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Fev 21

Poderosa natureza

- Entenda, meu amor, existem coisas na vida que são inexoráveis, por mais poderoso que um homem seja, ele não pode parar as ondas do mar, não pode mover os continentes.

- Compreenda, minha esposa, existem forças naturais que são impossíveis de conter, não existe poder que resista a fúria de um vulcão, ou a violência de um furacão.

- Querida mulher, como poderia eu, um simples mortal, medir forças com a gravidade, ou o poder de um sol, mesmo contra a lua?

- Minha amada, deixe disso, e entenda que mesmo o mais viril exemplar de masculinidade não pode com as mãos mudar o curso de um rio, não pode cavar a pedra dura da rocha que separa ele de seu destino, ele precisa contorná-la e usar de ferramentas e estar disposto a passar por dificuldades para cumprir seu destino.

- Meu amor, me aceita no seu leito, me deixa fazer parte da sua noite mesmo com minhas imperfeições e entenda que isso é apenas parte de um curso natural e imutável da natureza, algo contra o qual, eu te garanto, já lutei inúmeras vezes, e agora finalmente como homem sábio que o tempo me tornou eu descobri que é algo mesquinho e sem importância e…

- Sem importância coisa nenhuma, seu nojento, você não vai me enrolar. Se quer deitar aqui vai trocar essa cueca molhada.

- Mas amor, é só um pingo…

- Um pingo de xixi, anda, vai trocar essa coisa nojenta

- Amor você precisa entender que não importa o que a gente faça o último pingo sempre fica na cueca.

- Vai trocar isso logo.

Desde aquele dia, ele só comprou cuecas escuras.

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Fev 24

Uma nova pessoa

Rafael se debateu, fez força, pulou, mas a cadeira onde estava amarrado nem ao menos se mexeu, parecia parafusada no chão.

Olhou para Cássia que estava calma puxando um banco de madeira para perto dele que olhava em volta, não reconhecia o lugar onde estava, parecia um armazém vazio.

- Veja Rafael, eu só quero saber a verdade, e depois você pode ir, mas eu preciso que você me fale exatamente a verdade.

Rafael olhou nos olhos de Cássia e viu que ela estava serena, ele respirou fundo e tentou ignorar o formigamento dos braços por causa da pressão das cordas.

- Tudo bem Cássia, o que você quer saber? – falou tentando disfarçar o medo na voz.

- Você fez tudo o que fez, me fez te amar, fazer planos junto de você, e você estava o tempo todo me sacaneando pelas costas – disse Cássia, que interrompeu a frase para suspirar lembrando da recente dor do termino do seu noivado, foi quando Rafael interrompeu.

- Você quer saber o porquê eu fiz essas coisas?

Cássia abriu um sorriso estranhamente luminoso.

- Não Rafael, eu sei por que você fez essas coisas, fez por que é um mau caráter, um cafajeste. Mas você parecia uma boa pessoa, todo mundo pensa que você é uma boa pessoa, mas no fundo você é um safado, quero saber como você conseguiu enganar todos. É isso que eu quero saber.

Rafael ficou confuso no começo, mas encarou a pergunta com a sobriedade que vem de estar completamente imobilizado sem ninguém para ajuda-lo, resolveu entrar de cabeça no jogo de Cássia.

- Ok, Cássia, é bastante simples, você conheceu um Rafael que morreu. Que não existe mais, e eu uso o que sobrou dele às vezes.

Cássia se ajeitou no banquinho e cruzou as longas pernas.

- Explique melhor.

- Muito tempo atrás um outro Rafael foi noivo, e foi o noivo mais feliz do mundo, ele era honesto, ia de casa para o trabalho, e fazia absolutamente tudo para agradar sua noiva, era gentil, mandava flores, comprava joias, vivia sua vida por ela, na verdade, ela era mais importante que a própria vida desse Rafael.

- E o que aconteceu com “esse” Rafael? – perguntou Cássia.

- Ele morreu. Morreu de coração partido quando viu a noiva com um dos futuros padrinhos de casamento fazendo sexo na cama que ele havia comprado para eles. Mas veja, ele não morreu naquele instante, o coração partido continuava a bater mesmo dilacerado, mas cada movimento que ele fazia para manter a vida naquele corpo causava dor, uma dor insuportável. Um dia essa dor o fez sofrer tanto que aquele Rafael morreu.

