aconteceu com “esse” Rafael? – perguntou Cássia.</p>
<p>-  Ele morreu. Morreu de coração partido quando viu a noiva com um dos  futuros padrinhos de casamento fazendo sexo na cama que ele havia  comprado para eles. Mas veja, ele não morreu naquele instante, o coração  partido continuava a bater mesmo dilacerado, mas cada movimento que ele  fazia para manter a vida naquele corpo causava dor, uma dor  insuportável. Um dia essa dor o fez sofrer tanto que aquele Rafael  morreu.</p>
<p>Cássia enviou a mão nos bolsos e tirou um maço de cigarros.</p>
<p>- Você nunca fumou Cássia – disse Rafael.</p>
<p>- Agora eu fumo – respondeu Cássia – continue sua história.</p>
<p>-  “Aquele” Rafael morreu, mas seu corpo continuou como uma nova pessoa,  uma que não tem escrúpulos e que não serve a ninguém a não ser o próprio  prazer, mas muito mais forte, mais confiante, mais ofensivo. Ele se  tornou eu. Às vezes puxo do fundo do meu passado a carcaça daquela  antiga pessoa que fui e uso como uma mascara, é assim que eu faço.</p>
<p>Rafael suspirou, abaixou a cabeça e uma lagrima rolou pelo seu rosto.</p>
<p>Cássia  se levantou, acariciou o rosto de Rafael e tocou-lhe os lábios em um  beijo frio, ela estava cheirando a um perfume que Rafael não conhecia.  Ficou em pé na frente dele que ao olhar para ela pensou “ela está mais  linda do que nunca”.</p>
<p>Realmente  Cássia parecia mais bonita, cabeça levantada, postura ereta, cabelos  brilhantes, emanava um poder e uma sensualidade que não parecia ser dela  que era sempre tímida e recatada.</p>
<p>Ela  colocou a mão no outro bolso e tirou um objeto de metal, uma navalha,  Rafael engoliu seco, Cássia deu a volta na cadeira e cortou as cordas  que prendiam Rafael.</p>
<p>- Você pode ir – disse ela guardando a lamina nos bolso.</p>
<p>- Posso? – indagou sem entender.</p>
<p>- Sim pode – ela respondeu dando as costas e saindo em direção a uma porta.</p>
<p>Rafael  ficou olhando para aquela mulher alta com um corpo escultural, não se  lembrava de Cássia ter roupas de couro tão sensuais.</p>
<p>-  O que foi isso Cássia? O que aconteceu aqui? O que aconteceu com você? –  ele perguntou enquanto esfregava os pulsos marcados pelas cordas.</p>
<p>Cássia olhou por cima do ombro sem se virar.</p>
<p>-  Você matou a antiga Cássia, e agora sobrou apenas eu, a nova Cássia.  Tenha uma boa vida Rafael, eu quase sou grata por você ter entrado na  minha vida&#8230; quase grata – e ela abriu e atravessou a porta de metal.</p>
<p>Rafael  ficou alguns minutos parado no mesmo lugar, estava tentando decidir-se  se tinha feito bem ou mal para a vida de Cássia, mas só conseguiu ter a  certeza que gostava muito mais dessa nova versão.</p>
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		<title>Vingança</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 20:34:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
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		<description><![CDATA[Era uma aldeia dessas que vocês veem em filmes. Ali as pessoas viviam felizes, não tinham muitas posses, mas, viviam bem. O ferreiro produzia ferraduras, o padeiro assava os pães, a costureira cerzia roupas, o agricultor plantava, e outras pessoas com outras profissões faziam o que suas ocupações determinavam. Na festa de verão Francisco, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-448" title="Vingança" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/03/84040788-241x300.jpg" alt="" width="241" height="300" />Era uma aldeia dessas que vocês veem em filmes. Ali as pessoas viviam felizes, não tinham muitas posses, mas, viviam bem.</p>
<p>O ferreiro produzia ferraduras, o padeiro assava os pães, a costureira cerzia roupas, o agricultor plantava, e outras pessoas com outras profissões faziam o que suas ocupações determinavam.</p>
<p>Na festa de verão Francisco, o açougueiro, assistia a dança em volta da fogueira quando ouviu César, o marceneiro, falar que “mataria Dolores”, esposa de Francisco. O açougueiro se aproximou de César e ambos visivelmente embriagados começaram a discutir.</p>
