Tagged: crônica

abril 13th, 2010

Poesia sensorial

- Gosto da fazenda, adoro os finais de semana aqui. Quando me levantei agora pela manhã escutei ao longe o barulho do rio que passa depois da estrada, suave, calmo, e assim minha audição se deleitou. O cheiro do café sendo moído e torrado na hora invadiu minhas narinas me deixando quase embriagado. Estendi a mão e peguei uma broa de milho ainda quente que havia acabado de sair do forno e mordi com gosto. O paladar foi invadido pelo gosto das ervas misturados na massa e me deliciei com isso. Olhei pela janela da cozinha e vi as árvores ao longe, os animais pastando calmamente e o sol nascendo acanhado no horizonte. Meu único sentido que não se deleitava nesse cenário brejeiro e delicioso era o tato. E foi por isso que eu peguei na bunda da Mariazinha, que estava na cozinha preparando o desjejum com tanta gana. Estava apenas aproveitando toda essa poesia sensorial. Você entende querida? Não foi por maldade ou malícia!

E a esposa contrariada respondeu sem entender a conotação sensível e rítmica daquela experiência sensorial.

- Você é um babaca!

março 31st, 2010

Papai não sabe

Estávamos eu e as crianças em uma fila no shopping, um pouco mais a frente um rapaz com uma opção sexual diferente da tradicional vestindo uma calça tipicamente feminina, com sapato de salto alto tipicamente femininos, uma blusa tipicamente feminina e segurando uma bolsa que seria denominada por alguns como absolutamente fashion, e claro, com a maior cara de homem.

A menina foi a primeira a perceber.

- Pai, aquele é homem ou mulher?

Pensei em explicar sobre o terceiro sexo, mas se eu tomasse esse caminho teria que explicar sobre os outros dois com mais detalhes.

- Bem filha, é…. não sei!

- Não sabe?

- É filha, papai não sabe se é homem ou mulher.

Então o menino se manifestou.

- Vamos lá perguntar pra ele.

- Não filho, não vamos!

- Porque pai?

- Por que ele também provavelmente também não sabe.

março 16th, 2010

Respostas para perguntas inadequadas

- Oi, tudo bom?

- Oi – responde a moça olhando o rapaz de cima abaixo.

- Conhece o Paulo? – querendo saber se foi o dono da festa que convidou a beldade.

- Sim, colega que trabalho.

- Que legal, veio com seu namorado?

A moça não parecia acompanhada, e obviamente o moço não está interessado na existência de um namorado, ou melhor está interessado na inexistência dele.

- Não tenho namorado. – responde a moça, já visualizando as intenções do rapaz.

- Sério? Por que não? – retruca o infeliz rapaz.

É aí então que a falta de saber o que falar resulta em uma pergunta estúpida. O rapaz já teve o seu objetivo alcançado, sabe que a moça não tem namorado. Qual o objetivo de perguntar “por que” ela não tem namorado?

Abaixo algumas sugestões de respostas adequadas a essa situação:

1)    – Não quero namorar, quero ir direto para o altar.

2)    – Estou esperando as vozes na minha cabeça indicarem a pessoa certa.

3)    – Não sei por que, a propósito meu nome é Paulão, mas pode me chamar de Carol.

4)    – Meu psicólogo disse que primeiro preciso controlar minha raiva dos homens e dominar minha tendência homicida.

5)    – É cedo para isso, nem desovei completamente o corpo do meu ex ainda.

6)    – Seria complicado, meu presídio não permite visita intima.

7)    – Geralmente os homens correm quando tiro meu strap-on da bolsa.

8)    – Depois da operação de mudança de sexo, tenho que esperar pelo menos seis meses para fazer sexo.

9)    – O pessoal da clinica de doenças venéreas disse que eu preciso esperar mais algumas semanas.

10)  – Papai me fez prometer esperar ele sair da cadeia.

março 7th, 2010

Sobre o jugo dessa poderosa força

Vem sem aviso. Você levanta um dia pela manhã e simplesmente acontece. Todos estão propensos a ela, ninguém escapa: pobres, ricos, solteiros, casados. Todos um dia vão se submeter a sua força implacável.

Nesse momento, alguns estarão mais preparados, terão serenidade apesar do medo e do desespero que tentará dominar seus corações.