Cássia enviou a mão nos bolsos e tirou um maço de cigarros.

- Você nunca fumou Cássia – disse Rafael.

- Agora eu fumo – respondeu Cássia – continue sua história.

- “Aquele” Rafael morreu, mas seu corpo continuou como uma nova pessoa, uma que não tem escrúpulos e que não serve a ninguém a não ser o próprio prazer, mas muito mais forte, mais confiante, mais ofensivo. Ele se tornou eu. Às vezes puxo do fundo do meu passado a carcaça daquela antiga pessoa que fui e uso como uma mascara, é assim que eu faço.

Rafael suspirou, abaixou a cabeça e uma lagrima rolou pelo seu rosto.

Cássia se levantou, acariciou o rosto de Rafael e tocou-lhe os lábios em um beijo frio, ela estava cheirando a um perfume que Rafael não conhecia. Ficou em pé na frente dele que ao olhar para ela pensou “ela está mais linda do que nunca”.

Realmente Cássia parecia mais bonita, cabeça levantada, postura ereta, cabelos brilhantes, emanava um poder e uma sensualidade que não parecia ser dela que era sempre tímida e recatada.

Ela colocou a mão no outro bolso e tirou um objeto de metal, uma navalha, Rafael engoliu seco, Cássia deu a volta na cadeira e cortou as cordas que prendiam Rafael.

- Você pode ir – disse ela guardando a lamina nos bolso.

- Posso? – indagou sem entender.

- Sim pode – ela respondeu dando as costas e saindo em direção a uma porta.

Rafael ficou olhando para aquela mulher alta com um corpo escultural, não se lembrava de Cássia ter roupas de couro tão sensuais.

- O que foi isso Cássia? O que aconteceu aqui? O que aconteceu com você? – ele perguntou enquanto esfregava os pulsos marcados pelas cordas.

Cássia olhou por cima do ombro sem se virar.

- Você matou a antiga Cássia, e agora sobrou apenas eu, a nova Cássia. Tenha uma boa vida Rafael, eu quase sou grata por você ter entrado na minha vida… quase grata – e ela abriu e atravessou a porta de metal.

Rafael ficou alguns minutos parado no mesmo lugar, estava tentando decidir-se se tinha feito bem ou mal para a vida de Cássia, mas só conseguiu ter a certeza que gostava muito mais dessa nova versão.

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Fev 31

Precisamos conversar

Carlos destrancou a porta e, deixando a pasta sobre a mesinha ao lado da porta, entrou anunciando sua chegada:

- Marta, cheguei.

Virou e se surpreendeu com a esposa sentada encolhida no canto do sofá.

- Oi querida, alguma coisa errada?

Marta olhou séria para ele, colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e disse:

- Senta Carlos, precisamos conversar.

Ele franziu a testa diante do tom de gravidade das palavras de Marta, que esperou ele se sentar, se aproximou, olhou fundo nos olhos dele e segurou suas mãos.

- Primeiro eu quero que você saiba que eu te amo muito, que você é o homem da minha vida.

- Eu também te amo – respondeu Carlos, preocupado – o que está acontecendo?

Marta continuou.

- Eu fiz uma coisa muito errada, estou muito arrependida, mas eu não posso voltar no tempo e – lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto moreno – e eu te amo tanto, não quero te perder, então pensei muito antes de te contar.

Carlos respondeu apenas com um olhar.

- E eu não gostaria que você ficasse sabendo por outra pessoa, por que não seria justo com você, então eu resolvi…

- Ferrar com minha vida? – interrompeu Carlos.

- Como? – respondeu Marta sem entender.

- Ferrar com minha vida! É o que você resolveu? Porque se você fez algo de errado que sabe que vai me fazer sofrer, e vem me contar mesmo sabendo que eu não sei, você quer na verdade me ver sofrer.

Marta precisou de alguns segundos revendo as palavras que ouvira para compreender.

- Agora, se você me ama, você não vai fazer nada para me magoar, mas se você fizer, vai ter o mínimo de respeito de não me deixar descobrir nunca. Afinal, você não me ama?

- Amo – respondeu Marta claramente confusa.

- Então vamos fazer o seguinte, finja que não tivemos essa conversa – e Carlos se levantou do sofá.

- Mas Carlos, eu estou arrependida, estou sofrendo com meu erro.

Carlos se virou já demonstrando certa impaciência.

