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	<title>No Improviso &#187; conto</title>
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	<description>Uma visão bem humorada de como levamos a vida no improviso tentando convencer que sabemos o que estamos fazendo!</description>
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		<title>Boletim de ocorrência</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 17:53:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<category><![CDATA[crônica]]></category>
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		<description><![CDATA[Entrou na sala logo atrás do oficial, sentou–se em uma cadeira que foi apontada pelo delegado calvo, que estava atrás da grande mesa de madeira com um cigarro no canto da boca. – O nome do senhor? Ele pigarreou, limpando a garganta. – Arh, arhan! Fábio Rosa Souto. Um oficial começou a redigir o depoimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-491" title="Boletim de ocorrência" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/08/84867935-230x300.jpg" alt="" width="230" height="300" />Entrou na sala logo atrás do oficial, sentou–se em uma cadeira que foi apontada pelo delegado calvo, que estava atrás da grande mesa de madeira com um cigarro no canto da boca.</p>
<p>– O nome do senhor?</p>
<p>Ele pigarreou, limpando a garganta.</p>
<p>– Arh, arhan! Fábio Rosa Souto.</p>
<p>Um oficial começou a redigir o depoimento em um velho computador, em uma mesa contígua.</p>
<p>– Profissão?</p>
<p>– Escritor.</p>
<p>O delegado olhou por cima dos óculos e deixou a cinza do cigarro cair em si, sem se importar.</p>
<p>– O que anda acontecendo, senhor Fábio escritor? Conte–me o que o trouxe aqui.</p>
<p>– Eu queria fazer uma denúncia por perseguição, é assim que se chama? Perseguição? Eu não entendo muito de direito então&#8230;</p>
<p>– Quem está perseguindo o senhor? – interrompeu o delegado abruptamente.</p>
<p>– O nome dele é Agenor.</p>
<p>O delegado deu uma longa baforada no cigarro, movimentou uma pilha desarrumada de papeis de cima da mesa procurando por algo. Achou um maço barato de cigarros, acendeu um na brasa do primeiro que foi jogado para trás da mesa, no chão.</p>
<p>– E por que o senhor Agenor está perseguindo o senhor?</p>
<p>Fábio suspirou e se ajeitou na dura cadeira.</p>
<p>– Então, ele acredita que estou tendo um caso com a esposa dele.</p>
<p>– E o senhor está?</p>
<p>Fábio pigarreou novamente.</p>
<p>– Arh, arhan! Isso é, bom&#8230; digo&#8230; é mesmo relevante? Adultério não é crime, é?</p>
<p>Novamente o delegado olhou por cima dos óculos para Fábio, deu mais uma longa baforada, olhou para o agente que redigia o depoimento.</p>
<p>– Então o senhor, como dizem os populares, deu uma furada na esposa do senhor Agenor, que obviamente ao descobrir o fato&#8230; Aliás, como ele descobriu?</p>
<p>– Não sei, não ficou claro. Talvez uma mensagem de celular, uma carta ou&#8230;</p>
<p>– Ou o quê, senhor Fábio escritor?</p>
<p>– Ou uma cueca minha, no quarto dele&#8230;</p>
<p>O delegado deu um tapa na mesa e levou a outra mão até a testa em um movimento reprovatório.</p>
<p>– O senhor largou uma cueca sua na casa do homem depois de deitar–se com a esposa dele? É isso que eu entendi?</p>
<p>– Foi, mas foi completamente sem querer&#8230;</p>
<p>– Ok, e o que o senhor Agenor anda fazendo que incomodou o senhor?</p>
<p>– Ele tem ligado no meu trabalho, na minha casa, no meu celular! Fazendo ameaças, doutor! Ameaças! E uma das vezes que eu liguei para Carla, ele atendeu e disse que iria até o meu serviço pra ter uma conversinha comigo se eu&#8230;</p>
<p>– Se você o quê, senhor Fábio? Se o senhor comesse a mulher dele de novo? Ou se o senhor largasse outra cueca em cima dos lençóis do homem?</p>
<p>Fábio olhou para o delegado com olhos arregalados e respondeu com incredulidade à cena que visualizara.</p>
<p>– A–a–acho que–que as duas co–coisas&#8230; Ou ele pro–va–vavel–mente nã,não se resig–resignou em ser tra–traído.</p>
<p>Uma cinza enorme caiu da ponta do cigarro do delegado. E o agente, que registrava o depoimento, virou a cadeira, mandou imprimir o depoimento para revisão e também acendeu um cigarro, prevendo que nada mais precisaria acrescentar.</p>
<p>– Olha só senhor Fábio, o senhor pode registrar uma ocorrência de Perturbação de Tranquilidade contra o senhor Agenor, uma vez que não houve ameaça à sua integridade física. Eu vou registrar todo o seu depoimento, vamos imprimi–lo na forma de um documento e o senhor assina esse documento. Depois vamos procurar pelo senhor Agenor para que ele possa dar a versão dele da história, com detalhes, inclusive onde ele encontrou a tal cueca. E depois ele assina também. Ele vai assinar um documento oficial, do Departamento de Polícia, que confirma que ele é um belíssimo corno graças ao senhor.</p>