Outros, sentirão o pânico desse momento que dominará o cerne de suas almas tentando  desesperados encontrar uma mão amiga.

Seu único desejo pode ser de, assim como um soldado ferido nas frentes inimigas, procurar um lugar seguro. Mas assim como em uma guerra, nem sempre isso é possível.

Alguns terão a sorte de estarem em um lugar confortável ou mesmo em braços e lares aconchegantes, onde o gentio será recebido com a compreensão de quem já sofreu do mesmo mal.

Estamos todos condenados  a um dia passar por ela que é a foça que irá nos relembrar de nossa finitude. Mesmo o mais bravo guerreiro um dia se sentirá humilde e pequeno diante da luta que terá que travar contra a revolta que oprime seu interior de forma cruel.

Existem poucas situações, se realmente houver, que podem fazer a pessoa se sentir tão submissa e simplória. Tudo o que ela quer é um local livre de inquietações, a chance de expulsar a revolta que oprime seu interior.

Quando esse momento chegar, pode ser que o suor escorra pelo seu rosto, que suas pernas tremam, que o mundo gire fora do eixo te desequilibrando. Mas por incrível que pareça, esses sinais virão para aqueles que são cheios de auspício.

Pior será o destino daqueles que não sentirão ela chegando, que serão tomados de súbito. Pode acontecer quando, sozinhos em casa, sem ninguém para testemunhar sua tristeza; dentro do seu carro em meio a uma viagem em uma estrada perigosa; durante um banho ou ainda durante uma festa alegre, entre seus amigos a tempo de sentir todo o compadecimento deles antes mesmo de notar direito o que aconteceu.

Todos estão sujeitos a uma grande e assombrosa diarreia.

março 1st, 2010

Mentira preventiva

O casal está deitado no sofá abraçadinho ouvindo uma boa música. Ela faz um carinho nos braços fortes dele e ele retribui com um afago no cabelo dela.

- Ontem meu chefe se enrolou todo…  – começa ela, puxando a conversa.

- O que houve?  – pergunta o namorado não tão interessado assim.

- Ele foi almoçar com aquela secretária do quinto andar.

- E daí? Não tem nada demais em almoçar com uma colega de trabalho, tem? Você mesmo almoça com seus colegas, diz que seu chefe é fiel… – argumenta ele.

- Sim, é verdade. Ele é super fiel a ela, apaixonadíssimo, mas o negócio é que a esposa dele ligou bem na hora e ele falou todo nervoso que estava no mecânico. Claro que ela percebeu que ele estava mentindo e foi esperá-lo na porta do escritório. Pegou ele chegando com a secretária. Deu o maior escândalo.

- Nooosssaaa… que horrível.

- Mas também, por que ele foi mentir?

- Mentira preventiva!

- O que? – pergunta ela, parando imediatamente de acariciar o braço dele.

- É, mentira preventiva! – respondeu ele, já analisando se tinha dito alguma besteira, mas resolveu continuar.

- Que história é essa de mentira preventiva?

- Olha só, seu chefe mentiu porque se falasse que estava almoçando com uma secretária morena, alta, com seios fartos e mini-saia, ela ficaria puta com ele. Ele tentou uma mentira preventiva, já que não fazia nada de errado.

- Mas se não fazia nada de errado, por que não falou a verdade?

- Por que as mulheres não acreditam quando os homens falam a verdade. No fundo, o problema todo é esse. É como um habeas corpus preventivo.

- Está falando que a culpa é nossa?

- Sim, quer dizer, não. Olha, vocês precisam confiar na gente. Você não disse que o seu chefe é fiel, apaixonado e tal?

- Eu lá sei da vida dele. Diga-me, você já me contou uma mentira preventiva?

- Amor que isso, para com essa conversa.

- Não acredito. Você mentiu para mim? Quando foi?

- Eu não disse isso, amor.

- Mas tentou desconversar.

- Mulheres sabem instintivamente quando o homem mente, você sabe disso. Pergunta de novo.

Ela olha seriamente e penetrantemente para ele.

- Você já me contou uma dessas mentiras preventivas?

- Não, eu nunca fiz – responde ele com uma confiança que intimidaria o mais bem treinado agente policial.