- O erro foi seu! Sofra sozinha, não venha me fazer sofrer junto! Chora ali no canto da sala em silêncio até passar! Mas não venha ferrar comigo!

Carlos foi para a cozinha jantar uma macarronada com almôndegas e tomar umas cervejas. Marta chorou em silêncio vários minutos, depois pensou nas palavras do marido e achou que realmente era melhor fingir que nada havia acontecido.

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Fev 13

Poesia sensorial

- Gosto da fazenda, adoro os finais de semana aqui. Quando me levantei agora pela manhã escutei ao longe o barulho do rio que passa depois da estrada, suave, calmo, e assim minha audição se deleitou. O cheiro do café sendo moído e torrado na hora invadiu minhas narinas me deixando quase embriagado. Estendi a mão e peguei uma broa de milho ainda quente que havia acabado de sair do forno e mordi com gosto. O paladar foi invadido pelo gosto das ervas misturados na massa e me deliciei com isso. Olhei pela janela da cozinha e vi as árvores ao longe, os animais pastando calmamente e o sol nascendo acanhado no horizonte. Meu único sentido que não se deleitava nesse cenário brejeiro e delicioso era o tato. E foi por isso que eu peguei na bunda da Mariazinha, que estava na cozinha preparando o desjejum com tanta gana. Estava apenas aproveitando toda essa poesia sensorial. Você entende querida? Não foi por maldade ou malícia!

E a esposa contrariada respondeu sem entender a conotação sensível e rítmica daquela experiência sensorial.

- Você é um babaca!

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Fev 01

Mentira preventiva

O casal está deitado no sofá abraçadinho ouvindo uma boa música. Ela faz um carinho nos braços fortes dele e ele retribui com um afago no cabelo dela.

- Ontem meu chefe se enrolou todo…  – começa ela, puxando a conversa.

- O que houve?  – pergunta o namorado não tão interessado assim.

- Ele foi almoçar com aquela secretária do quinto andar.

- E daí? Não tem nada demais em almoçar com uma colega de trabalho, tem? Você mesmo almoça com seus colegas, diz que seu chefe é fiel… – argumenta ele.

- Sim, é verdade. Ele é super fiel a ela, apaixonadíssimo, mas o negócio é que a esposa dele ligou bem na hora e ele falou todo nervoso que estava no mecânico. Claro que ela percebeu que ele estava mentindo e foi esperá-lo na porta do escritório. Pegou ele chegando com a secretária. Deu o maior escândalo.

- Nooosssaaa… que horrível.

- Mas também, por que ele foi mentir?

- Mentira preventiva!

- O que? – pergunta ela, parando imediatamente de acariciar o braço dele.

- É, mentira preventiva! – respondeu ele, já analisando se tinha dito alguma besteira, mas resolveu continuar.

- Que história é essa de mentira preventiva?

- Olha só, seu chefe mentiu porque se falasse que estava almoçando com uma secretária morena, alta, com seios fartos e mini-saia, ela ficaria puta com ele. Ele tentou uma mentira preventiva, já que não fazia nada de errado.

- Mas se não fazia nada de errado, por que não falou a verdade?

- Por que as mulheres não acreditam quando os homens falam a verdade. No fundo, o problema todo é esse. É como um habeas corpus preventivo.

- Está falando que a culpa é nossa?

- Sim, quer dizer, não. Olha, vocês precisam confiar na gente. Você não disse que o seu chefe é fiel, apaixonado e tal?

- Eu lá sei da vida dele. Diga-me, você já me contou uma mentira preventiva?

- Amor que isso, para com essa conversa.

- Não acredito. Você mentiu para mim? Quando foi?

- Eu não disse isso, amor.

- Mas tentou desconversar.

- Mulheres sabem instintivamente quando o homem mente, você sabe disso. Pergunta de novo.

Ela olha seriamente e penetrantemente para ele.

- Você já me contou uma dessas mentiras preventivas?

- Não, eu nunca fiz – responde ele com uma confiança que intimidaria o mais bem treinado agente policial.

- Se tivesse, eu perceberia você mentindo?

- Você é melhor em outras coisas amor.

- O QUE!?!?!

- Droga… podemos começar essa conversa de novo?

habeas corpus

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Fev 26

Diálogo de um casal comum

O jovem casal abraçado no sofá vendo um filme. Ela com as pernas sobre o móvel, ele abraçando sobre os ombros dela e com o outro braço aberto sobre o sofá, pernas esticadas e balançando o chinelo.