<p>O delegado concluiu com um sorriso irônico. Fábio ficou em silêncio por alguns segundos, com os olhos ainda mais arregalados.</p>
<p>– Da maneira como o senhor colocou, não parece uma boa ideia, né?</p>
<p>– Não parece é? Eu não disse coisa alguma. Aqui estou a serviço da população e de cidadãos que procuram a lei, como o senhor. – rebateu o delegado, com sarcasmo escorrendo pelos lábios..</p>
<p>– Bem, acho que não precisamos continuar com isso, não é mesmo? Vai que as coisas fiquem piores se os senhores ligarem pra ele, né&#8230; Mas obrigado pelo seu tempo mesmo assim. – Fábio foi se levantando lentamente.</p>
<p>– Como o senhor quiser. E está tarde, senhor Fábio. Volte para casa com cuidado, viu&#8230;</p>
<p>O delegado desfez o sorriso sarcástico e meneando a cabeça negativamente procurava por outro maço de cigarros em cima da mesa. Fábio saiu lentamente, olhou para os dois lados antes de deixar a delegacia e foi correndo em direção ao carro estacionado. Saiu cantando pneus e quase bateu no portão enquanto olhava pelo retrovisor com a sensação de estar sendo observado.</p>
<p>– É cada uma que me aparece! Você viu isso? – O delegado pediu o isqueiro pra o oficial que redigira o documento. E continuou:</p>
<p>– Depois eu lavraria esse documento, chamaria as partes e o que aconteceria? Um corno homicida dentro da minha jurisdição!</p>
<p>– Então posso deletar o documento, delegado?</p>
<p>– Deve, né, Haroldo, deve! E Zeca! Ô Zeca! Acorda, infeliz! Todo dia chego nesse Departamento e tem uma pilha de processos na impressora! Comece agora a cumprir as demandas de hoje, ligar pros interessados!</p>
<p>Zeca, com a cara amassada do cochilo que tirava em cima da mesa, foi até a impressora cumprir seu trabalho. E só encontrou um único processo para ligar para as partes, um tal de Agenor.</p>
<p>=============</p>
<p>Esse post foi escrito a quatro mãos com o escritor, blogueiro e amigo Fernando Ramos (<a href="http://twitter.com/colunafantasma" target="_blank">@colunafantasma</a>) <a href="http://colunafantasma.blogspot.com/" target="_blank">colunafantasma.blogspot.com</a>   <a href="http://aescritasalaz.blogspot.com/" target="_blank">aescritasalaz.blogspot.com</a></p>
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		<title>Uma nova pessoa</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Mar 2011 15:03:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Rafael se debateu, fez força, pulou, mas a cadeira onde estava amarrado nem ao menos se mexeu, parecia parafusada no chão. Olhou para Cássia que estava calma puxando um banco de madeira para perto dele que olhava em volta, não reconhecia o lugar onde estava, parecia um armazém vazio. - Veja Rafael, eu só quero [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-458" title="Uma nova pessoa" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/03/88388435-222x300.jpg" alt="" width="222" height="300" />Rafael se debateu, fez força, pulou, mas a cadeira onde estava amarrado nem ao menos se mexeu, parecia parafusada no chão.</p>
<p>Olhou  para Cássia que estava calma puxando um banco de madeira para perto  dele que olhava em volta, não reconhecia o lugar onde estava, parecia um  armazém vazio.</p>
<p>- Veja Rafael, eu só quero saber a verdade, e depois você pode ir, mas eu preciso que você me fale exatamente a verdade.</p>
<p>Rafael  olhou nos olhos de Cássia e viu que ela estava serena, ele respirou  fundo e tentou ignorar o formigamento dos braços por causa da pressão  das cordas.</p>
<p>- Tudo bem Cássia, o que você quer saber? – falou tentando disfarçar o medo na voz.</p>
<p>-  Você fez tudo o que fez, me fez te amar, fazer planos junto de você, e  você estava o tempo todo me sacaneando pelas costas – disse Cássia, que  interrompeu a frase para suspirar lembrando da recente dor do termino do  seu noivado, foi quando Rafael interrompeu.</p>
<p>- Você quer saber o porquê eu fiz essas coisas?</p>
<p>Cássia abriu um sorriso estranhamente luminoso.</p>
<p>-  Não Rafael, eu sei por que você fez essas coisas, fez por que é um mau  caráter, um cafajeste. Mas você parecia uma boa pessoa, todo mundo pensa  que você é uma boa pessoa, mas no fundo você é um safado, quero saber  como você conseguiu enganar todos. É isso que eu quero saber.</p>
<p>Rafael  ficou confuso no começo, mas encarou a pergunta com a sobriedade que  vem de estar completamente imobilizado sem ninguém para ajuda-lo,  resolveu entrar de cabeça no jogo de Cássia.</p>
<p>- Ok, Cássia, é bastante simples, você conheceu um Rafael que morreu. Que não existe mais, e eu uso o que sobrou dele às vezes.</p>
<p>Cássia se ajeitou no banquinho e cruzou as longas pernas.</p>
<p>- Explique melhor.</p>