<p>Tomás, o carroceiro, amigo de longa data de Francisco foi ajudar seu amigo açougueiro, empurrou César tentando afastá-lo, Moisés, o lenhador, que sempre achou Tomás um encrenqueiro, mesmo sem ter motivo nenhum para isso, e resolveu defender César, mas tropeçou em um pedaço de lenha e ao cair sua mão bateu no rosto de Clotilde, esposa de Tomás.</p>
<p>No dia seguinte o ferreiro recebeu encomenda de armas, Francisco foi morto com uma flecha cravada no pescoço dentro da taberna. Pedro, o taberneiro, disse que a flecha parecia com as que eram usadas por Carlos, o caçador, vizinho de César, o marceneiro, que planejava matar a esposa de Francisco.</p>
<p>Carlos teve sua casa queimada, e perdeu a esposa e seus dois filhos, mortos no incêndio. Os boatos de que era uma vingança de Tomás fizeram com que Carlos fosse vingar-se sobre a vingança dele, que por sua vez estava vingando Francisco.</p>
<p>A discórdia não parou aí. Aldeões defendiam seus amigos, mesmo os que não eram tão amigos assim, o ferreiro passou a produzir espadas e lanças, o padeiro passou a usar seu forno para forjar pontas de flechas, a costureira agora prendia cotas de metal e placas em roupas de couro, e o agricultor não tinha o que plantar por que seu campo estava encharcado de sangue que foi usado para lavar a honra de muitos.</p>
<p>Aparentemente muitos queriam lavar a honra com esse novo produto de higienização tão fantástico, por que muito sangue foi derramado.</p>
<p>Quando todos foram vingados, tiveram suas honras limpas, secas e passadas, quando todos os corpos foram enterrados então outros moradores vieram para a aldeia, se casaram, trabalharam, e contavam a historia da grande guerra que anos atrás havia se abatido sobre o local.</p>
<p>E ninguém nunca soube que Dolores era o nome da porca do marceneiro César e que ele a mataria para um banquete onde pretendia chamar toda a cidade, inclusive o açougueiro Francisco e sua esposa.</p>
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		<title>O Gladiador</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 19:42:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acordou cedinho e colocou os óculos com suas grossas e pesadas lentes. Olhou-se no espelho, apenas de cueca, pensou na grana que gastou em seis meses de academia e em como essa grana parecia pouca e barata perto do sofrimento e das dores que sentia durante e após as sessões de exercícios. Estava mais esquelético [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordou cedinho e colocou os óculos com suas grossas e pesadas lentes. Olhou-se no espelho, apenas de cueca, pensou na grana que gastou em seis meses de academia e em como essa grana parecia pouca e barata perto do sofrimento e das dores que sentia durante e após as sessões de exercícios. Estava mais esquelético do que nunca.</p>
<p>Entrou na cozinha e deu um pulo quando o pé descalço tocou a água fria, a cozinha estava inundada. Por algum motivo, a geladeira descongelou no meio da noite e uma água misturada com os resíduos de comida estava espalhada pelo chão, o que fez o cômodo lembrar brevemente um pântano. Suspirou e mesmo assim entrou cozinha adentro.</p>
<p>Abriu a geladeira e uma nova onda de água gelada banhou sua canela, pegou uma caixa de leite e despejou no copo, mas pelotas de gordura com cheiro característico encheram o copo. Pareceu ver um rosto sorrindo entre o leite. Deixou o copo sobre a pia.</p>
<p>Tomou um banho, se vestiu e ao sair passou pela caixa de correspondências. Lá tinha contas, propagandas, contas, folhetos, contas, contas e contas. Suspirou mais uma vez, movimentou os ombros e os deixou cair como de costume.</p>
<p>Chegou a parada e o ônibus não demorou, no entanto, não havia lugar para ele se sentar. Uma senhora gorda com um cheiro estranho o espremia de um lado e um loiro musculoso do outro. Ele não teve espaço para suspirar, mas pensou o que aconteceria se ele pisasse na garganta da mulher gorda, e o pensamento lhe trouxe um certo prazer tenebroso no seu âmago.</p>