- Se tivesse, eu perceberia você mentindo?

- Você é melhor em outras coisas amor.

- O QUE!?!?!

- Droga… podemos começar essa conversa de novo?

habeas corpus

janeiro 15th, 2010

Presente de aniversário

- Amor, pode olhar? – pergunta Paula ansiosa com as mãos sobre a venda improvisada com a gravata do namorado.

- Ainda não, estamos quase chegando. Cuidado com o degrau – responde Pedro.

Ela ouve um tilintar de um sino batendo na porta que se abre e a voz do namorado – Agora pode tirar…

Ela olha e se vê em uma grande sala com a atendente do sexshop sorrindo.

- Pedro, que isso! – exclama – ainda boquiaberta.

- É um dos seus presentes de aniversário, escolha o que quiser, qualquer coisa, estou pagando.

Paula sorri, e já sabendo as intenções do namorado, escolhe uma fantasia de colegial, alguns óleos e um incrementado vibrador, daqueles com uma dezena de funções, rotações e intensidades.

Saem de lá direto para o motel, onde mais da metade dos óleos ficam no lençol do quarto. Depois de duas horas de entretenimento, ela se lembra do jantar com os pais.

Saem do motel direto para a casa dela. Pedro dirige com um sorriso de satisfação proporcionado apenas por momentos tórridos de sexo como aquele. Do lado de fora da casa dos sogros já sentem o cheiro do churrasco e ouvem as conversas dos amigos e familiares. Paula entra ao som de um vigoroso “parabéns pra você” entoado pelos presentes.

Depois de cumprimentar todos e servirem-se do churrasco, o pai de Paula, acompanhado da esposa e de alguns amigos, pergunta para a filha ao lado do namorado sentado na área da casa próximo ao portão da rua.

- Como está sendo o aniversário de minha filhota?

- Perfeito pai, tenho vocês, todos meus amigos estão aqui, ganhei vários presentes lindos de vocês, dos meus amigos, do meu namorado.

- Qual presente o Pedro te deu filha? Eu não vi ainda – pergunta a curiosa mãe da moça.

Paula arregala os olhos, Pedro mastigava uma fatia de carne e congelou instantaneamente. Olhou para a namorada sem mexer a cabeça.

- Qual presente? – disse Paula tentando achar a resposta.

- Sim filha, que presente?.

Pedro se esforçava para engolir o pedaço de carne.

- É… foi… ai… é… nossa… tão lindo… é um…

- Um o quê filha? – solta o pai, já estranhando a demora.

Nesse momento, Pedro dá um salto e fica em pé, coloca o prato na mesa enquanto leva a mão até a garganta. Parecia ter algo obstruindo sua respiração.

- Ele engasgou, ele engasgou – gritou a mãe em desespero.

Pedro sai tossindo violentamente e puxando Paula pela mão.Deixam o portão da casa e a família observa tudo sem entender direito. Pedro vira a esquina da casa saindo do campo de visão de quem ainda estava lá e cospe longe o pedaço da carne.

- Vamos correndo para o shopping agora! Se eles perguntarem, você me levou para o hospital.

- Vamos fazer o que no shopping?

- Nem me fale! Depois daquela grana que custou o vibrador, ainda vou ter que te comprar uma joia. Droga!

dezembro 18th, 2009

Papai-Noel

O marido chega em casa depois do trabalho e as crianças e a esposa estão assistindo um filme natalino como outros tantos sem muito a acrescentar. Enquanto trocava de roupa, ele ouve a conversa da família.

- Mamãe… o Papai-Noel mora aonde?

- No pólo norte.

- E e lá é muito frio?

- Muito, muito mesmo.

- E ele vem no Natal trazer presentes?

- Isso mesmo

Quando o marido tem oportunidade de ficar sozinho com a esposa, pergunta:

- E essa história de Papai-noel?

- Que que tem?

- Papai-Noel não existe! Você esta mentindo para eles! – indignado.

- Mas o que tem? É uma fantasia sem nenhuma maldade.

- Quem faz os brinquedos?

- Os anões, ué…

- Sei, os anões chineses de Taiwan. Só se for. Se formos mentir sobre Papai-Noel, temos que mentir também sobre Coelho da Páscoa, sereia, bruxa, políticos honestos e rockstars que não usam drogas.