<p>-  Muito tempo atrás um outro Rafael foi noivo, e foi o noivo mais feliz  do mundo, ele era honesto, ia de casa para o trabalho, e fazia  absolutamente tudo para agradar sua noiva, era gentil, mandava flores,  comprava joias, vivia sua vida por ela, na verdade, ela era mais  importante que a própria vida desse Rafael.</p>
<p>- E o que aconteceu com “esse” Rafael? – perguntou Cássia.</p>
<p>-  Ele morreu. Morreu de coração partido quando viu a noiva com um dos  futuros padrinhos de casamento fazendo sexo na cama que ele havia  comprado para eles. Mas veja, ele não morreu naquele instante, o coração  partido continuava a bater mesmo dilacerado, mas cada movimento que ele  fazia para manter a vida naquele corpo causava dor, uma dor  insuportável. Um dia essa dor o fez sofrer tanto que aquele Rafael  morreu.</p>
<p>Cássia enviou a mão nos bolsos e tirou um maço de cigarros.</p>
<p>- Você nunca fumou Cássia – disse Rafael.</p>
<p>- Agora eu fumo – respondeu Cássia – continue sua história.</p>
<p>-  “Aquele” Rafael morreu, mas seu corpo continuou como uma nova pessoa,  uma que não tem escrúpulos e que não serve a ninguém a não ser o próprio  prazer, mas muito mais forte, mais confiante, mais ofensivo. Ele se  tornou eu. Às vezes puxo do fundo do meu passado a carcaça daquela  antiga pessoa que fui e uso como uma mascara, é assim que eu faço.</p>
<p>Rafael suspirou, abaixou a cabeça e uma lagrima rolou pelo seu rosto.</p>
<p>Cássia  se levantou, acariciou o rosto de Rafael e tocou-lhe os lábios em um  beijo frio, ela estava cheirando a um perfume que Rafael não conhecia.  Ficou em pé na frente dele que ao olhar para ela pensou “ela está mais  linda do que nunca”.</p>
<p>Realmente  Cássia parecia mais bonita, cabeça levantada, postura ereta, cabelos  brilhantes, emanava um poder e uma sensualidade que não parecia ser dela  que era sempre tímida e recatada.</p>
<p>Ela  colocou a mão no outro bolso e tirou um objeto de metal, uma navalha,  Rafael engoliu seco, Cássia deu a volta na cadeira e cortou as cordas  que prendiam Rafael.</p>
<p>- Você pode ir – disse ela guardando a lamina nos bolso.</p>
<p>- Posso? – indagou sem entender.</p>
<p>- Sim pode – ela respondeu dando as costas e saindo em direção a uma porta.</p>
<p>Rafael  ficou olhando para aquela mulher alta com um corpo escultural, não se  lembrava de Cássia ter roupas de couro tão sensuais.</p>
<p>-  O que foi isso Cássia? O que aconteceu aqui? O que aconteceu com você? –  ele perguntou enquanto esfregava os pulsos marcados pelas cordas.</p>
<p>Cássia olhou por cima do ombro sem se virar.</p>
<p>-  Você matou a antiga Cássia, e agora sobrou apenas eu, a nova Cássia.  Tenha uma boa vida Rafael, eu quase sou grata por você ter entrado na  minha vida&#8230; quase grata – e ela abriu e atravessou a porta de metal.</p>
<p>Rafael  ficou alguns minutos parado no mesmo lugar, estava tentando decidir-se  se tinha feito bem ou mal para a vida de Cássia, mas só conseguiu ter a  certeza que gostava muito mais dessa nova versão.</p>
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		<title>Vingança</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 20:34:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era uma aldeia dessas que vocês veem em filmes. Ali as pessoas viviam felizes, não tinham muitas posses, mas, viviam bem. O ferreiro produzia ferraduras, o padeiro assava os pães, a costureira cerzia roupas, o agricultor plantava, e outras pessoas com outras profissões faziam o que suas ocupações determinavam. Na festa de verão Francisco, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-448" title="Vingança" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/03/84040788-241x300.jpg" alt="" width="241" height="300" />Era uma aldeia dessas que vocês veem em filmes. Ali as pessoas viviam felizes, não tinham muitas posses, mas, viviam bem.</p>
<p>O ferreiro produzia ferraduras, o padeiro assava os pães, a costureira cerzia roupas, o agricultor plantava, e outras pessoas com outras profissões faziam o que suas ocupações determinavam.</p>
<p>Na festa de verão Francisco, o açougueiro, assistia a dança em volta da fogueira quando ouviu César, o marceneiro, falar que “mataria Dolores”, esposa de Francisco. O açougueiro se aproximou de César e ambos visivelmente embriagados começaram a discutir.</p>
<p>Tomás, o carroceiro, amigo de longa data de Francisco foi ajudar seu amigo açougueiro, empurrou César tentando afastá-lo, Moisés, o lenhador, que sempre achou Tomás um encrenqueiro, mesmo sem ter motivo nenhum para isso, e resolveu defender César, mas tropeçou em um pedaço de lenha e ao cair sua mão bateu no rosto de Clotilde, esposa de Tomás.</p>
