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Mai 21

Poderosa natureza

- Entenda, meu amor, existem coisas na vida que são inexoráveis, por mais poderoso que um homem seja, ele não pode parar as ondas do mar, não pode mover os continentes.

- Compreenda, minha esposa, existem forças naturais que são impossíveis de conter, não existe poder que resista a fúria de um vulcão, ou a violência de um furacão.

- Querida mulher, como poderia eu, um simples mortal, medir forças com a gravidade, ou o poder de um sol, mesmo contra a lua?

- Minha amada, deixe disso, e entenda que mesmo o mais viril exemplar de masculinidade não pode com as mãos mudar o curso de um rio, não pode cavar a pedra dura da rocha que separa ele de seu destino, ele precisa contorná-la e usar de ferramentas e estar disposto a passar por dificuldades para cumprir seu destino.

- Meu amor, me aceita no seu leito, me deixa fazer parte da sua noite mesmo com minhas imperfeições e entenda que isso é apenas parte de um curso natural e imutável da natureza, algo contra o qual, eu te garanto, já lutei inúmeras vezes, e agora finalmente como homem sábio que o tempo me tornou eu descobri que é algo mesquinho e sem importância e…

- Sem importância coisa nenhuma, seu nojento, você não vai me enrolar. Se quer deitar aqui vai trocar essa cueca molhada.

- Mas amor, é só um pingo…

- Um pingo de xixi, anda, vai trocar essa coisa nojenta

- Amor você precisa entender que não importa o que a gente faça o último pingo sempre fica na cueca.

- Vai trocar isso logo.

Desde aquele dia, ele só comprou cuecas escuras.

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Mai 14

Desprezo

Ronaldo olhou de longe, fixamente para ter certeza, a loira alta, , e notou que ela olhou de volta, disfarçou. Era o sinal que ele precisava para ter certeza…

- Letícia? – perguntou ele se aproximando

- Oi Ronaldo – respondeu ela, se arrependo em seguida, pensando que podia ter fingido não reconhecê-lo – Tudo bom?

- Tudo ótimo – disse ele, enquanto beijava o rosto maquiado da moça – Nossa, como você está linda!

Letícia fingia não dar atenção ao papo de Ronaldo, olhando para o lado e observando outras pessoas na festa, até que ele resolveu perguntar diretamente.

- Letícia, você está me esnobando?

- Oi?

- Sim, você está me esnobando! – disse ele rindo e claramente não se incomodando com o comportamento da moça.

- O que é isso Ronaldo, por que eu iria esnobar você?

- Por que quando você usava aqueles óculos horríveis, aquelas roupas que não valorizavam seu corpo e não tinha esse cabelo lindo, e eu fiz a mesma coisa com você.

Letícia ficou assustada com a sinceridade e não conseguiu articular uma resposta. Ronaldo continuou.

- E ai? Qual a sensação? – perguntou Ronaldo, ainda com um sorriso tão sincero quanto suas palavras.

Letícia resolveu entrar no jogo…

- É Ronaldo, é muito bom saber que agora você está me querendo e não vai ter – falou dando ênfase no “não vai ter”.

- Poxa, que legal, eu fico feliz por você. Lembra da Aline?

- Que Aline? – respondeu meio zonza com a mudança brusca de assunto.

- Aline, morena, alta, jogava no time de vôlei.

- Lembro. O que tem ela?

- Está quinze quilos mais gorda, cabelo tingido de uma cor estranha e muito menos atraente.

- E dai? – respondeu ela já achando aquela conversa meio chata.

- E dai – respondeu Ronaldo – que eu não fico por ai comemorando que quando ela saia comigo ela era gata e agora está feia, isso seria no mínimo “cuspir no prato que comeu”, você não acha?

- Aonde você quer chegar Ronaldo?

- Olha só Letícia, você sabe que há dez anos quando nos conhecemos você não era isso tudo ? Vai negar?

Ela novamente ficou confusa sobre o rumo da conversa.

- Não, mas não era motivo para você me…

Ronaldo interrompeu.

- Você se cuidava? Usava roupas como esse tubinho vermelho delicioso que você está usando? Pensou em trocar os óculos por essas lentes de contato e mostrar esses olhos verdes lindos? Ou mesmo  usar o cabelo como você usa agora? Você fazia essas coisas?

