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	<title>No Improviso &#187; família</title>
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	<description>Uma visão bem humorada de como levamos a vida no improviso tentando convencer que sabemos o que estamos fazendo!</description>
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		<title>Poderosa natureza</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 16:13:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Entenda, meu amor, existem coisas na vida que são inexoráveis, por mais poderoso que um homem seja, ele não pode parar as ondas do mar, não pode mover os continentes. - Compreenda, minha esposa, existem forças naturais que são impossíveis de conter, não existe poder que resista a fúria de um vulcão, ou a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-516" title="Poderosa natureza" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/10/123877254-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" />- Entenda, meu amor, existem coisas na vida que são inexoráveis, por mais poderoso que um homem seja, ele não pode parar as ondas do mar, não pode mover os continentes.</p>
<p>- Compreenda, minha esposa, existem forças naturais que são impossíveis de conter, não existe poder que resista a fúria de um vulcão, ou a violência de um furacão.</p>
<p>- Querida mulher, como poderia eu, um simples mortal, medir forças com a gravidade, ou o poder de um sol, mesmo contra a lua?</p>
<p>- Minha amada, deixe disso, e entenda que mesmo o mais viril exemplar de masculinidade não pode com as mãos mudar o curso de um rio, não pode cavar a pedra dura da rocha que separa ele de seu destino, ele precisa contorná-la e usar de ferramentas e estar disposto a passar por dificuldades para cumprir seu destino.</p>
<p>- Meu amor, me aceita no seu leito, me deixa fazer parte da sua noite mesmo com minhas imperfeições e entenda que isso é apenas parte de um curso natural e imutável da natureza, algo contra o qual, eu te garanto, já lutei inúmeras vezes, e agora finalmente como homem sábio que o tempo me tornou eu descobri que é algo mesquinho e sem importância e&#8230;</p>
<p>- Sem importância coisa nenhuma, seu nojento, você não vai me enrolar. Se quer deitar aqui vai trocar essa cueca molhada.</p>
<p>- Mas amor, é só um pingo&#8230;</p>
<p>- Um pingo de xixi, anda, vai trocar essa coisa nojenta</p>
<p>- Amor você precisa entender que não importa o que a gente faça o último pingo sempre fica na cueca.</p>
<p>- Vai trocar isso logo.</p>
<p>Desde aquele dia, ele só comprou cuecas escuras.</p>
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		<title>Dia dos pais &#8211; intimidade entre pai e filhos</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Aug 2011 14:21:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Após o almoço do dia dos pais, relaxado no sofá da casa da avó enquanto assiste a um filme na pequena tevê da sala com os filhos, o pai sente-se maravilhosamente a vontade. - Credo pai, que nojo – reclama a menina completamente revoltada depois de ouvir o flatulento barulho produzido pelo próprio pai que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-485" title="Dia dos pais" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/08/108316519-267x300.jpg" alt="" width="267" height="300" />Após o almoço do dia dos pais, relaxado no sofá da casa da avó enquanto assiste a um filme na pequena tevê da sala com os filhos, o pai sente-se maravilhosamente a vontade.</p>
<p>- Credo pai, que nojo – reclama a menina completamente revoltada depois de ouvir o flatulento barulho produzido pelo próprio pai que instalado na poltrona ao lado do sofá.</p>
<p>- O que foi? – responde o pai com uma cara de pau tão bem feita que seria comparada com um móvel fino.</p>
<p>- O papai soltou pum – declara o mais novo.</p>
<p>O pai arruma-se no sofá, abaixa o som da televisão através do controle remoto em suas mãos e respira fundo (mas não muito).</p>