<p>No dia seguinte o ferreiro recebeu encomenda de armas, Francisco foi morto com uma flecha cravada no pescoço dentro da taberna. Pedro, o taberneiro, disse que a flecha parecia com as que eram usadas por Carlos, o caçador, vizinho de César, o marceneiro, que planejava matar a esposa de Francisco.</p>
<p>Carlos teve sua casa queimada, e perdeu a esposa e seus dois filhos, mortos no incêndio. Os boatos de que era uma vingança de Tomás fizeram com que Carlos fosse vingar-se sobre a vingança dele, que por sua vez estava vingando Francisco.</p>
<p>A discórdia não parou aí. Aldeões defendiam seus amigos, mesmo os que não eram tão amigos assim, o ferreiro passou a produzir espadas e lanças, o padeiro passou a usar seu forno para forjar pontas de flechas, a costureira agora prendia cotas de metal e placas em roupas de couro, e o agricultor não tinha o que plantar por que seu campo estava encharcado de sangue que foi usado para lavar a honra de muitos.</p>
<p>Aparentemente muitos queriam lavar a honra com esse novo produto de higienização tão fantástico, por que muito sangue foi derramado.</p>
<p>Quando todos foram vingados, tiveram suas honras limpas, secas e passadas, quando todos os corpos foram enterrados então outros moradores vieram para a aldeia, se casaram, trabalharam, e contavam a historia da grande guerra que anos atrás havia se abatido sobre o local.</p>
<p>E ninguém nunca soube que Dolores era o nome da porca do marceneiro César e que ele a mataria para um banquete onde pretendia chamar toda a cidade, inclusive o açougueiro Francisco e sua esposa.</p>
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		<title>Terráqueos</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2010 16:59:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-388" title="Terráqueos" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/11/BA00163-185x300.jpg" alt="" width="185" height="300" />O pequeno comboio parou em frente a um grande edifício cinza no meio do nada e eu não fazia à mínima ideia de onde estava, um homem usando terno preto e óculos escuro abriu a porta da Land Rover.</p>
<p>- Rápido doutor, estamos atrasados!</p>
<p>Desci do veículo, agarrado a minha pasta, sem entender muito bem o que acontecia. Menos de duas horas atrás eu estava na minha casa tomando café da manhã, e agora estou no meio do que parece ser uma instalação secreta do governo.</p>
<p>Atravessamos tantas portas blindadas que não saberia dizer o número e então entrei em uma sala e fui surpreendido pela visão de ninguém menos que o Presidente.</p>
<p>- Doutor, é um prazer cumprimentá-lo.</p>
<p>Só consegui balbuciar um “igualmente senhor”, o que sucedeu após esse encontro foi ainda mais surpreendente, fui levado a uma sala onde me foi oferecida uma cadeira junto a uma mesa solida de metal onde consegui identificar, sentados em cadeiras semelhantes, algumas das mais brilhantes mentes da nossa época, físicos, matemáticos, teólogos e mais tarde fiquei sabendo até mesmo músicos e agora eu me juntava a esse seleto grupo.</p>
<p>Mesmo sendo um antropólogo reconhecido e confesso sem falsa modéstia, bastante premiado me senti pequeno enquanto me sentava na gelada cadeira.</p>
<p>- Senhores – começou a falar o presidente – peço desculpas pelas circunstâncias que foram convocados aqui essa manhã, mas tenho certeza que todos vão concordar que situação requeria tal medidas.</p>
<p>Várias possibilidades começaram a passar pela minha cabeça, nenhuma delas chegava nem perto da verdade.</p>
<p>- Ontem às duas horas da manhã segundo o horário do pacifico fomos contactos pelos serviços de segurança aeroespacial e pelo departamento de segurança do estado que estávamos recebendo a visita de uma entidade alienígena inteligente.</p>
<p>O murmúrio na sala cresceu até se transformar em uma quase explosão de vozes, o presidente teve que ser incisivo para continuar falando.</p>
<p>- Tal criatura exigiu que as maiores mentes do planeta fossem reunidas para conversarem com ele e por isso vocês foram convocados.</p>
<p>Confesso que ouvir todo o resto foi difícil, não consegui me focar em mais nada além de encontraríamos um ser inteligente de outro planeta. As horas que se seguiram foram usadas para trocarmos de roupa, passarmos por um processo de esterilização e instrução de alguns protocolos. Quando penso nesses momentos enquanto escrevo esse relato tudo fica nublado, mas o momento que estávamos na sala blindada é nítido em minha mente, a sala onde estávamos quando a porta se abriu e dela saiu uma criatura baixa de forma vagamente humanóide meu coração estava saindo pela boca.</p>
<p>As horas que se seguiram depois disso foram puro pesadelo.</p>
<p>Quando ele finalmente deu a reunião por encerrada os militares abriram a porta para que pudéssemos sair, fiquei sabendo mais tarde que uma força havia desativado todos os aparelhos eletrônicos no local e que por conta disso as portas não puderam ser abertas assim que perceberam que as câmeras não funcionavam.</p>