- Não seja exagerado! – protesta a esposa já perdendo a paciência.

- Como ele entra dentro de casa? – indaga o ainda relutante marido.

- Ele quem?

- Quem? Os rockstars – revoltado com a irônia – O Papai-Noel né!?!?! Como ele entra em casa?

- Sei lá, ele é mágico.

-  Mágico? Nem o Superman conseguiria fazer o que a história fala que ele faz, visitar todas as crianças do planeta em uma única noite…

- Ele não visita todas, apenas as boazinhas…

- Isso reduz bastante o trabalho, mas mesmo assim… Não gosto dessa história não. Papai-Noel não existe e não vou mentir para meus filhos.

- Para de ser chato! Apenas coloque os presentes do lado da cama deles e diga que foi o bom velhinho.

- Bom velhinho o caramba!Eu que trabalho e compro, e ele que leva o crédito? Se eu vir um velho barbudo com saco vermelho dentro de casa, ele vai é levar umas bordoadas!

dezembro 8th, 2009

Confissão

Ele usava um lenço para enxugar o suor que escorria pela testa, as mãos tremiam enquanto descia pelo elevador. Espantou-se quando notou que estava sorrindo.Como podia ter a coragem?

Desceu na garagem e foi para o carro. O misto de satisfação e arrependimento o dominava. Ligou o carro e ganhou a rua. Ainda sentia o cheiro e isso o incomodava assim como o deixava com um ar de contentamento. Não conseguia mais se conter, sentia que dirigia sem saber para aonde estava indo, apenas seguindo o fluxo. Entrou no primeiro retorno. Achou melhor parar.

Descansou a cabeça entre as mãos sobre o volante, respirou fundo e quando levantou a cabeça notou que havia estacionado em frente a uma igreja. Desceu e entrou.

Enquanto andava pelo corredor de bancos, entre as imagens imóveis de anjos, homens e mulheres considerados santos, sentiu-se mal, culpado, sujo.

Suas mãos estavam escarlates, mas era apenas por que apertava vigorosamente o celular. Olhou para o aparelho e se viu discando os números. Ele precisava falar com alguém, precisava contar o que fez. Ligou para a noiva. Quando o telefone atendeu com um carinhoso “oi amor!”, ele pensou no que estava fazendo.

- Oi meu doce, preciso te falar uma coisa!

- Pois não meu lindo, fala, o que foi?

Então ele contou, contou tudo, sem tomar fôlego, sem parar para ouvi-la, cada detalhe fresco em sua mente. Descreveu cenário, cores, a posição dos móveis antes e como ficaram depois, tudo o que usou, como segurou e enquanto narrava seu corpo parecia reviver o momento. Foi ficando ofegante, agitado, falava cada vez mais rápido e intensamente e terminou. Então se calou para ouvir.

Mas não houve resposta, com o aparelho colado no ouvido chamou pela noiva, não escutou nada, afastou o aparelho da cabeça e viu que ele estava desligado. Ficou olhando para o aparelho apagado em sua mão como se fosse um singular artefato há muito perdido.

Ainda estava ofegante quando o celular tremeu em sua mão e começou a tocar. Era ela, levou o aparelho até o ouvido.

- Amor? Alô?

- Oi, você me ouviu?

- Não amor, a ligação caiu depois que você começou a falar. O que você ia dizer?

- Nada, apenas queria dizer que eu te amo muito e que você me faz muito feliz!

Se despediu, desligou o telefone e foi para casa.

dezembro 3rd, 2009

Manifestação contra os culpados

Tudo começou quando estudantes e lideres sindicais invadiram a câmara legislativa local para protestar contra as recentes denuncias de corrupção envolvendo políticos e empresas locais.

A manifestação tomou um rumo inesperado quando teve seu avanço impedido por outra manifestação, não de estudantes ou membros de sindicatos, mas dos políticos envolvidos. A surpresa foi ainda maior quando foi possível notar as reivindicações que esses partidários faziam.