Estava passando um filme na cabeça de Letícia.

- Não, eu realmente não pensava nessas coisas.

- Então não me acuse de não ter dado valor a você, você mesmo que não estava se valorizando. Mas agora você está linda – concluiu ele em tom malicioso na orelha dela que causou um arrepio bom.

Ronaldo deu tchau e começou a afastar-se, quando Letícia chamou.

- Ronaldo… é… me liga qualquer dia desses…

Ronaldo sorriu e respondeu:

- Claro que ligo.

Ainda assim Letícia nunca atendeu as ligações ou as mensagens dele. O prazer de vê-lo correr atrás era mais forte que os argumentos

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Mai 24

Uma nova pessoa

Rafael se debateu, fez força, pulou, mas a cadeira onde estava amarrado nem ao menos se mexeu, parecia parafusada no chão.

Olhou para Cássia que estava calma puxando um banco de madeira para perto dele que olhava em volta, não reconhecia o lugar onde estava, parecia um armazém vazio.

- Veja Rafael, eu só quero saber a verdade, e depois você pode ir, mas eu preciso que você me fale exatamente a verdade.

Rafael olhou nos olhos de Cássia e viu que ela estava serena, ele respirou fundo e tentou ignorar o formigamento dos braços por causa da pressão das cordas.

- Tudo bem Cássia, o que você quer saber? – falou tentando disfarçar o medo na voz.

- Você fez tudo o que fez, me fez te amar, fazer planos junto de você, e você estava o tempo todo me sacaneando pelas costas – disse Cássia, que interrompeu a frase para suspirar lembrando da recente dor do termino do seu noivado, foi quando Rafael interrompeu.

- Você quer saber o porquê eu fiz essas coisas?

Cássia abriu um sorriso estranhamente luminoso.

- Não Rafael, eu sei por que você fez essas coisas, fez por que é um mau caráter, um cafajeste. Mas você parecia uma boa pessoa, todo mundo pensa que você é uma boa pessoa, mas no fundo você é um safado, quero saber como você conseguiu enganar todos. É isso que eu quero saber.

Rafael ficou confuso no começo, mas encarou a pergunta com a sobriedade que vem de estar completamente imobilizado sem ninguém para ajuda-lo, resolveu entrar de cabeça no jogo de Cássia.

- Ok, Cássia, é bastante simples, você conheceu um Rafael que morreu. Que não existe mais, e eu uso o que sobrou dele às vezes.

Cássia se ajeitou no banquinho e cruzou as longas pernas.

- Explique melhor.

- Muito tempo atrás um outro Rafael foi noivo, e foi o noivo mais feliz do mundo, ele era honesto, ia de casa para o trabalho, e fazia absolutamente tudo para agradar sua noiva, era gentil, mandava flores, comprava joias, vivia sua vida por ela, na verdade, ela era mais importante que a própria vida desse Rafael.

- E o que aconteceu com “esse” Rafael? – perguntou Cássia.

- Ele morreu. Morreu de coração partido quando viu a noiva com um dos futuros padrinhos de casamento fazendo sexo na cama que ele havia comprado para eles. Mas veja, ele não morreu naquele instante, o coração partido continuava a bater mesmo dilacerado, mas cada movimento que ele fazia para manter a vida naquele corpo causava dor, uma dor insuportável. Um dia essa dor o fez sofrer tanto que aquele Rafael morreu.

Cássia enviou a mão nos bolsos e tirou um maço de cigarros.

- Você nunca fumou Cássia – disse Rafael.

- Agora eu fumo – respondeu Cássia – continue sua história.

- “Aquele” Rafael morreu, mas seu corpo continuou como uma nova pessoa, uma que não tem escrúpulos e que não serve a ninguém a não ser o próprio prazer, mas muito mais forte, mais confiante, mais ofensivo. Ele se tornou eu. Às vezes puxo do fundo do meu passado a carcaça daquela antiga pessoa que fui e uso como uma mascara, é assim que eu faço.

Rafael suspirou, abaixou a cabeça e uma lagrima rolou pelo seu rosto.