<p>Todos deixamos o lugar em estado de choque, alguns choravam copiosamente, eu mal conseguia andar e arrastava as pernas, voltei a mim com um general gritando enquanto me sacudia pelos ombros.</p>
<p>- Pelo amor do Criador homem. Me diga o que aconteceu lá dentro?</p>
<p>Tive que tomar fôlego e me concentrar como nunca para responder.</p>
<p>- Conversamos&#8230;</p>
<p>- Como assim “conversaram” homem, vocês passaram três horas lá dentro, por que estão nesse estado?</p>
<p>- Foi horrível.</p>
<p>- Por favor doutor, conte-nos.</p>
<p>Depois de alguns minutos e um copo de água consegui falar poucas palavras.</p>
<p>- Ele perguntou por que fazemos o que fazemos, tudo, em todos os aspectos e áreas, perguntou por que partimos o coração de outras pessoas, por que temos vergonha de fazer o que é certo, por que matamos nossa própria espécie e outras, por que somos gananciosos, por que somos&#8230; minha nossa, foi horrível.</p>
<p>Os militares disseram que provavelmente a criatura usou de alguma forma de poder psíquico e por isso estávamos transtornados daquela maneira, mas todos nós que participamos dessa experiência sabemos que não foi isso. A verdade é que aquela criatura representante de outra civilização que durante décadas estudava nossos hábitos sem entende-los, estava certa em não compreender a grande maioria de nossas ações mais hediondos.</p>
<p>Quando encontrarem essa carta, que deixo para seja lá quem encontrar, já estarei morto, a notícia do meu suicidio provavelmente não virá acompanhada da minha declaração que simplemente não suporto mais a vergonha, a gigante vergonha, e digo mais, a gigante vergonha intergaláctica de ser terráqueo.</p>
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		<title>Superpoderes</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Sep 2010 12:28:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante gerações a humanidade criou as mais variadas historias sobre feitos impossíveis, na mitologia eram os semideuses e heróis com suas espadas e arcos, no cinema os personagens de filmes de ação com suas armas e maquinas mortais, nas histórias em quadrinhos os super-heróis com suas roupas coloridas e capas esvoaçantes. Durante milênios isso era [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-376" title="Superpoderes" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/09/85309840-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" />Durante gerações a humanidade criou as mais variadas historias sobre feitos impossíveis, na mitologia eram os semideuses e heróis com suas espadas e arcos, no cinema os personagens de filmes de ação com suas armas e maquinas mortais, nas histórias em quadrinhos os super-heróis com suas roupas coloridas e capas esvoaçantes.</p>
<p>Durante milênios isso era ficção, mas não sabemos se por uma manifestação divina, ou se por uma mutação genética ou ainda se pelo simples acaso começaram a surgir os primeiros casos registrados cientificamente de humanos com capacidades sobre-humanas.</p>
<p>O primeiro deles foi o senhor Marcelo Gales, um homem dotado de incríveis poderes de premonição. O senhor Gales podia prever com absoluto acerto e meses de antecedência eventos que ainda não ocorreram.</p>
<p>O senhor Gales ao comprar um carro novo soube que ele iria bater quando um motorista bêbado ultrapassasse o sinal vermelho em um cruzamento e também que ele não ficaria machucado.</p>
<p>Ele ligou para os bombeiros antes de um grande incêndio em um prédio comercial no centro da cidade.</p>
<p>Até mesmo em eventos simples como em uma pelada de futebol com os amigos esse extraordinário humano conseguia prever qual chute se converteria em gol e qual seria apenas uma bola fora.</p>
<p>No entanto essa habilidade nunca lhe foi muito útil. Mesmo sabendo que bateria o carro em um cruzamento ele não conseguiu desviar a tempo, os bombeiros da cidade ameaçaram processa-lo por trote quando tentou avisa-los sobre o incêndio e mesmo no futebol saber se a bola entraria ou não nunca lhe deu uma habilidade com os pés e ele continuava um perna-de-pau.</p>
<p>Um dia ele conheceu uma garota, em uma festa luxuoso prédio onde morava seu patrão, olhou para ela e instantaneamente vislumbrou o futuro mais uma vez, seriam amigos, em pouco tempo a atração seria inegável, o primeiro beijo, a primeira noite juntos, a surpresa dele ao ver que ela não tinha medo de sua habilidade e sim admiração, os programas juntos, as viagens, a certeza que ela era a pessoa perfeita, o noivado, o casamento, os filhos, a crise, as crises, as brigas, o desejo de não voltar para casa depois do trabalho, o divorcio, a dor da separação, as noites sozinhos se afogando em lágrimas e bebidas.</p>
