Pablo sabia que aquele dia chegaria cedo ou tarde, ele não estava pronto para o momento.
Elas estavam lado a lado, como membros de uma aliança recém-formada para extrair, a força e com uso de atos de tortura se preciso, a verdade de Pablo.
- Deixe-me ver se entendi – começou Mônica – você passou os últimos dois anos enganando a nós duas?
- Não, – respondeu Pablo enquanto terminava de preparar seu uísque – eu não menti para nenhuma de vocês, nunca!
- Você disse que me amava Pablo! – afirmou Elaine com visível embargo na voz.
- E eu amo – disse ele com convicção – e também amo você Mônica.
As duas como se tivessem ensaiado suspiraram e olharam para direções diferentes como se procurando alguma lógica no que acabaram de ouvir.
- Você não vale nada! É um cafajeste! – disse Elaine quase gritando.
- Por quê? Quem esteve do seu lado Mônica, quando você ficou doente? Quem te ajudou a conseguir um novo emprego Elaine?
- E isso te dá o direito de fazer o que você fez?
- E o que foi que eu fiz? – indagou Pablo tomando um gole trêmulo da bebida – eu não amei vocês? Quem leva vocês para jantar toda semana em um restaurante diferente? Quem envia buquês de flores, rosas para Mônica, lírios para Elaine? Quem presenteia vocês com joias e perfumes? Quem leva vocês a orgasmos mult…
- Chega Pablo! – interrompeu Mônica sentindo que aqueles argumentos começavam a soar estranhos – isso não lhe dava o direito.
- Não me dava o direito a que? Não me dava o direito de amá-las? Sim! Eu amo vocês duas, da mesma maneira, com a mesma intensidade e paixão, eu dedico parte da minha vida a vocês duas na mesma dimensão – ele largou o copo sobre o sofá com fisionomia abatida – nunca imaginei que vocês fossem tão egoístas.
- Egoístas? – se espantou Elaine que não se lembrava de ter sido chamada de egoísta antes.
- Claro, egoístas, por que vocês não podem aceitar que eu um homem é capaz de amar duas pessoas? Uma mãe não ama dois filhos? Por que eu não posso amar duas mulheres? Egoístas, egoístas sim!
Elaine abriu a boca para responder, mas não conseguiu decidir qual palavra pronunciar. Pablo continuou.
- Se eu fosse do tipo que maltrata as namoradas, que deixam elas de lado para sair com amigos, que bebe, ou pior, que bebe e bate em mulheres. Eu sou um mau namorado? Sou Elaine?
Elaine gaguejou antes de respondeu
- Não, você não é! Você é… ótimo!
- Eu sou Mônica? Sou um mau namorado?
Mônica levantou as sobrancelhas e respondeu.
- Na verdade você é o melhor homem que eu conheci… que nós conhecemos.
Houve um momento de silêncio desses que duram alguns segundos, mas são tão longos quanto a eternidade, as moças olharam para Pablo que estava de cabeça baixa olhando para o gelo que derretia dentro do destilado, viram uma grande e redonda lágrima escorrer pelo rosto claro de Pablo.
Elaine se virou para Mônica
- Vamos Mônica, eu te dou uma carona para casa.
Elas se viraram, Mônica abriu a porta, ambas olharam para ele ainda de cabeça baixa e terminando de enxugar a lágrima usando a manga da camisa vermelha. Ele levantou o olhar para a porta, deixando expostas muitas outras lágrimas que molhavam seu rosto.
- Eu amo vocês! Amo muito! Como nunca amei ninguém!
Elaine olhou para os olhos de Mônica e foi a primeira a responder.
- Eu sei Pablo, eu sei, eu também te amo meu amor.
Mônica sorriu para ele.
- Boa noite Pablo, eu também te amo.
E elas saíram fechando a porta delicadamente, Pablo se deitou no sofá pensando se poderia superar a perda dos amores de sua vida. Não chegou a conclusão nenhuma além de lágrimas, então preparou outro copo.
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