Cássia se levantou, acariciou o rosto de Rafael e tocou-lhe os lábios em um beijo frio, ela estava cheirando a um perfume que Rafael não conhecia. Ficou em pé na frente dele que ao olhar para ela pensou “ela está mais linda do que nunca”.

Realmente Cássia parecia mais bonita, cabeça levantada, postura ereta, cabelos brilhantes, emanava um poder e uma sensualidade que não parecia ser dela que era sempre tímida e recatada.

Ela colocou a mão no outro bolso e tirou um objeto de metal, uma navalha, Rafael engoliu seco, Cássia deu a volta na cadeira e cortou as cordas que prendiam Rafael.

- Você pode ir – disse ela guardando a lamina nos bolso.

- Posso? – indagou sem entender.

- Sim pode – ela respondeu dando as costas e saindo em direção a uma porta.

Rafael ficou olhando para aquela mulher alta com um corpo escultural, não se lembrava de Cássia ter roupas de couro tão sensuais.

- O que foi isso Cássia? O que aconteceu aqui? O que aconteceu com você? – ele perguntou enquanto esfregava os pulsos marcados pelas cordas.

Cássia olhou por cima do ombro sem se virar.

- Você matou a antiga Cássia, e agora sobrou apenas eu, a nova Cássia. Tenha uma boa vida Rafael, eu quase sou grata por você ter entrado na minha vida… quase grata – e ela abriu e atravessou a porta de metal.

Rafael ficou alguns minutos parado no mesmo lugar, estava tentando decidir-se se tinha feito bem ou mal para a vida de Cássia, mas só conseguiu ter a certeza que gostava muito mais dessa nova versão.

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Mai 31

Precisamos conversar

Carlos destrancou a porta e, deixando a pasta sobre a mesinha ao lado da porta, entrou anunciando sua chegada:

- Marta, cheguei.

Virou e se surpreendeu com a esposa sentada encolhida no canto do sofá.

- Oi querida, alguma coisa errada?

Marta olhou séria para ele, colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e disse:

- Senta Carlos, precisamos conversar.

Ele franziu a testa diante do tom de gravidade das palavras de Marta, que esperou ele se sentar, se aproximou, olhou fundo nos olhos dele e segurou suas mãos.

- Primeiro eu quero que você saiba que eu te amo muito, que você é o homem da minha vida.

- Eu também te amo – respondeu Carlos, preocupado – o que está acontecendo?

Marta continuou.

- Eu fiz uma coisa muito errada, estou muito arrependida, mas eu não posso voltar no tempo e – lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto moreno – e eu te amo tanto, não quero te perder, então pensei muito antes de te contar.

Carlos respondeu apenas com um olhar.

- E eu não gostaria que você ficasse sabendo por outra pessoa, por que não seria justo com você, então eu resolvi…

- Ferrar com minha vida? – interrompeu Carlos.

- Como? – respondeu Marta sem entender.

- Ferrar com minha vida! É o que você resolveu? Porque se você fez algo de errado que sabe que vai me fazer sofrer, e vem me contar mesmo sabendo que eu não sei, você quer na verdade me ver sofrer.

Marta precisou de alguns segundos revendo as palavras que ouvira para compreender.

- Agora, se você me ama, você não vai fazer nada para me magoar, mas se você fizer, vai ter o mínimo de respeito de não me deixar descobrir nunca. Afinal, você não me ama?

- Amo – respondeu Marta claramente confusa.

- Então vamos fazer o seguinte, finja que não tivemos essa conversa – e Carlos se levantou do sofá.

- Mas Carlos, eu estou arrependida, estou sofrendo com meu erro.

Carlos se virou já demonstrando certa impaciência.

- O erro foi seu! Sofra sozinha, não venha me fazer sofrer junto! Chora ali no canto da sala em silêncio até passar! Mas não venha ferrar comigo!

Carlos foi para a cozinha jantar uma macarronada com almôndegas e tomar umas cervejas. Marta chorou em silêncio vários minutos, depois pensou nas palavras do marido e achou que realmente era melhor fingir que nada havia acontecido.

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Mai 20

Festa estranha

Já estavam na festa tempo o suficiente para o segundo copo de uísque, Daniel continuava analisando a situação.