<p>Quando ele voltou de sua visão tinha os olhos encharcados de lágrimas, ela não entendeu o que acontecia e ficou olhando fixamente para ele esperando uma resposta para ao seu singelo “prazer em conhecê-lo”. Ele deixou o copo que segurava cair e quebrar ruidosamente no chão, ele saiu correndo trombando nos convidados atônitos com a cena, deixou o lugar e foi encontrado horas depois atropelado por um caminhão.</p>
<p>Alguns dizem que foi um acidente, mas outros acham que Marcelo Gales se matou por que não suportava mais o inconveniente que sua habilidade trazia, e outros ainda acreditavam que ele se matou porque sofreu do pior caso de coração partido de toda a humanidade, talvez do universo, ele teve com cruel vivacidade o coração partido por um amor antes mesmo de viver esse amor.</p>
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		<title>Poesia sensorial</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 20:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-337" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/04/BA14050-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />- Gosto da fazenda, adoro os finais de semana aqui. Quando me levantei agora pela manhã escutei ao longe o barulho do rio que passa depois da estrada, suave, calmo, e assim minha audição se deleitou. O cheiro do café sendo moído e torrado na hora invadiu minhas narinas me deixando quase embriagado. Estendi a mão e peguei uma broa de milho ainda quente que havia acabado de sair do forno e mordi com gosto. O paladar foi invadido pelo gosto das ervas misturados na massa e me deliciei com isso. Olhei pela janela da cozinha e vi as árvores ao longe, os animais pastando calmamente e o sol nascendo acanhado no horizonte. Meu único sentido que não se deleitava nesse cenário brejeiro e delicioso era o tato. E foi por isso que eu peguei na bunda da Mariazinha, que estava na cozinha preparando o desjejum com tanta gana. Estava apenas aproveitando toda essa poesia sensorial. Você entende querida? Não foi por maldade ou malícia!</p>
<p>E a esposa contrariada respondeu sem entender a conotação sensível e rítmica daquela experiência sensorial.</p>
<p>- Você é um babaca!</p>
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		<title>Vestido vermelho</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 23:41:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Abriu a porta e apareceu com seu vestido vermelho curto, seu salto alto e seu cabelo solto. Olhou para cima e abriu um sorriso ao olhar para a lua. Sentiu-se como se tivesse de novo vinte anos, apesar de nunca ter agido assim quando realmente o tinha. Caminhou pela rua estreita andando fora da calçada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abriu a porta e apareceu com seu vestido vermelho curto, seu salto alto e seu cabelo solto. Olhou para cima e abriu um sorriso ao olhar para a lua. Sentiu-se como se tivesse de novo vinte anos, apesar de nunca ter agido assim quando realmente o tinha.</p>
<p>Caminhou pela rua estreita andando fora da calçada, acenou com uma ponta de escárnio para a a vizinha da frente que observava tudo com olhar de reprovação. A vizinha recolheu sua cabeça coberta pelo lenço para dentro de casa antes de bater a janela dizendo em tom indiscreto para que pudesse ser ouvida:</p>
<p>- Vagabunda!</p>
<p>Ao invés de ficar chateada ou responder, ela apenas sorriu fazendo pouco caso.</p>
<p>Antes de chegar ao final da rua cruzou com a benemérita presidenta da associação de moradores do bairro. Esta olhou para ela dos pés as cabeça, desviou o olhar com um movimento brusco da cabeça quando notou seu sorriso de satisfação.</p>
<p>- Piriguete!</p>
<p>Ao cruzar com o marido da louvável presidenta, que se apressava caminhando atrás da esposa segurando as pesadas sacolas de compras, cumprimentou polidamente.</p>
<p>- Boa noite, Alberto!</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-329" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/04/74108022-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" />- Boa!&#8230; noi&#8230; noite – gaguejou enquanto se equilibrava entre segurar as compras, desviar o olhar das longas pernas e não derrubar as sacolas.</p>
<p>Ela se afastou segurando a risada enquanto ouvia a esposa que repreendia o marido por dar atenção para “essa mulherzinha”.</p>
<p>Lembrou da época que era convidada para jantar com os vizinhos, de quando chorava no sofá delas sofrendo suas dores amargas, de quando consternava-se melancólica enquanto observava as famílias “amigas” a sua volta trazendo lembranças doloridas.</p>
<p>Lembrou de tudo isso sem nenhuma saudade e continuou caminhando até seu destino com o mais malicioso dos sorrisos nos lábios.</p>