Ela se surpreende com a cena em que um casal de personagens revela um dos segredos da historia com um beijo.

- Não acredito, eles estão tendo um caso. E agora?

- Aposto que vão tentar fugir com as joias antes que alguém descubra – argumenta o marido menos envolvido na trama pensando em como aquela era uma historia clichê.

- Como pode um homem fazer uma coisas dessas?

- Qual parte? Matar, dar um golpe de milhões ou ter um caso – pergunta o cônjuge lista as atrocidades do vilão daquela trama cinematográfica barata.

- Ter um caso ora – responde a esposa sentando-se direito no sofá com ar de indignação.

O marido acha graça, entre assassinatos e estelionatos o que a deixou mais chocada foi adultério.

- Apenas acontece… – e se volta para o filme.

- Como assim acontece?

- O que? – sem tirar os olhos da televisão.

- Como assim acontece?

- Como assim acontece o que? – pergunta novamente o esposo já sentindo que falou alguma besteira.

- Você sabe do que estou falando! – esposa já começa a buscar o controle remoto para desligar a televisão.

O marido já preocupado começa a pensar no que foi que falou de errado.

- Não! Não sei do que você esta falando!

Televisão desligada.

- Como assim “acontece de um homem ter um caso”?

- Haaaa, é isso amor, bobagem.

- Um caso é uma bobagem? Traição? A destruição da nossa família? E nossos filhos?

- Não temos filhos.

- Isso não faz diferença.

- Eu estava falando do filme meu amor.

- Quem me garante que não era o seu subconsciente querendo me falar algo?

- Meu benzinho – ele faz aquele olhar que sabe que quebra as barreiras dela, ela desvia o olhar emburrada, ele a abraça – Olha pra mim benzinho.

- Sai pra lá!

- Eu te amo, te amo demais, larga de besteira – beijo no pé da orelha, golpe baixo para encerrar o assunto.

- Para… – como quem diz “continua”

- Eu amo minha esposinha linda e não preciso de mais ninguém – segue o marido ainda usando diminutivos de forma infantil.

- Está bem, desculpa.

- Vamos continuar vendo o filme?

- Ok – ela liga a televisão de novo.

Alguns minutos depois durante o intervalo comercial.

- Amorzinho. Você já me traiu? – ela pergunta demonstrando certa serenidade.

- Claro que não benzinho.

- Se tivesse me traído contaria?

- Claro que não benzinho.

- COMO ASSIM CLARO QUE NÃO SEU TRASTE!!!

- Ops…

- Ops?!?! Ops?!?! É essa sua reação.

- Não amorzinho, é que se eu hipoteticamente traísse você não te contaria isso quando você perguntasse.

- O QUE?!?!?!

- Não, espera, não foi isso que eu quis dizer.

- Então o que você quis dizer?

- Que eu nunca trairia a mulher perfeita!

- Perfeita? Eu? Sério?

- Claro amorzinho, para com isso – abraça-a mais forte.

- Mas se você traísse você me contaria?

- Claro que não benzinho.

- O QUE?!?!

- Ai ai! Vai ser uma longa noite..

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Fev 15

Chifre, galhadas ou traição mesmo

Lembrei de um texto do Luis Fernando Veríssimo, pelo menos eu acho que era dele, mas não encontrei o original, então vou transcrevê-lo como me lembro, era mais o menos assim:

Diálogo entre esposa e marido

- Querido, você já me traiu?

- Claro que não – responde o marido sem tirar os olhos do jornal.

- Como posso saber se você não está mentindo?

- Eu já menti para você antes? – retruca o marido ainda dividindo a atenção com o jornal em frente ao rosto.

- Não… – responde a desconfiada esposa, e continua – mas se tivesse mentido me contaria?

- Claro que não – responde o marido com uma sinceridade inabalada.

Como alguém já falou, “só é corno quem é curioso”, então convoco quem é fiel e mentiroso a levantar a mão. Juro que a minha está abaixada por um motivo ou pelos dois, sei lá.

Acho que seria legal ter uma melhor definição de chifre, traição, enfeite de testa. Não é tão simples como parece

Seu “ficante” ou “peguete” não pode te trair, por que não existe compromisso (por favor, sem mimimi, olha a falta de noção), então para existir a traição tem que haver o mínimo de compromisso, de relacionamento, casamento, união estável ou pelo menos namoro.