- Isso me lembra de Renato Russo, festa estranha com gente esquisita.

Fernando olhou para ele pelo canto dos olhos sem mexer a cabeça e suspirou impaciente.

- Por que você fala isso?

- Já notou a música? Minha nossa! É uma soma gritante de péssimos exemplos. Já notou como vai a nossa música ultimamente? Não existe mais poesia, mensagem. É tudo para entreter, quase como os tambores que guiam o ritmo de escravos vikings remando o navio.

Fernando voltou os olhos para a pista de dança e respondeu apenas com um tímido murmúrio.

- E as pessoas aceitam isso, dançam rebolam, ao som de uma mensagem medíocre.

Neste momento a música mudou para uma seleção de forró daqueles bem bregas que fez os convidados mais animados, e alcoolizados, gritarem em comemoração.

- Pronto – declarou Daniel – agora vai para a fase brega, existe coisa mais brega que isso? Pior que eu acho que existe, aquela lista de música dos anos oitenta estava terrível, tem coisa mais cafona que Sidney Magal? Está de matar, não acha Fernando? Fernando?

Olhou e não encontrou o amigo, percorreu os olhos ao redor, pensou que ele pudesse ter ido buscar outra bebida, mas viu que seu copo continuava sobre a mesa. Encontrou-o dançando de mãos, corpo e rosto colado com uma loira de corpo escultural que sorria com algo que ele falava junto ao ouvido da beldade.

Daniel praguejou revoltado.

- Ninguém mais valoriza a boa diversão!

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Mai 09

Eu amo vocês

Pablo sabia que aquele dia chegaria cedo ou tarde, ele não estava pronto para o  momento.

Elas estavam lado a lado, como membros de uma aliança recém-formada para extrair, a força e com uso de atos de tortura se preciso, a verdade de Pablo.

- Deixe-me ver se entendi – começou Mônica – você passou os últimos dois anos enganando a nós duas?

- Não, – respondeu Pablo enquanto terminava de preparar seu uísque – eu não menti para nenhuma de vocês, nunca!

- Você disse que me amava Pablo! – afirmou Elaine com visível embargo na voz.

- E eu amo – disse ele com convicção – e também amo você Mônica.

As duas como se tivessem ensaiado suspiraram e olharam para direções diferentes como se procurando alguma lógica no que acabaram de ouvir.

- Você não vale nada! É um cafajeste! – disse Elaine quase gritando.

- Por quê? Quem esteve do seu lado Mônica, quando você ficou doente? Quem te ajudou a conseguir um novo emprego Elaine?

- E isso te dá o direito de fazer o que você fez?

- E o que foi que eu fiz? – indagou Pablo tomando um gole trêmulo da bebida – eu não amei vocês? Quem leva vocês para jantar toda semana em um restaurante diferente? Quem envia buquês de flores, rosas para Mônica, lírios para Elaine? Quem presenteia vocês com joias e perfumes? Quem leva vocês a orgasmos mult…

- Chega Pablo! – interrompeu Mônica sentindo que aqueles argumentos começavam a soar estranhos – isso não lhe dava o direito.

- Não me dava o direito a que? Não me dava o direito de amá-las? Sim! Eu amo vocês duas, da mesma maneira, com a mesma intensidade e paixão, eu dedico parte da minha vida a vocês duas na mesma dimensão – ele largou o copo sobre o sofá com fisionomia abatida – nunca imaginei que vocês fossem tão egoístas.

- Egoístas? – se espantou Elaine que não se lembrava de ter sido chamada de egoísta antes.

- Claro, egoístas, por que vocês não podem aceitar que eu um homem é capaz de amar duas pessoas? Uma mãe não ama dois filhos? Por que eu não posso amar duas mulheres? Egoístas, egoístas sim!

Elaine abriu a boca para responder, mas não conseguiu decidir qual palavra pronunciar. Pablo continuou.

- Se eu fosse do tipo que maltrata as namoradas, que deixam elas de lado para sair com amigos, que bebe, ou pior, que bebe e bate em mulheres. Eu sou um mau namorado? Sou Elaine?