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		<title>Mentira preventiva</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 03:16:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O casal está deitado no sofá abraçadinho ouvindo uma boa música. Ela faz um carinho nos braços fortes dele e ele retribui com um afago no cabelo dela. - Ontem meu chefe se enrolou todo&#8230;  – começa ela, puxando a conversa. - O que houve?  – pergunta o namorado não tão interessado assim. - Ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O casal está deitado no sofá abraçadinho ouvindo uma boa música. Ela faz um carinho nos braços fortes dele e ele retribui com um afago no cabelo dela.</p>
<p>- Ontem meu chefe se enrolou todo&#8230;  – começa ela, puxando a conversa.</p>
<p>- O que houve?  – pergunta o namorado não tão interessado assim.</p>
<p>- Ele foi almoçar com aquela secretária do quinto andar.</p>
<p>- E daí? Não tem nada demais em almoçar com uma colega de trabalho, tem? Você mesmo almoça com seus colegas, diz que seu chefe é fiel&#8230; – argumenta ele.</p>
<p>- Sim, é verdade. Ele é super fiel a ela, apaixonadíssimo, mas o negócio é que a esposa dele ligou bem na hora e ele falou todo nervoso que estava no mecânico. Claro que ela percebeu que ele estava mentindo e foi esperá-lo na porta do escritório. Pegou ele chegando com a secretária. Deu o maior escândalo.</p>
<p>- Nooosssaaa&#8230; que horrível.</p>
<p>- Mas também, por que ele foi mentir?</p>
<p>- Mentira preventiva!</p>
<p>- O que? – pergunta ela, parando imediatamente de acariciar o braço dele.</p>
<p>- É, mentira preventiva! – respondeu ele, já analisando se tinha dito alguma besteira, mas resolveu continuar.</p>
<p>- Que história é essa de mentira preventiva?</p>
<p>- Olha só, seu chefe mentiu porque se falasse que estava almoçando com uma secretária morena, alta, com seios fartos e mini-saia, ela ficaria puta com ele. Ele tentou uma mentira preventiva, já que não fazia nada de errado.</p>
<p>- Mas se não fazia nada de errado, por que não falou a verdade?</p>
<p>- Por que as mulheres não acreditam quando os homens falam a verdade. No fundo, o problema todo é esse. É como um habeas corpus preventivo.</p>
<p>- Está falando que a culpa é nossa?</p>
<p>- Sim, quer dizer, não. Olha, vocês precisam confiar na gente. Você não disse que o seu chefe é fiel, apaixonado e tal?</p>
<p>- Eu lá sei da vida dele. Diga-me, você já me contou uma mentira preventiva?</p>
<p>- Amor que isso, para com essa conversa.</p>
<p>- Não acredito. Você mentiu para mim? Quando foi?</p>
<p>- Eu não disse isso, amor.</p>
<p>- Mas tentou desconversar.</p>
<p>- Mulheres sabem instintivamente quando o homem mente, você sabe disso. Pergunta de novo.</p>
<p>Ela olha seriamente e penetrantemente para ele.</p>
<p>- Você já me contou uma dessas mentiras preventivas?</p>
<p>- Não, eu nunca fiz – responde ele com uma confiança que intimidaria o mais bem treinado agente policial.</p>
<p>- Se tivesse, eu perceberia você mentindo?</p>
<p>- Você é melhor em outras coisas amor.</p>
<p>- O QUE!?!?!</p>
<p>- Droga&#8230; podemos começar essa conversa de novo?</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 456px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;"><em>habeas corpus</em></div>
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		<title>Presente de aniversário</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 18:02:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<category><![CDATA[conto]]></category>
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		<description><![CDATA[- Amor, pode olhar? – pergunta Paula ansiosa com as mãos sobre a venda improvisada com a gravata do namorado. - Ainda não, estamos quase chegando. Cuidado com o degrau – responde Pedro. Ela ouve um tilintar de um sino batendo na porta que se abre e a voz do namorado – Agora pode tirar&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Amor, pode olhar? – pergunta Paula ansiosa com as mãos sobre a venda improvisada com a gravata do namorado.</p>
<p>- Ainda não, estamos quase chegando. Cuidado com o degrau – responde Pedro.</p>
<p>Ela ouve um tilintar de um sino batendo na porta que se abre e a voz do namorado – Agora pode tirar&#8230;</p>
<p>Ela olha e se vê em uma grande sala com a atendente do sexshop sorrindo.</p>
<p>- Pedro, que isso! – exclama &#8211; ainda boquiaberta.</p>
<p>- É um dos seus presentes de aniversário, escolha o que quiser, qualquer coisa, estou pagando.</p>
<p>Paula sorri, e já sabendo as intenções do namorado, escolhe uma fantasia de colegial, alguns óleos e um incrementado vibrador, daqueles com uma dezena de funções, rotações e intensidades.</p>