<p>- Crianças, darei a vocês uma importante lição de vida, portanto prestem atenção.</p>
<p>As crianças se moveram em seus lugares para olharem melhor para o pai que parecia pronto para dar uma importante notícia ou revelação.</p>
<p>- Filha, você solta pum na frente da sua professora? Ou da diretora? Ou será que você solta pum do lado do motorista de ônibus da escola?</p>
<p>- Claro que não – respondeu a menina mostrando uma perplexidade infantil, mas ainda assim uma perplexidade.</p>
<p>- Filho – disse o pai se voltando para o menino – você arrota na frente da professora?</p>
<p>O menino menos moldado socialmente pela baixa idade com algum esforço solta um pequeno arroto, tão baixinho e tímido que quase poderia ser chamado de “bunitinho”, imediatamente pede desculpas.</p>
<p>Mesmo assim o pai olha com olhar de reprovação</p>
<p>- O pum, o arroto, é um sinal de intimidade, de proximidade uma proximidade que você só tem com quem você divide a sua vida, proximidade que existe apenas com as pessoas importantes da sua vida.</p>
<p>A menina, mais sensata, tentou argumentar, o pai não deixou continuando o discurso.</p>
<p>- Vocês meus filhos, jamais soltariam um pum na frente da diretora da escola de vocês simplesmente por que ela não é amiga de vocês, ela é a diretora, existe uma distância separando vocês. Isso não existe e nem nunca devia existir entre pais e filhos – terminou a sentença com um sorriso que derreteria o coração de um carrasco.</p>
<p>A menina novamente tentou argumentar, mas não encontrou por onde e terminou por aceitar os termos apresentados pelo pai e se aninhou no colo dele.</p>
<p>O filho com esforço solta um novo arrotinho, imediatamente diz: “desculpa”.</p>
<p>- Filho, duas coisas erradas – disse o pai arrumando a postura e fazendo a filha que já estava instalada confortavelmente nos ombros do pai se levantar – primeira se você está arrotando de propósito pedir desculpas é uma hipocrisia.</p>
<p>Tomou a garrafa de refrigerante da mão da criança.</p>
<p>- Segundo, se você quer arrotar – tomou um vigoroso e demorado gole do liquido gasoso – faça isso como um homem.</p>
<p>E soltou um arroto tão poderoso que fez as janelas tremerem. O jovem ainda aplaudia o pai enquanto a menina indignada com tanta testosterona no ar (mesmo ela ainda não sabendo o que é testosterona) resolveu que era uma boa hora para ler um livro. Enquanto saia da sala passou pela avó que perguntou:</p>
<p>- Esse barulho foi um liquidificador?</p>
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		<title>Eu não gostaria de ter um filho gay</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 18:07:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje o assunto que está na boca da mídia é a homofobia e os direitos dos gays, uma luta que só ganhou voz na imprensa nos dias atuais, apesar de existir a décadas. Agora vemos esse tema nas revistas, em passeatas, em blogs, todos levantando a bandeira colorida de defesa do grupo LGBT. Se me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-474" title="Eu não gostaria de ter um filho gay" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/06/200372488-001-242x300.jpg" alt="" width="242" height="300" />Hoje o assunto que está na boca da mídia é a homofobia e os direitos dos gays, uma luta que só ganhou voz na imprensa nos dias atuais, apesar de existir a décadas. Agora vemos esse tema nas revistas, em passeatas, em blogs, todos levantando a bandeira colorida de defesa do grupo LGBT.</p>
<p>Se me perguntarem se eu aceitaria ter um filho gay, eu respondo com outra pergunta. Eu devo aceitar um filho meu? Sim, é claro que devo, é minha obrigação aceitá-lo, criá-lo e participar da educação dele.</p>
<p>Agora se a sua pergunta é, se eu gostaria de ter um filho gay, a minha resposta muda um pouco&#8230;</p>
<p>Quando eu era um pré-adolescente resolvi entrar para o time de basquete da escola, eu não era um excelente jogador, mas a descarga de hormônios me fez crescer tal qual uma planta transgênica, e minha mãe teve a seguinte reação em relação a escolha</p>