Elaine gaguejou antes de respondeu

- Não, você não é! Você é… ótimo!

- Eu sou Mônica? Sou um mau namorado?

Mônica levantou as sobrancelhas e respondeu.

- Na verdade você é o melhor homem que eu conheci… que nós conhecemos.

Houve um momento de silêncio desses que duram alguns segundos, mas são tão longos quanto a eternidade, as moças olharam para Pablo que estava de cabeça baixa olhando para o gelo que derretia dentro do destilado, viram uma grande e redonda lágrima escorrer pelo rosto claro de Pablo.

Elaine se virou para Mônica

- Vamos Mônica, eu te dou uma carona para casa.

Elas se viraram, Mônica abriu a porta, ambas olharam para ele ainda de cabeça baixa e terminando de enxugar a lágrima usando a manga da camisa vermelha. Ele levantou o olhar para a porta, deixando expostas muitas outras lágrimas que molhavam seu rosto.

- Eu amo vocês! Amo muito! Como nunca amei ninguém!

Elaine olhou para os olhos de Mônica e foi a primeira a responder.

- Eu sei Pablo, eu sei, eu também te amo meu amor.

Mônica sorriu para ele.

- Boa noite Pablo, eu também te amo.

E elas saíram fechando a porta delicadamente, Pablo se deitou no sofá pensando se poderia superar a perda dos amores de sua vida. Não chegou a conclusão nenhuma além de lágrimas, então preparou outro copo.

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Mai 01

Mentira preventiva

O casal está deitado no sofá abraçadinho ouvindo uma boa música. Ela faz um carinho nos braços fortes dele e ele retribui com um afago no cabelo dela.

- Ontem meu chefe se enrolou todo…  – começa ela, puxando a conversa.

- O que houve?  – pergunta o namorado não tão interessado assim.

- Ele foi almoçar com aquela secretária do quinto andar.

- E daí? Não tem nada demais em almoçar com uma colega de trabalho, tem? Você mesmo almoça com seus colegas, diz que seu chefe é fiel… – argumenta ele.

- Sim, é verdade. Ele é super fiel a ela, apaixonadíssimo, mas o negócio é que a esposa dele ligou bem na hora e ele falou todo nervoso que estava no mecânico. Claro que ela percebeu que ele estava mentindo e foi esperá-lo na porta do escritório. Pegou ele chegando com a secretária. Deu o maior escândalo.

- Nooosssaaa… que horrível.

- Mas também, por que ele foi mentir?

- Mentira preventiva!

- O que? – pergunta ela, parando imediatamente de acariciar o braço dele.

- É, mentira preventiva! – respondeu ele, já analisando se tinha dito alguma besteira, mas resolveu continuar.

- Que história é essa de mentira preventiva?

- Olha só, seu chefe mentiu porque se falasse que estava almoçando com uma secretária morena, alta, com seios fartos e mini-saia, ela ficaria puta com ele. Ele tentou uma mentira preventiva, já que não fazia nada de errado.

- Mas se não fazia nada de errado, por que não falou a verdade?

- Por que as mulheres não acreditam quando os homens falam a verdade. No fundo, o problema todo é esse. É como um habeas corpus preventivo.

- Está falando que a culpa é nossa?

- Sim, quer dizer, não. Olha, vocês precisam confiar na gente. Você não disse que o seu chefe é fiel, apaixonado e tal?

- Eu lá sei da vida dele. Diga-me, você já me contou uma mentira preventiva?

- Amor que isso, para com essa conversa.

- Não acredito. Você mentiu para mim? Quando foi?

- Eu não disse isso, amor.

- Mas tentou desconversar.

- Mulheres sabem instintivamente quando o homem mente, você sabe disso. Pergunta de novo.

Ela olha seriamente e penetrantemente para ele.

- Você já me contou uma dessas mentiras preventivas?

- Não, eu nunca fiz – responde ele com uma confiança que intimidaria o mais bem treinado agente policial.

- Se tivesse, eu perceberia você mentindo?

- Você é melhor em outras coisas amor.

- O QUE!?!?!