<p>Saem de lá direto para o motel, onde mais da metade dos óleos ficam no lençol do quarto. Depois de duas horas de entretenimento, ela se lembra do jantar com os pais.</p>
<p>Saem do motel direto para a casa dela. Pedro dirige com um sorriso de satisfação proporcionado apenas por momentos tórridos de sexo como aquele. Do lado de fora da casa dos sogros  já sentem o cheiro do churrasco e ouvem as conversas dos amigos e familiares. Paula entra ao som de um vigoroso “parabéns pra você” entoado pelos presentes.</p>
<p>Depois de cumprimentar todos e servirem-se do churrasco, o pai de Paula, acompanhado da esposa e de alguns amigos, pergunta para a filha ao lado do namorado sentado na área da casa próximo ao portão da rua.</p>
<p>- Como está sendo o aniversário de minha filhota?</p>
<p>- Perfeito pai, tenho vocês, todos meus amigos estão aqui, ganhei vários presentes lindos de vocês, dos meus amigos, do meu namorado.</p>
<p>- Qual presente o Pedro te deu filha? Eu não vi ainda – pergunta a curiosa mãe da moça.</p>
<p>Paula arregala os olhos, Pedro mastigava uma fatia de carne e congelou instantaneamente. Olhou para a namorada sem mexer a cabeça.</p>
<p>- Qual presente? – disse Paula tentando achar a resposta.</p>
<p>- Sim filha, que presente?.</p>
<p>Pedro se esforçava para engolir o pedaço de carne.</p>
<p>- É&#8230; foi&#8230; ai&#8230; é&#8230; nossa&#8230; tão lindo&#8230; é um&#8230;</p>
<p>- Um o quê filha? – solta o pai, já estranhando a demora.</p>
<p>Nesse momento, Pedro dá um salto e fica em pé, coloca o prato na mesa enquanto leva a mão até a garganta. Parecia ter algo obstruindo sua respiração.</p>
<p>- Ele engasgou, ele engasgou – gritou a mãe em desespero.</p>
<p>Pedro sai tossindo violentamente e puxando Paula pela mão.Deixam o portão da casa e a família observa tudo sem entender direito. Pedro vira a esquina da casa saindo do campo de visão de quem ainda estava lá e cospe longe o pedaço da carne.</p>
<p>- Vamos correndo para o shopping agora! Se eles perguntarem, você me levou para o hospital.</p>
<p>- Vamos fazer o que no shopping?</p>
<p>- Nem me fale! Depois daquela grana que custou o vibrador, ainda vou ter que te comprar uma joia. Droga!</p>
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		<title>Papai-Noel</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 12:34:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Papai-Noel]]></category>

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		<description><![CDATA[O marido chega em casa depois do trabalho e as crianças e a esposa estão assistindo um filme natalino como outros tantos sem muito a acrescentar. Enquanto trocava de roupa, ele ouve a conversa da família. - Mamãe&#8230; o Papai-Noel mora aonde? - No pólo norte. - E e lá é muito frio? - Muito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O marido chega em casa depois do trabalho e as crianças e a esposa estão assistindo um filme natalino como outros tantos sem muito a acrescentar. Enquanto trocava de roupa, ele ouve a conversa da família.</p>
<p>- Mamãe&#8230; o Papai-Noel mora aonde?</p>
<p>- No pólo norte.</p>
<p>- E e lá é muito frio?</p>
<p>- Muito, muito mesmo.</p>
<p>- E ele vem no Natal trazer presentes?</p>
<p>- Isso mesmo</p>
<p>Quando o marido tem oportunidade de ficar sozinho com a esposa, pergunta:</p>
<p>- E essa história de Papai-noel?</p>
<p>- Que que tem?</p>
<p>- Papai-Noel não existe! Você esta mentindo para eles! – indignado.</p>
<p>- Mas o que tem? É uma fantasia sem nenhuma maldade.</p>
<p>- Quem faz os brinquedos?</p>
<p>- Os anões, ué&#8230;</p>
<p>- Sei, os anões chineses de Taiwan. Só se for. Se formos mentir sobre Papai-Noel, temos que mentir também sobre Coelho da Páscoa, sereia, bruxa, políticos honestos e rockstars que não usam drogas.</p>
<p>- Não seja exagerado! – protesta a esposa já perdendo a paciência.</p>
<p>- Como ele entra dentro de casa? – indaga o ainda relutante marido.</p>
<p>- Ele quem?</p>
<p>- Quem? Os rockstars – revoltado com a irônia – O Papai-Noel né!?!?! Como ele entra em casa?</p>
<p>- Sei lá, ele é mágico.</p>
<p>-  Mágico? Nem o Superman conseguiria fazer o que a história fala que ele faz, visitar todas as crianças do planeta em uma única noite&#8230;</p>
<p>- Ele não visita todas, apenas as boazinhas&#8230;</p>
<p>- Isso reduz bastante o trabalho, mas mesmo assim&#8230; Não gosto dessa história não. Papai-Noel não existe e não vou mentir para meus filhos.</p>
<p>- Para de ser chato! Apenas coloque os presentes do lado da cama deles e diga que foi o bom velhinho.</p>
<p>- Bom velhinho o caramba!Eu que trabalho e compro, e ele que leva o crédito? Se eu vir um velho barbudo com saco vermelho dentro de casa, ele vai é levar umas bordoadas!</p>
]]></content:encoded>
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