<p>- Bola não “dá camisa para ninguém”.</p>
<p>Referindo-se a falta de profissionalismo e aos poucos esportistas bem sucedidos financeiramente, desde a época que ela era uma mocinha, até o dia do meu ingresso no mundo dos esportes.</p>
<p>Muitos outros pais com certeza falaram essa mesma frase para seus filhos, imagine se isso tivesse sido dito pela família de Ronaldo Fênomeno, ou Zico, ou Pelé.</p>
<p>Eu vi no passado e ainda vejo um gigantesco estigma social no que diz respeito aos gays em nossa sociedade, algo tão enraizado, tão fundo na nossas vidas que será necessário muita luta, coragem e esforço para mudá-la.</p>
<p>Um exemplo desse fato, que gosto de citar, é que em momentos onde você quer ofender uma pessoa,  muitas vezes usamos o termo “seu viado”&#8230;, ninguém tenta ofender outra pessoa chamando-a de “seu hétero”. Isso mostra o quanto a homossexualidade é vista de forma negativa, e o quanto essa negatividade é vista como normal e aceita praticamente de forma inconsciente.</p>
<p>Quanto tempo será que vamos levar para ver isso mudar? Quanto tempo até que o principio do respeito, supere o pejoratismo ligado a homossexualidade? Quanto tempo ainda de luta, de educação, de debate vamos ter, para atingir um patamar de tratamento digno para essas pessoas? Para essas e para qualquer outras! Acredito que ainda vá demorar muito, e torço sinceramente para que eu esteja redondamente enganado sobre isso.</p>
<p>Por isso, se me perguntam se eu gostaria que meus filhos fossem gays, eu a princípio respondo que não. Não gostaria de vê-los sofrerem com o preconceito. Não gostaria que eles tivessem essa necessidade de amadurecimento imediato, para poderem passar de forma saudável por este momento, e tenho medo de que, talvez, eles ainda não tenham o esclarecimento necessário para isso. Não gostaria de vê-los sentirem vergonha de suas escolhas, por que pessoas ignorantes e preconceituosas acham que deveriam fazê-lo.</p>
<p>Mas, se meus filhos, fizerem essa escolha (mesmo que não se trate exatamente de uma &#8220;escolha&#8221;), e mesmo sabendo tudo o que podem sofrer, que a sociedade não está pronta para aceitá-los como eles são, que eles vão precisar de uma coragem e determinação acima da média, a minha atitude seria estar ao lado deles&#8230;, apoiá-los como eu apoiaria um filho hetero, ou negro, ou latino, ou de qualquer grupo, por que ele é meu filho.</p>
<p>Caso eles demonstrem toda a atitude necessária para passar por essa sociedade cheia de preconceitos infundados e ignorancia, mesmo que para isso eles precisem da ajuda de um pai dedicado, isso apenas me faria ter ainda mais orgulho pela coragem e maneira de agir que demonstram. A opção sexual? É tão importante quanto a cor da pele, ou seja, não tem peso nenhum comparado com fatores mais importantes como caráter, honra, dignidade e coragem.</p>
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		<title>Na minha sombra</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 12:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em uma das conversas que um pai tem com o casal de filhos pequenos a menina pergunta. - Pai, o que eu vou ser quando crescer? - Bem, eu espero que vocês sejam pessoas honestas e dignas, que cresçam com inteligência e possam caminhar sem minha sombra. - Por que sem sua sombra? – perguntou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/11/103086975.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-397" title="Na minha sombra" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/11/103086975-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>Em uma das conversas que um pai tem com o casal de filhos pequenos a menina pergunta.</p>
<p>- Pai, o que eu vou ser quando crescer?</p>
<p>- Bem, eu espero que vocês sejam pessoas honestas e dignas, que cresçam com inteligência e possam caminhar sem minha sombra.</p>
<p>- Por que sem sua sombra? – perguntou o menino.</p>