- Droga… podemos começar essa conversa de novo?

habeas corpus

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Mai 15

Chifre, galhadas ou traição mesmo

Lembrei de um texto do Luis Fernando Veríssimo, pelo menos eu acho que era dele, mas não encontrei o original, então vou transcrevê-lo como me lembro, era mais o menos assim:

Diálogo entre esposa e marido

- Querido, você já me traiu?

- Claro que não – responde o marido sem tirar os olhos do jornal.

- Como posso saber se você não está mentindo?

- Eu já menti para você antes? – retruca o marido ainda dividindo a atenção com o jornal em frente ao rosto.

- Não… – responde a desconfiada esposa, e continua – mas se tivesse mentido me contaria?

- Claro que não – responde o marido com uma sinceridade inabalada.

Como alguém já falou, “só é corno quem é curioso”, então convoco quem é fiel e mentiroso a levantar a mão. Juro que a minha está abaixada por um motivo ou pelos dois, sei lá.

Acho que seria legal ter uma melhor definição de chifre, traição, enfeite de testa. Não é tão simples como parece

Seu “ficante” ou “peguete” não pode te trair, por que não existe compromisso (por favor, sem mimimi, olha a falta de noção), então para existir a traição tem que haver o mínimo de compromisso, de relacionamento, casamento, união estável ou pelo menos namoro.

Agora que temos quem pode ser traído, quem tem conjugue/namorado(a) você corre esse risco sim.

Agora vamos definir o que é traição, para os cristãos que seguem aquele grande livro chamado Bíblia temos o seguinte:

“Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” Mateus 5-28

É meu amigo, nessa o Mateus pegou todo mundo, quem nunca olhou para outra mulher ou homem na rua? Não reparou na bunda da gostosa e nas pernas do gostosão que passava pela calçada atire a primeira pedra, pode mirar na minha cabeça, alguém? Alguém? Foi o que pensei.

Não podemos simplesmente limitar a traição a apenas contato físico, tipo: “ele beijou outra, então já traiu” Imagine a seguinte situação: a namorada faceira troca conversas picantes pela Internet com o gatinho sem o namorado saber. E ai? Foi traição? O namorado já pode usar os adereços na testa para ajudar na recepção da televisão?

É parece que a definição é mais complicada do que parece, vamos deixar da seguinte maneira: traição é o ato de realizar ações intimas com outra pessoa que não seja o seu conjugue/namorado(a) .

E o amor? É uma vacina contra traição? Se você ama de verdade (de mentirinha não vale), trai? Desculpe-me os mais pudicos, para não dizer ingênuos, mas isso não é verdade. Amor e intimidades (leia-se sexo se você preferir) são coisas diferentes. Não, nada de comoção das mulheres (e de alguns homens), não adianta esbravejar, são coisas distintas e o quanto antes vocês entenderem isso melhor vai ser.

Conclusão 1: a única maneira de ficar 100% imune a um belo par de galhos frontais em sua cabeça é nunca ter um relacionamento sério, mas sinceramente acho que o custo benefício não compensa, e vamos ser sinceros, quem quer ficar sempre sozinho?

Conclusão 2: a melhor maneira de evitar ter problemas quando entrar em um carro apertado ou ter a cabeça presa em fiação elétrica baixa é escolher bem o parceiro e haver muita comunicação sincera de ambas as partes, até por que senão não é comunicação, é monologo. Ou então se você preferir simplesmente não ser curioso.

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Mai 04

Como foi seu dia?

Marido chega em casa depois do trabalho. No dia anterior teve uma briga com a esposa, nem se lembra mais o porquê da briga. Tenta ser amigável.

- Boa noite anjo.

- Boa noite.

Pelo menos ela respondeu, já é um começo

- Como foi o seu dia – arrisca tentando se aproximar da fera

- Pra que você quer saber?

Poxa, ela não poderia simplesmente perceber minhas intenções de trégua e paz e colaborar. Tinha que fazer uma pergunta difícil? Pensamos, por que eu quero saber como foi o dia dela?

- Ué… por que eu me importo com você. Como foi seu dia?

- Se você se importasse mesmo não fazia as coisas que faz.

- Que foi que eu fiz? – não era conversa mole ou cinismo, eu realmente não lembrava

- Cínico!

Xiiiii, a coisa ta feia.

