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Fev 04

Confissão surpresa

José abriu a porta do apartamento e conseguiu ver apenas de relance o rosto de Mônica antes de ela beija-lo de forma quase violenta, agarrando seu rosto. Ele reagiu tentando afasta-la e ela começou a falar.

- Eu tenho um tesão enorme por você José, sempre tive, sei que você é noivo, que ama ela, mas eu tenho isso dentro de mim e vim te confessar isso.

José se afastou e apoiou na parede com os olhos arregalados.

- Eu sonho com você me possuindo de maneira forte, me pegando, rasgando minhas roupas, e eu adoraria que você fizesse isso agora mesmo.

Ela pronunciava as palavras naquele tom característico de quem está embriagada enquanto puxava a blusa com se pudesse tira-la como se fosse o embrulho de um presente sendo rasgado por uma criança

- Então eu sai da festa e vim aqui, vim para fazer sexo selvagem com você, e precisava falar algo antes de perder a coragem.

José olhou para ela como se estivesse completamente sem ar.

- Ai, não acredito – falou ela demonstrando um arrependimento quase sóbrio – o que estou fazendo me oferecendo assim como uma qualquer, me perdoa, eu vou embora.

Virou-se e desceu as escadas quase correndo e caindo se sentindo uma completa idiota, desceu os últimos degraus aos tropeços.

José cambaleou até a cozinha enfiou a cabeça na pia e bebeu um grande gole de água da torneira, finalmente respirou de novo soltou um palavrão de alivio e falou ainda ofegante e tossindo.

- Caramba, quase morro engasgado com o chiclete!

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Fev 08

Confissão

Ele usava um lenço para enxugar o suor que escorria pela testa, as mãos tremiam enquanto descia pelo elevador. Espantou-se quando notou que estava sorrindo.Como podia ter a coragem?

Desceu na garagem e foi para o carro. O misto de satisfação e arrependimento o dominava. Ligou o carro e ganhou a rua. Ainda sentia o cheiro e isso o incomodava assim como o deixava com um ar de contentamento. Não conseguia mais se conter, sentia que dirigia sem saber para aonde estava indo, apenas seguindo o fluxo. Entrou no primeiro retorno. Achou melhor parar.

Descansou a cabeça entre as mãos sobre o volante, respirou fundo e quando levantou a cabeça notou que havia estacionado em frente a uma igreja. Desceu e entrou.

Enquanto andava pelo corredor de bancos, entre as imagens imóveis de anjos, homens e mulheres considerados santos, sentiu-se mal, culpado, sujo.

Suas mãos estavam escarlates, mas era apenas por que apertava vigorosamente o celular. Olhou para o aparelho e se viu discando os números. Ele precisava falar com alguém, precisava contar o que fez. Ligou para a noiva. Quando o telefone atendeu com um carinhoso “oi amor!”, ele pensou no que estava fazendo.

- Oi meu doce, preciso te falar uma coisa!

- Pois não meu lindo, fala, o que foi?

Então ele contou, contou tudo, sem tomar fôlego, sem parar para ouvi-la, cada detalhe fresco em sua mente. Descreveu cenário, cores, a posição dos móveis antes e como ficaram depois, tudo o que usou, como segurou e enquanto narrava seu corpo parecia reviver o momento. Foi ficando ofegante, agitado, falava cada vez mais rápido e intensamente e terminou. Então se calou para ouvir.

Mas não houve resposta, com o aparelho colado no ouvido chamou pela noiva, não escutou nada, afastou o aparelho da cabeça e viu que ele estava desligado. Ficou olhando para o aparelho apagado em sua mão como se fosse um singular artefato há muito perdido.

Ainda estava ofegante quando o celular tremeu em sua mão e começou a tocar. Era ela, levou o aparelho até o ouvido.

- Amor? Alô?

- Oi, você me ouviu?

- Não amor, a ligação caiu depois que você começou a falar. O que você ia dizer?

- Nada, apenas queria dizer que eu te amo muito e que você me faz muito feliz!

Se despediu, desligou o telefone e foi para casa.

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