Gritavam palavras em defesa de seu direito de serem corruptos e desonestos. Carregavam placas com as frases “Vocês já sabiam! Então por que votaram em nós?”, “Não cheguei ao poder sem seu voto!” e “Não fomos eleitos por marcianos! Mas pelo povo!”.  Essas foram as declarações do líder da manifestação José Rutáceos que fez as seguintes declarações:

- Somos sim corruptos, e quem não sabia disso quando votou? Eu já menti, jurei futilmente na televisão para todo mundo ver. Mesmo assim votaram em mim e cá estou! O que vocês esperavam?

O vice-governador, empresário e acusado de esquemas fraudulentos que acompanhava as declarações completou.

- Se você contratar um ladrão para ser seu empregado e tomar conta do seu caixa o que você pode esperar dele? Que ele respeite seus bens e sua instituição? É claro que não!

A manifestação continuou deixando a câmara legislativa e ganhou as ruas. Agora munidos de um carro de som, a estranha manifestação seguiu caminhando por todo o Brasil, foi a inúmeros cantos do Brasil declarando, sem vergonha, seus atos ilícitos apenas para desmenti-los em seguida. Praticamente todas as ruas e bairros e cidades do país receberam essas mensagens em suas portas.

Na eleição seguinte estavam todos reeleitos.

————————————————

http://noticias.br.msn.com/brasil/artigo.aspx?cp-documentid=22778698

dezembro 2nd, 2009

Melhor amigo – segunda versão

Estava arrasada! Nem sabia por onde começar: trabalho, diarista, contas, balança, mas o principal era o idiota do Felipe, ainda não conseguia acreditar no que ele tinha feito. Largou-me no sofá encolhida, chorando solitariamente.

Toca o celular, é o Anderson. Tento me segurar, mas me desabo em lágrimas. Ele diz que preciso sair para me distrair, digo que não estou no clima, mas ele diz que uma mulher linda não deve ficar em casa em uma sexta-feira à noite.

Ele chega quarenta minutos depois, abraça-me forte quando abro a porta, diz que estou linda.No sofá, começo a reclamar do meu dia , mas ele me interrompe, diz que não preciso me preocupar, que uma mulher linda como eu não devia esquentar “a sua cabecinha linda” com essas “coisas” e diz que eu devo trocar de roupa, colocar um vestido por que ele vai me levar para jantar. Protesto que não estou no clima, mas ele é persistente. Coloco um tubinho preto e um salto alto. Quando volto para a sala ele está com cara de impaciente, mas ainda assim solta um longo assovio e diz que estou maravilhosa.

Vamos a uma pizzaria animada, muitos jovens.Ele faz o pedido de uma meia calabresa, meia quatro queijos. Fico pouco a vontade, mas ele pede um vinho e começo a relaxar. Ele me faz rir e esquecer um pouco dos problemas. Terminamos rápido tanto a pizza, quanto o vinho e ele me arrasta para uma festa. Não reclamo. Começo a pensar que ele tem razão, que preciso me divertir. Eu queria dançar, mas  ele protestou que não levava jeito.Ainda sobre o efeito do vinho, arrasto ele para a pista e descubro que ele tinha razão!Ele não leva o menor jeito, mas parece ter gostado, porque tentou me beijar três vezes em apenas uma música.

Ele me leva de volta para casa, tenta me beijar mais uma vez na saída da festa, mais uma em um sinal fechado e duas quando chega ao meu prédio. Ele pergunta se pode subir para usar o banheiro.Olho para ele meio torto e penso essa é a última vez que bebo uma garrafa de vinho. Subimos, eu me jogo no sofá e ele vai para o banheiro. Coloca a cabeça no meu ombro. Começa a afagar meus cabelos. Sinto uma sensação estranha, uma vibração, era o celular dele no bolso da calça. Ele não atende.

- Você é muito linda sabia?

- Sabia!

- É?

- É, deve ser a centésima vez que você fala isso essa noite.

- E?

- E está na hora de você ir embora – me levanto em um impulso só, o puxo  pelo braço.

- Mas já?

- Sim.

- Está cedo – protesta ele, enquanto o empurro porta a fora.

- Boa noite Anderson! – estou sorrindo deliciada.

- Nem um beijinho?

Bato a porta e caio no sofá meio que rindo.Até que ele é gatinho, quem sabe na próxima?

Quando o elevador abre, Anderson sem entender o que aconteceu e lembrando-se do preço daquela garrafa de vinho pensa: mas que vadia filha de uma puta!

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes