Você não quer sair da cama, quer se encolher, se encolher, agarrar os joelhos e se encolher ainda mais, cola o queixo no peito e fecha os olhos, na verdade você gostaria de voltar para dentro do ventre de sua mãe. Parece que foi uma ideia ruim sair de lá.
Você errou pergunta-se por que fez aquilo, por que faz essas tolices, se pergunta por que não imaginou que isso pudesse dar errado, você debate-se, bate as pernas os braços como se estivesse se afogando, mas não adianta nada, você não pode lutar.
Você sente-se pequeno, magro, seco como uma planta abandonada no vaso. Um vaso solitário, vazio, árido e não importa quanta água coloquem você está seco, sem folhas, áspero, apagado. Leva a mão ao rosto, olha para cima como quem procura uma resposta. Não existe resposta, não existe saída.
O coração dispara, a cabeça pesa, o coração dispara, os olhos se enchem de lágrimas e você quer que esse momento acabe que ele termine. Deseja que ele nunca tivesse acontecido, mas aconteceu. Você finalmente aceita que não tem para onde fugir, para onde correr, não existe caminho para escolher ou destino para mudar. É tarde demais.
Você arrepende-se, mas arrependimento sem mudança é impossível e o momento de corrigir os erros ou evita-los já passou. Você quer sumir, deixar de existir, não é a morte que você deseja, é o vácuo, o vazio, a inexistência, onde haveria paz, onde haveria ausência da dor que sente. Mas isso não é mais uma opção.
Existe apenas uma opção, uma única voz que sussurra, sussurra tão baixo que o silêncio de uma tumba seria o suficiente para sufoca-la, para fazer com que seu clamor não chegasse aos seus ouvidos. Essa voz vem do fundo de sua alma, do fundo da origem da sua alma, no cerne mais profundo e oculto do seu ser.
Quando você finalmente escuta essa voz precisa aguçar os ouvidos para entender o sussurro, e você ouve uma vez, duas, três, quantas forem necessárias até você compreender a voz diz. Então você faz o que ela diz, cambaleando, envergonhado, cheio de lágrimas e dor, mas você obedece à voz que falou e finalmente seu som é alto e claro e ela repete a mensagem com determinação.
Levanta, continua!
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