<p>- É modo de falar filho, quer dizer que vocês vão poder ser virar sem mim, apesar que o papai sempre vai estar por perto pra ajudar.</p>
<p>Já era tarde e todos foram para cama. No dia seguinte a rotina de sempre: levantar, comida para o cachorro, banho, café da manhã, e lá vai o pai levá-los para a escola.</p>
<p>A escola fica próxima e eles vão caminhando. No caminho o pai repara que eles estão mais animados que o normal, pulando e correndo à sua frente, e salta para lá, salta para cá, um empurra o outro, o outro corre para o ﻿lado oposto, fazia tempo que não ficavam tão animados logo pela manhã. Em um cruzamento de ruas eles esperam pela mão segura do pai para atravessarem.</p>
<p>- Do que vocês estão brincando? – pergunta o pai curioso.</p>
<p>- Daquilo que o papai falou ontem. – respondeu a menina já subindo na calçada do outro lado da rua.</p>
<p>- O que eu falei ontem?</p>
<p>- Sobre ficarmos na sua sombra – e saiu correndo junto com o irmão tentando pisar na ﻿longa sombra do pai que se projetava no chão.</p>
<p>E o pai continuava observando orgulhoso os dois correndo e rindo felizes.</p>
<p>Poeticamente enquanto eles pensavam estar em cima da sombra, na verdade ela se projetava sobre as costas deles.</p>
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		<title>Poesia sensorial</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 20:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Gosto da fazenda, adoro os finais de semana aqui. Quando me levantei agora pela manhã escutei ao longe o barulho do rio que passa depois da estrada, suave, calmo, e assim minha audição se deleitou. O cheiro do café sendo moído e torrado na hora invadiu minhas narinas me deixando quase embriagado. Estendi a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-337" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/04/BA14050-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />- Gosto da fazenda, adoro os finais de semana aqui. Quando me levantei agora pela manhã escutei ao longe o barulho do rio que passa depois da estrada, suave, calmo, e assim minha audição se deleitou. O cheiro do café sendo moído e torrado na hora invadiu minhas narinas me deixando quase embriagado. Estendi a mão e peguei uma broa de milho ainda quente que havia acabado de sair do forno e mordi com gosto. O paladar foi invadido pelo gosto das ervas misturados na massa e me deliciei com isso. Olhei pela janela da cozinha e vi as árvores ao longe, os animais pastando calmamente e o sol nascendo acanhado no horizonte. Meu único sentido que não se deleitava nesse cenário brejeiro e delicioso era o tato. E foi por isso que eu peguei na bunda da Mariazinha, que estava na cozinha preparando o desjejum com tanta gana. Estava apenas aproveitando toda essa poesia sensorial. Você entende querida? Não foi por maldade ou malícia!</p>
<p>E a esposa contrariada respondeu sem entender a conotação sensível e rítmica daquela experiência sensorial.</p>
<p>- Você é um babaca!</p>
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		<title>Vestido vermelho</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 23:41:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Abriu a porta e apareceu com seu vestido vermelho curto, seu salto alto e seu cabelo solto. Olhou para cima e abriu um sorriso ao olhar para a lua. Sentiu-se como se tivesse de novo vinte anos, apesar de nunca ter agido assim quando realmente o tinha. Caminhou pela rua estreita andando fora da calçada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abriu a porta e apareceu com seu vestido vermelho curto, seu salto alto e seu cabelo solto. Olhou para cima e abriu um sorriso ao olhar para a lua. Sentiu-se como se tivesse de novo vinte anos, apesar de nunca ter agido assim quando realmente o tinha.</p>
<p>Caminhou pela rua estreita andando fora da calçada, acenou com uma ponta de escárnio para a a vizinha da frente que observava tudo com olhar de reprovação. A vizinha recolheu sua cabeça coberta pelo lenço para dentro de casa antes de bater a janela dizendo em tom indiscreto para que pudesse ser ouvida:</p>
