- Amor, pode olhar? – pergunta Paula ansiosa com as mãos sobre a venda improvisada com a gravata do namorado.
- Ainda não, estamos quase chegando. Cuidado com o degrau – responde Pedro.
Ela ouve um tilintar de um sino batendo na porta que se abre e a voz do namorado – Agora pode tirar…
Ela olha e se vê em uma grande sala com a atendente do sexshop sorrindo.
- Pedro, que isso! – exclama – ainda boquiaberta.
- É um dos seus presentes de aniversário, escolha o que quiser, qualquer coisa, estou pagando.
Paula sorri, e já sabendo as intenções do namorado, escolhe uma fantasia de colegial, alguns óleos e um incrementado vibrador, daqueles com uma dezena de funções, rotações e intensidades.
Saem de lá direto para o motel, onde mais da metade dos óleos ficam no lençol do quarto. Depois de duas horas de entretenimento, ela se lembra do jantar com os pais.
Saem do motel direto para a casa dela. Pedro dirige com um sorriso de satisfação proporcionado apenas por momentos tórridos de sexo como aquele. Do lado de fora da casa dos sogros já sentem o cheiro do churrasco e ouvem as conversas dos amigos e familiares. Paula entra ao som de um vigoroso “parabéns pra você” entoado pelos presentes.
Depois de cumprimentar todos e servirem-se do churrasco, o pai de Paula, acompanhado da esposa e de alguns amigos, pergunta para a filha ao lado do namorado sentado na área da casa próximo ao portão da rua.
- Como está sendo o aniversário de minha filhota?
- Perfeito pai, tenho vocês, todos meus amigos estão aqui, ganhei vários presentes lindos de vocês, dos meus amigos, do meu namorado.
- Qual presente o Pedro te deu filha? Eu não vi ainda – pergunta a curiosa mãe da moça.
Paula arregala os olhos, Pedro mastigava uma fatia de carne e congelou instantaneamente. Olhou para a namorada sem mexer a cabeça.
- Qual presente? – disse Paula tentando achar a resposta.
- Sim filha, que presente?.
Pedro se esforçava para engolir o pedaço de carne.
- É… foi… ai… é… nossa… tão lindo… é um…
- Um o quê filha? – solta o pai, já estranhando a demora.
Nesse momento, Pedro dá um salto e fica em pé, coloca o prato na mesa enquanto leva a mão até a garganta. Parecia ter algo obstruindo sua respiração.
- Ele engasgou, ele engasgou – gritou a mãe em desespero.
Pedro sai tossindo violentamente e puxando Paula pela mão.Deixam o portão da casa e a família observa tudo sem entender direito. Pedro vira a esquina da casa saindo do campo de visão de quem ainda estava lá e cospe longe o pedaço da carne.
- Vamos correndo para o shopping agora! Se eles perguntarem, você me levou para o hospital.
- Vamos fazer o que no shopping?
- Nem me fale! Depois daquela grana que custou o vibrador, ainda vou ter que te comprar uma joia. Droga!