- Olha, desculpa se eu falei alguma coisa que te ofendeu – respira fundo – O que você fez de bom hoje?

Sem resposta, silêncio, esse ponto é delicado, você não sabe se ela quer que você insista ou não.

- Meu anjo, to te pedindo desculpas, vamos ficar bem… Você ta chateada?

- Não! – resposta seca e sem rodeios.

- Que ótimo! Esta brava, irritada?

- Não!

- Com dor?

- Não! Já disse que não…

- Então, como foi seu dia?

Silêncio de novo.

- Amor…. estou falando com você – perdendo a paciência.

- O que é que você quer?

Suspiro

- Quero saber como foi o seu dia!

- Pra que você quer saber – visível mente irritada – você acha que eu vou conversar com você como se não tivesse nada errado.

- Mas você falou que não tem – confuso.

- Cínico.

Poxa, mas ela disse que… então quer dizer que… mas é que eu… desisto.

Tomo um banho, durante um silencioso jantar ela pergunta

- Como foi seu dia?

Fique tentado a responder “- Para que você quer saber?”, mas me contive

- Meu dia foi bom!

- Você não vai perguntar como foi o meu?

- Não!

- Por que não?

- Tenho medo, muito medo.

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Mai 01

Mulher moleca

Todo mundo já viu um “espécime” desses. Ela se mistura no meio dos meninos, fala palavrão, é amigona, sabe beber. Sim, isso mesmo estou falando daquela menina, ou melhor: da moleca.
Para escrever esse texto eu fiquei pensando em como chamar esse tipo de mulher, eu sei, é uma necessidade idiota dos homens de classificar, dar nomes as coisas e rotular, mas fazer o que?!?! Às vezes isso é necessário, principalmente em um texto. Escolhi o termo moleca (será que se o termo pegar posso registrar e ganhar algo com isso?).

A moleca é aquela menina que não precisa ser uma gata linda e maravilhosa, mas está sempre no meio dos meninos e age mais parecido com eles. Que fique claro que não estou falando de uma menina que pareça um menino, ela continua feminina, continua delicada, mas não é coitadinha, tem aquele ar de “bad woman”, de decidida. E homem adora uma mulher decidida, claro que existem as exceções e cada caso é um caso, mas observe suas amigas e amigos. A mulher decidida sabe o que quer e quando quer, mas isso é assunto para outro texto.

Talvez a moleca faça sucesso pela sociabilidade, sejamos sinceros, homens se intimidam com alguns tipos de mulheres, eu sei que para algumas isso vai parecer um choque, mas é a verdade, e aquela garota que senta do lado, bebe pra caramba, liga pra marcar aquele churrasco, ela é sociável, é quase um amigo, mas com todos os atributos de uma mulher, olha que maravilha. Agora aquela “patricinha” distante e que você precisa ligar, e mandar scrap, e o diabo pra conseguir a atenção dela e ainda é tratado como “segunda opção” perde feio para a moleca.

Quem já viu uma mulher jogando sinuca? Debruçada sobre a mesa, de taco na mão, rindo e zoando com os erros dos amigos e amigas em volta da mesa? Confessem leitores do sexo masculino, vocês se encantam com essa cena. Ou aquela outra na beira da piscina, de shortinho e biquíni jogando truco e gritando. Sem falar do poker… haaaaa o poker… ok, confesso que pensei nas variações em que se usa as roupas no lugar das fichas :S

Não estou falando para todas as mulheres do mundo mudarem seu estilo. Mas eu acho que podemos aprender muito observando as atitudes e as reações que esse tipo de mulher causa. Nem estou dizendo que é a mulher ideal, mas bem melhor do que ouvir “nossa, vai beber com os amigos de novo?” é você simplesmente levá-la junto, e dar boas risadas com ela. É esse o cenário ideal na cabeça do homem, poder sair com a mulher numa boa, colocá-la dentro de sua vida, de seu universo e não de excluí-la e deixá-la de fora esperando em casa. O cenário ideal na cabeça da mulher? Bem, ai não sei contem-me vocês mulheres.

Esse texto foi originalmente publicado no blog do podcast Pastel de Feira, não é plágio não, é meu mesmo :D

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