<p>- Vagabunda!</p>
<p>Ao invés de ficar chateada ou responder, ela apenas sorriu fazendo pouco caso.</p>
<p>Antes de chegar ao final da rua cruzou com a benemérita presidenta da associação de moradores do bairro. Esta olhou para ela dos pés as cabeça, desviou o olhar com um movimento brusco da cabeça quando notou seu sorriso de satisfação.</p>
<p>- Piriguete!</p>
<p>Ao cruzar com o marido da louvável presidenta, que se apressava caminhando atrás da esposa segurando as pesadas sacolas de compras, cumprimentou polidamente.</p>
<p>- Boa noite, Alberto!</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-329" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/04/74108022-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" />- Boa!&#8230; noi&#8230; noite – gaguejou enquanto se equilibrava entre segurar as compras, desviar o olhar das longas pernas e não derrubar as sacolas.</p>
<p>Ela se afastou segurando a risada enquanto ouvia a esposa que repreendia o marido por dar atenção para “essa mulherzinha”.</p>
<p>Lembrou da época que era convidada para jantar com os vizinhos, de quando chorava no sofá delas sofrendo suas dores amargas, de quando consternava-se melancólica enquanto observava as famílias “amigas” a sua volta trazendo lembranças doloridas.</p>
<p>Lembrou de tudo isso sem nenhuma saudade e continuou caminhando até seu destino com o mais malicioso dos sorrisos nos lábios.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Presente de aniversário</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 18:02:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Amor, pode olhar? – pergunta Paula ansiosa com as mãos sobre a venda improvisada com a gravata do namorado. - Ainda não, estamos quase chegando. Cuidado com o degrau – responde Pedro. Ela ouve um tilintar de um sino batendo na porta que se abre e a voz do namorado – Agora pode tirar&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Amor, pode olhar? – pergunta Paula ansiosa com as mãos sobre a venda improvisada com a gravata do namorado.</p>
<p>- Ainda não, estamos quase chegando. Cuidado com o degrau – responde Pedro.</p>
<p>Ela ouve um tilintar de um sino batendo na porta que se abre e a voz do namorado – Agora pode tirar&#8230;</p>
<p>Ela olha e se vê em uma grande sala com a atendente do sexshop sorrindo.</p>
<p>- Pedro, que isso! – exclama &#8211; ainda boquiaberta.</p>
<p>- É um dos seus presentes de aniversário, escolha o que quiser, qualquer coisa, estou pagando.</p>
<p>Paula sorri, e já sabendo as intenções do namorado, escolhe uma fantasia de colegial, alguns óleos e um incrementado vibrador, daqueles com uma dezena de funções, rotações e intensidades.</p>
<p>Saem de lá direto para o motel, onde mais da metade dos óleos ficam no lençol do quarto. Depois de duas horas de entretenimento, ela se lembra do jantar com os pais.</p>
<p>Saem do motel direto para a casa dela. Pedro dirige com um sorriso de satisfação proporcionado apenas por momentos tórridos de sexo como aquele. Do lado de fora da casa dos sogros  já sentem o cheiro do churrasco e ouvem as conversas dos amigos e familiares. Paula entra ao som de um vigoroso “parabéns pra você” entoado pelos presentes.</p>
<p>Depois de cumprimentar todos e servirem-se do churrasco, o pai de Paula, acompanhado da esposa e de alguns amigos, pergunta para a filha ao lado do namorado sentado na área da casa próximo ao portão da rua.</p>
<p>- Como está sendo o aniversário de minha filhota?</p>
<p>- Perfeito pai, tenho vocês, todos meus amigos estão aqui, ganhei vários presentes lindos de vocês, dos meus amigos, do meu namorado.</p>
<p>- Qual presente o Pedro te deu filha? Eu não vi ainda – pergunta a curiosa mãe da moça.</p>
<p>Paula arregala os olhos, Pedro mastigava uma fatia de carne e congelou instantaneamente. Olhou para a namorada sem mexer a cabeça.</p>
<p>- Qual presente? – disse Paula tentando achar a resposta.</p>
<p>- Sim filha, que presente?.</p>