<p>No trabalho e entrou no segundo elevador que chegou ao térreo, por que o primeiro fechou a porta na sua cara. Sentou no seu cubículo sem cumprimentar ninguém e ligou o computador. O plano de fundo do seu equipamento era uma imagem de um filme antigo, então, ouviu aquele personagem falar com ele. Não era uma voz em sua cabeça, era uma voz vinda do passado.</p>
<p>Com sua cabeça inclinada para frente e para a direita, levantou suas sobrancelhas, sem mexer nenhum músculo além do necessário.</p>
<p>Seu gerente apareceu na porta e começou a falar com ele, reclamando sobre o atraso de um relatório, mas ele não ouvia. Seu olho esquerdo começou a pular compulsivamente, como um personagem de desenho animado em uma crise de nervos, mas tudo o que ele ouvia era o som de espadas, escudos, cavalos, lanças e por fim ouviu uma ordem retumbante.</p>
<p>Levantou tão rápido quanto um raio. O gerente não teve tempo nem de entender o que aconteceu quando o teclado acertou sua cabeça, a sensação foi como uma martelada em sua têmpora, ele sentiu o sangue começando a escorrer pelo rosto ao mesmo tempo que uma dor lancinante atingia seu cérebro. Atordoado, ele tropeçou e caiu derrubando as lixeiras, fazendo um grande barulho. Cabeças apareceram de seus cubículos para identificar a origem do estardalhaço, e tudo o que puderam ver foi o momento em que ele, com o pé esquerdo sobre o corpo do gerente caído no chão, rasgou sua camisa, soltando um rugido de ira tão forte e alto, que fez as pessoas do escritório sentirem suas espinhas se retesando como em resposta a um medo ancestral.</p>
<p>Viram ele saindo, camisa (ou o que sobrara dela) aberta com um peito branco, quase pálido, sem pêlos, a mostra. Em uma mão segurava o teclado como quem segura a lâmina de uma gládio e em outra o monitor LCD como um escudo com os fios pendurados. Avançou gritando, pisando sobre o gerente, que ainda não tinha se recuperado do susto.</p>
<p>Acertou Reinaldo, o colega de trabalho que fazia piadinhas sobre seu porte físico e montagens com suas fotos, com o teclado com tanta força, que o periférico se despedaçou. Por um momento, seus dentes e as teclas do teclado foram vistos saltando ensanguentados de sua boca. Tudo o que ele sentiu foi um estalo no maxilar e de repente teve a sensação de estar no coliseu romano, tendo seu rosto esmigalhado por um bárbaro. Reinaldo desmaiou no momento em que sentiu os dois pés do colega de trabalho ensandecido pousarem violentamente sobre seu peito. Ele estava sendo literalmente esmagado pelo outro, que pulava sobre ele como um gorila em fúria.</p>
<p>Paulo, o moreno forte que havia recebido a promoção que ele estava de olho, correu para tentar segurá-lo, mas com a agilidade de um samurai, ele desviou-se e, continuando o movimento, acertou a nuca de Paulo com o monitor, derrubando-o em um único golpe. Paulo ainda teve tempo de pensar em por que tinha se levantado da cama naquele dia, sentiu muita dor, e um formigamento estranho pelo corpo todo antes que o gladiador começasse a girar o monitor sobre si mesmo como uma maça medieval, e por fim o pousasse pesadamente em sua cabeça.</p>
<p>Seguiu mais a frente, já todo ensanguentado e com o olhar mais determinado que jamais exibira em sua vida. Derrubou mais quatro homens, incluindo um segurança. Neste ponto, já não possuia mais armas, tudo o que usava era seus punhos, até que dois encarregados e dois funcionários conseguiram, por fim, derrubá-lo.</p>
<p>Ele continuava a gritar em fúria, proferia palavras, mas não parecia nenhum idioma conhecido e às vezes apenas rugia, liberando toda a raiva concentrada que esteve contida em seu peito.</p>
<p>A maioria dos seus colegas de trabalho ficou perguntando-se “qual mesmo era seu nome” ou “como ele enlouqueceu”.</p>
<p>Ele gritava palavras ininteligíveis enquanto era arrastado para fora do prédio. Nunca mais foi visto.</p>
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