Set 31

Nostalgia

Sempre sentia-se assim quando chegava à rodoviaria da cidade. O mesmo buteco com salgado ruim e cerveja quente, o mesmo mendingo bêbado sentado próximo aos táxis, e estes, barrigudos,   jogando dominó na mesma velha mesa de bar. O pensamento que ocorreu em sua mente foi: Que merda!

Resolve não pegar um táxi apesar da mala pesada, segue a pé para a casa dos pais e aproveita para observar a cidade.

A velha loja de chapéus virara uma velha loja de sapatos, a antiga ótica tornara-se um restaurante. A velha farmácia transformou-se numa velha padaria. E dessa maneira tudo estava no mesmo lugar.

Novamente lhe ocorreu: Que merda!

Quando passou pelo velho colégio uma nostalgia gostosa tomou seu coração, suspirou profundamente. Já havia deixado a cidade há mais de quinze anos e a última aula que assistiu naquele prédio fora há mais de vinte.

E dessa vez seu pensamento não foi de lamentação ou reprovação, mas de uma saudade boa que fez um sorriso brotar em seus lábios.

Se lembrou das brincadeiras de criança, do velho time de futebol, do primeiro beijo, da velha lanchonete, dos professores odiados e amados.

E quando se lembrou dos professores, uma em particular veio à sua mente: Rose.

- Professora Rose… – repetiu como quem saboreava as palavras.

Era sua professora de história, loira, não muito alta, sempre sorrindo, seios grandes que durante explicações empolgantes sobre reis e revoluções, faziam ele se perder na esperança de vislumbrar um pouco mais deles.

Ela tinha pernas grossas e firmes e uma bunda tão impressionantemente redonda que ele diversas vezes se perdia em pensamentos obscenos enquanto ela escrevia no quadro negro.

Seu cabelo loiro de um dourado cintilante era quase tão hipnotizante quanto seus lábios grandes carnudos e vermelhos.

Quando deu por si já estava dentro da escola conversando com o diretor, explicando que era um antigo aluno e que gostaria de visitar o prédio.

A velha inspetora de alunos encarregada de acompanhá-lo durante a visita, reconheceu naquele homem o “jovenzinho de boca suja” e relembrou os vários petelecos de reprovação que recebeu dela ao usar um palavreado inadequado.

Ele foi discreto ao perguntar pela Pofessora Rose, mas não conteve o sorriso ao saber que ela ainda dava aulas naquela mesma escola, naquela mesma sala. Prendeu a respiração ao olhar pela porta e novamente ver sua antiga professora.

Ela estava de pé explicando algum esquema no quadro, ele olhou com atenção para aquele par de pernas, seus seios, seus cabelos. E um pensamento tornou-se palavras suspiradas que escaparam de sua boca.

- Mas que merda!

E então a velha inspetora acertou-lhe um peteleco reprovador no alto da cabeça.

3
comentários

3 comentários!

  1. Milady disse:

    Cadu, ri muito!!! final ótimo! Quando vc acha que será “aquele” encontro, toma um senhor rasteirão! Adorei!

    Parabéns!

    Beijo

  2. Jão disse:

    HAUHAUAHUAHUAHAUHAUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUAHUAHAUH
    PORRA CARLOS!!!!
    se bem q…, oq mais poderia eu esperar de um texto seu neh mano, ahUHAuHAUhUHAuHauh
    muito bom de novo, vamos contar ai seus contos (contar os contos foi bem merda…) e ver se jah temos o suficiente pra publicar e dominar o mundo
    Ass.: Seu Editor

  3. Como disse Rubem Fonseca em um de seus contos, “sempre que reencontrei alguns amores elas nunca eram as mesmas…engordaram, com rugas, muitos dentes na boca…”

    Não era bem assim, entretanto, mais ou menos isso. De qualquer forma, ele foi inocente em achar que a maravilhosa permanecia a mesma, hein?

    Abraço, meu querido!

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