<p>Pedro se esforçava para engolir o pedaço de carne.</p>
<p>- É&#8230; foi&#8230; ai&#8230; é&#8230; nossa&#8230; tão lindo&#8230; é um&#8230;</p>
<p>- Um o quê filha? – solta o pai, já estranhando a demora.</p>
<p>Nesse momento, Pedro dá um salto e fica em pé, coloca o prato na mesa enquanto leva a mão até a garganta. Parecia ter algo obstruindo sua respiração.</p>
<p>- Ele engasgou, ele engasgou – gritou a mãe em desespero.</p>
<p>Pedro sai tossindo violentamente e puxando Paula pela mão.Deixam o portão da casa e a família observa tudo sem entender direito. Pedro vira a esquina da casa saindo do campo de visão de quem ainda estava lá e cospe longe o pedaço da carne.</p>
<p>- Vamos correndo para o shopping agora! Se eles perguntarem, você me levou para o hospital.</p>
<p>- Vamos fazer o que no shopping?</p>
<p>- Nem me fale! Depois daquela grana que custou o vibrador, ainda vou ter que te comprar uma joia. Droga!</p>
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		<title>Papai-Noel</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 12:34:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
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		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Papai-Noel]]></category>

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		<description><![CDATA[O marido chega em casa depois do trabalho e as crianças e a esposa estão assistindo um filme natalino como outros tantos sem muito a acrescentar. Enquanto trocava de roupa, ele ouve a conversa da família. - Mamãe&#8230; o Papai-Noel mora aonde? - No pólo norte. - E e lá é muito frio? - Muito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O marido chega em casa depois do trabalho e as crianças e a esposa estão assistindo um filme natalino como outros tantos sem muito a acrescentar. Enquanto trocava de roupa, ele ouve a conversa da família.</p>
<p>- Mamãe&#8230; o Papai-Noel mora aonde?</p>
<p>- No pólo norte.</p>
<p>- E e lá é muito frio?</p>
<p>- Muito, muito mesmo.</p>
<p>- E ele vem no Natal trazer presentes?</p>
<p>- Isso mesmo</p>
<p>Quando o marido tem oportunidade de ficar sozinho com a esposa, pergunta:</p>
<p>- E essa história de Papai-noel?</p>
<p>- Que que tem?</p>
<p>- Papai-Noel não existe! Você esta mentindo para eles! – indignado.</p>
<p>- Mas o que tem? É uma fantasia sem nenhuma maldade.</p>
<p>- Quem faz os brinquedos?</p>
<p>- Os anões, ué&#8230;</p>
<p>- Sei, os anões chineses de Taiwan. Só se for. Se formos mentir sobre Papai-Noel, temos que mentir também sobre Coelho da Páscoa, sereia, bruxa, políticos honestos e rockstars que não usam drogas.</p>
<p>- Não seja exagerado! – protesta a esposa já perdendo a paciência.</p>
<p>- Como ele entra dentro de casa? – indaga o ainda relutante marido.</p>
<p>- Ele quem?</p>
<p>- Quem? Os rockstars – revoltado com a irônia – O Papai-Noel né!?!?! Como ele entra em casa?</p>
<p>- Sei lá, ele é mágico.</p>
<p>-  Mágico? Nem o Superman conseguiria fazer o que a história fala que ele faz, visitar todas as crianças do planeta em uma única noite&#8230;</p>
<p>- Ele não visita todas, apenas as boazinhas&#8230;</p>
<p>- Isso reduz bastante o trabalho, mas mesmo assim&#8230; Não gosto dessa história não. Papai-Noel não existe e não vou mentir para meus filhos.</p>
<p>- Para de ser chato! Apenas coloque os presentes do lado da cama deles e diga que foi o bom velhinho.</p>
<p>- Bom velhinho o caramba!Eu que trabalho e compro, e ele que leva o crédito? Se eu vir um velho barbudo com saco vermelho dentro de casa, ele vai é levar umas bordoadas!</p>
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		<title>A torneira da pia que pingava</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 22:26:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
