O jovem casal abraçado no sofá vendo um filme. Ela com as pernas sobre o móvel, ele abraçando sobre os ombros dela e com o outro braço aberto sobre o sofá, pernas esticadas e balançando o chinelo.
Ela se surpreende com a cena em que um casal de personagens revela um dos segredos da historia com um beijo.
- Não acredito, eles estão tendo um caso. E agora?
- Aposto que vão tentar fugir com as joias antes que alguém descubra – argumenta o marido menos envolvido na trama pensando em como aquela era uma historia clichê.
- Como pode um homem fazer uma coisas dessas?
- Qual parte? Matar, dar um golpe de milhões ou ter um caso – pergunta o cônjuge lista as atrocidades do vilão daquela trama cinematográfica barata.
- Ter um caso ora – responde a esposa sentando-se direito no sofá com ar de indignação.
O marido acha graça, entre assassinatos e estelionatos o que a deixou mais chocada foi adultério.
- Apenas acontece… – e se volta para o filme.
- Como assim acontece?
- O que? – sem tirar os olhos da televisão.
- Como assim acontece?
- Como assim acontece o que? – pergunta novamente o esposo já sentindo que falou alguma besteira.
- Você sabe do que estou falando! – esposa já começa a buscar o controle remoto para desligar a televisão.
O marido já preocupado começa a pensar no que foi que falou de errado.
- Não! Não sei do que você esta falando!
Televisão desligada.
- Como assim “acontece de um homem ter um caso”?
- Haaaa, é isso amor, bobagem.
- Um caso é uma bobagem? Traição? A destruição da nossa família? E nossos filhos?
- Não temos filhos.
- Isso não faz diferença.
- Eu estava falando do filme meu amor.
- Quem me garante que não era o seu subconsciente querendo me falar algo?
- Meu benzinho – ele faz aquele olhar que sabe que quebra as barreiras dela, ela desvia o olhar emburrada, ele a abraça – Olha pra mim benzinho.
- Sai pra lá!
- Eu te amo, te amo demais, larga de besteira – beijo no pé da orelha, golpe baixo para encerrar o assunto.
- Para… – como quem diz “continua”
- Eu amo minha esposinha linda e não preciso de mais ninguém – segue o marido ainda usando diminutivos de forma infantil.
- Está bem, desculpa.
- Vamos continuar vendo o filme?
- Ok – ela liga a televisão de novo.
Alguns minutos depois durante o intervalo comercial.
- Amorzinho. Você já me traiu? – ela pergunta demonstrando certa serenidade.
- Claro que não benzinho.
- Se tivesse me traído contaria?
- Claro que não benzinho.
- COMO ASSIM CLARO QUE NÃO SEU TRASTE!!!
- Ops…
- Ops?!?! Ops?!?! É essa sua reação.
- Não amorzinho, é que se eu hipoteticamente traísse você não te contaria isso quando você perguntasse.
- O QUE?!?!?!
- Não, espera, não foi isso que eu quis dizer.
- Então o que você quis dizer?
- Que eu nunca trairia a mulher perfeita!
- Perfeita? Eu? Sério?
- Claro amorzinho, para com isso – abraça-a mais forte.
- Mas se você traísse você me contaria?
- Claro que não benzinho.
- O QUE?!?!
- Ai ai! Vai ser uma longa noite..