Agora que temos quem pode ser traído, quem tem conjugue/namorado(a) você corre esse risco sim.

Agora vamos definir o que é traição, para os cristãos que seguem aquele grande livro chamado Bíblia temos o seguinte:

“Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” Mateus 5-28

É meu amigo, nessa o Mateus pegou todo mundo, quem nunca olhou para outra mulher ou homem na rua? Não reparou na bunda da gostosa e nas pernas do gostosão que passava pela calçada atire a primeira pedra, pode mirar na minha cabeça, alguém? Alguém? Foi o que pensei.

Não podemos simplesmente limitar a traição a apenas contato físico, tipo: “ele beijou outra, então já traiu” Imagine a seguinte situação: a namorada faceira troca conversas picantes pela Internet com o gatinho sem o namorado saber. E ai? Foi traição? O namorado já pode usar os adereços na testa para ajudar na recepção da televisão?

É parece que a definição é mais complicada do que parece, vamos deixar da seguinte maneira: traição é o ato de realizar ações intimas com outra pessoa que não seja o seu conjugue/namorado(a) .

E o amor? É uma vacina contra traição? Se você ama de verdade (de mentirinha não vale), trai? Desculpe-me os mais pudicos, para não dizer ingênuos, mas isso não é verdade. Amor e intimidades (leia-se sexo se você preferir) são coisas diferentes. Não, nada de comoção das mulheres (e de alguns homens), não adianta esbravejar, são coisas distintas e o quanto antes vocês entenderem isso melhor vai ser.

Conclusão 1: a única maneira de ficar 100% imune a um belo par de galhos frontais em sua cabeça é nunca ter um relacionamento sério, mas sinceramente acho que o custo benefício não compensa, e vamos ser sinceros, quem quer ficar sempre sozinho?

Conclusão 2: a melhor maneira de evitar ter problemas quando entrar em um carro apertado ou ter a cabeça presa em fiação elétrica baixa é escolher bem o parceiro e haver muita comunicação sincera de ambas as partes, até por que senão não é comunicação, é monologo. Ou então se você preferir simplesmente não ser curioso.

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Fev 04

Como foi seu dia?

Marido chega em casa depois do trabalho. No dia anterior teve uma briga com a esposa, nem se lembra mais o porquê da briga. Tenta ser amigável.

- Boa noite anjo.

- Boa noite.

Pelo menos ela respondeu, já é um começo

- Como foi o seu dia – arrisca tentando se aproximar da fera

- Pra que você quer saber?

Poxa, ela não poderia simplesmente perceber minhas intenções de trégua e paz e colaborar. Tinha que fazer uma pergunta difícil? Pensamos, por que eu quero saber como foi o dia dela?

- Ué… por que eu me importo com você. Como foi seu dia?

- Se você se importasse mesmo não fazia as coisas que faz.

- Que foi que eu fiz? – não era conversa mole ou cinismo, eu realmente não lembrava

- Cínico!

Xiiiii, a coisa ta feia.

- Olha, desculpa se eu falei alguma coisa que te ofendeu – respira fundo – O que você fez de bom hoje?

Sem resposta, silêncio, esse ponto é delicado, você não sabe se ela quer que você insista ou não.

- Meu anjo, to te pedindo desculpas, vamos ficar bem… Você ta chateada?

- Não! – resposta seca e sem rodeios.

- Que ótimo! Esta brava, irritada?

- Não!

- Com dor?

- Não! Já disse que não…

- Então, como foi seu dia?

Silêncio de novo.

- Amor…. estou falando com você – perdendo a paciência.

- O que é que você quer?

Suspiro

- Quero saber como foi o seu dia!

- Pra que você quer saber – visível mente irritada – você acha que eu vou conversar com você como se não tivesse nada errado.

- Mas você falou que não tem – confuso.

- Cínico.

Poxa, mas ela disse que… então quer dizer que… mas é que eu… desisto.

Tomo um banho, durante um silencioso jantar ela pergunta

- Como foi seu dia?

Fique tentado a responder “- Para que você quer saber?”, mas me contive

- Meu dia foi bom!

- Você não vai perguntar como foi o meu?

- Não!

- Por que não?

- Tenho medo, muito medo.

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