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		<description><![CDATA[O marido se levanta lá pelas 6:30 da manhã para tomar um gole de água e assaltar a geladeira (não necessáriamente nessa ordem) e a torneira da pia que pingava, escorria seu liquido fujão por debaixo da pia, formando uma discretíssima poça de água bem no corredor. O resultado não poderia ser outro, ele leva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O marido se levanta lá pelas 6:30 da manhã para tomar um gole de água e assaltar a geladeira (não necessáriamente nessa ordem) e a torneira da pia que pingava, escorria seu liquido fujão por debaixo da pia, formando uma discretíssima poça de água bem no corredor. O resultado não poderia ser outro, ele leva um baita escorregão, seguido de uma desastroza tentativa de se segurar em algum suporte sólido o suficiente para salvar seus 90kg de encontrar o chão molhado.</p>
<p>Nessa parte da narrativa seria adequado colocar uma onomatopeia para representar seu tombo, mas não encontrei nenhuma que fosse fazer justiça ao barulho surdo da queda.</p>
<p>- Dá pra fazer menos barulho aí, que isso, poxa vida&#8230; &#8211; solicita a esposa preocupada.</p>
<p>- Eu estou ótimo, obrigado por perguntar!!! &#8211; tentando descobrir qual osso que se quebrou.</p>
<p>No dia seguinte pela manhã, resolve consertar a porcaria da torneira, enquanto a esposa levava a filha ao médico. Certo que era apenas o caso de passar aquela fita molenga branquinha e apertar a dita cuja torneira e seus problemas estariam acabados.</p>
<p>Usando uma velha chave inglesa, solta a torneira com a estranha sensação de estar esquecendo alguma coisa. A sensação passou assim que a torneira foi disparada contra seu estômago, seguida, imediatamente, por um forte jato de água. Depois de algum esforço, coloca a torneira de volta e fecha o registro da casa.</p>
<p>Retira a torneira da parede, solta o adaptador do filtro e enrola habilidosamente a fita na rosca (olha o respeito), coloca novamente a torneira no adaptador e o adaptador no cotovelo que saia da parede.</p>
<p>Foi aí que a história teve seu momento trágico. Aprendam crianças: Não apertem torneiras com chaves!!! Se achando, o profissional do lar, másculo e habilidoso, exagerou na força, e ouviu um pequeno estralo, mas  sua auto-confiança lhe fez pensar: &#8220;Não foi nada&#8221;. Abre o registro e a porcaria da torneira agora vazava mais do que antes, na verdade ela estava jorrando água. Retirando novamente a peça, constatou-se pior, ele havia quebrado o cano da parede.</p>
<p>Foi até a loja de material de construção mais próxima, onde o atendente olha para ele e fala:</p>
<p>- &#8220;Você apertou isso com uma chave não foi?&#8221; , soltando um sorriso cínico em seguida, &#8220;Pra essa torneira o senhor vai precisar de um cotovelo de 3 parsec de rosca anti struts (os termos não foram bem esses), o cotovelo é de projeção ou de instrospecção?</p>
<p>- Heim!?!?!?! Como eu fico sabendo isso?</p>
<p>- Ué, tem que tirar o cotovelo pra ver.</p>
<p>- Não me diga que vou ter que abrir a parede!? &#8211; enquanto dá um tapa na própria testa.</p>
<p>- Ué, e de que outro jeito dá pra ver? &#8211; certeza que o desgraçado estava se segurando para não rir.</p>
<p>Volta para casa e procura pelo martelo. Usando um prego grosso, o martelo, paciência, finalmente remove o cotovelo abrindo um buraco mínimo na parede, volta a loja.</p>
<p>- Ôôia, o senhor voltou rapidinho, que coisa! E tirou o cotovelo certinho!</p>
<p>- Tá me sacaneando?</p>
<p>- Como?</p>
<p>- Nada! E aí, você tem essa peça?</p>
<p>- Tem, sim senhor. O senhor também vai precisar disso aqui &#8211; Joga um tubo de cola no balcão e explica o procedimento. Nisso aparece o dono da loja, olha a peça quebrada no balcão e fala:</p>
<p>- Apertou a torneira com uma chave não foi?</p>
<p>- (&#8230;)</p>
<p>No final, cola o cotovelo no cano, encaixa o adaptador devidamente vedado e a torneira, a esposa chega em casa quando ele terminava de limpar a pia.</p>
<p>- Poxa, que bagunça que você fez só pra apertar uma torneira! Você não apertou com chave não né?</p>
<p>- Eu não quero conversar sobre isso!</p>
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