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Fev 22

Cães e gatos

Ele entrou na loja timidamente e observou em volta como quem procura algo; uma atenta vendedora notou e abordou o cliente rapidamente antes que outra colega o fizesse.

- Boa tarde, em que posso ajudá-lo?

- Bo… boa tarde – ele gaguejou timidamente, e não disse mais nada.

A vendedora esperou até onde achava adequado antes de perguntar novamente.

- Em que posso ajudá-lo?

Ele pareceu despertar de um transe.

- É… estou procurando um bichinho de estimação.

- Que ótimo – respondeu a vendedora, demonstrando um falso entusiasmo – o senhor prefere um cão ou um gato?

- Não sei, eu acho que, talvez… – novamente ele parecia em transe.

A hábil vendedora o interrompeu ao ver que aquele raciocínio poderia levar mais tempo do que ela estava disposta a esperar. Começou a imaginar se ele era altista ou algo assim.

- Posso dar-lhe minha opinião pessoal?

- Claro – respondeu o tímido cliente.

- Os cães em geral são brincalhões e simpáticos, são fiéis e carinhosos, com alguma variação de personalidade dependendo da raça, em geral vão fazer festa todos os dias quando o senhor chegar em casa, vão atender ao seu chamado para brincar ou apanhar algo. Quando tiver que dar uma bronca neles, poderá ser duro e ele vai estar disposto a “perdoa-lo” assim que o senhor usar um tom de voz mais doce – dizia ela enquanto gesticulava e sorria claramente empolgada.

- E os gatos? – perguntou o cliente depois de ouvir os entusiasmados argumentos da vendedora.

- Bem, os gatos não são maus bichos de estimação, são extremamente higiênicos, fazem suas necessidades sempre no mesmo lugar, mas quando senhor chegar em casa, talvez seja recebido com uma certa indiferença ao invés de uma “recepção calorosa”, os gatos são famosos por sua independência, tanto que as vezes isso é confundido com egoísmo, eles pedem carinho quando querem, dão carinho quando querem e podem as vezes não responder quando chamados, mesmo que seja para brincar ou receber carinho.

O cliente pareceu olhar para o vazio por um segundo, de maneira perdida. A vendedora começou a questionar a integridade mental dele novamente, e quando se preparava para dizer algo este se manifestou primeiro:

- Vou querer um gato.

A vendedora surpreendeu-se, tentou não demonstrar nada e começou a argumentar novamente.

- Mas por que um gato? É por causa do espaço físico de sua residência? Por que posso garantir que temos raças de…

- Não é por causa de espaço físico. Recomendaram-me um animal de estimação para ajudar-me a socializar melhor, e pela sua descrição os gatos são muito mais parecidos com as pessoas do que os cães.

A vendedora abriu a boca com um falso sorriso automático no rosto mas não soube o que responder.

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Fev 01

Dia Mundial de Luta Contra a AIDS e o Preconceito

Hoje, dia 1º de dezembro de 2009, é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS e o Preconceito.

Fiquei pensando sobre o que há ainda para escrever sobre a AIDS, ou melhor ainda, contra ela. Alguém aí realmente ainda não sabe como se contrai o HIV? Alguém? Precisa reforçar?

Como o vírus da AIDS está presente no sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno, a doença pode ser transmitida de várias formas:

  • Sexo sem camisinha. Por ser vaginal, anal ou oral;
  • De mãe infectada para filho durante a gestação, o parto ou a amamentação;
  • Uso da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa;
  • Transfusão de sangue contaminado com o HIV;
  • Instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados.

Se isso era novidade, provavelmente você mora em outro planeta.

Se todo mundo sabe as formas de transmissão, por que ainda somos infectados com aquele outro vírus: o preconceito?

Sabemos que pessoas com HIV/AIDS também podem ter uma vida normal: beijar, namorar, fazer sexo com camisinha, trabalhar, praticar esportes, sair com amigos. Mas muitos soropositivos parecem ter esses direitos privados por quem está a sua volta.

Preconceito geralmente não combina com aquela expressão “coloque-se no lugar dele”, mas se você tivesse uma doença séria, gostaria de ser isolado da família e amigos? A qualidade de vida não depende apenas de tratamento, mas de uma vida social, aceitação, contato.

Simples assim, como eu falei antes, sobre um assunto sério como esse, o que ainda tem para falar que no fundo já não saibamos?

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