<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>No Improviso</title>
	<atom:link href="http://www.noimproviso.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.noimproviso.com</link>
	<description>Uma visão bem humorada de como levamos a vida no improviso tentando convencer que sabemos o que estamos fazendo!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 20 Dec 2011 12:40:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>No final</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/no-final/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/no-final/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 12:40:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=523</guid>
		<description><![CDATA[Não viu a porta se abrir, nem mesmo quando ele entrou no quarto, apenas olhou para o lado entre um suspiro e outro e lá estava ele. Terno preto com riscas de giz, gravata vermelho sangue, um elegante chapéu, um sorriso no rosto maduro e cheio de marcas de expressão. - Boa noite Cleber – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/12/vlcsnap-2011-12-20-00h38m51s123.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-524" title="No final" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/12/vlcsnap-2011-12-20-00h38m51s123-300x172.png" alt="" width="300" height="172" /></a>Não viu a porta se abrir, nem mesmo quando ele entrou no quarto, apenas olhou para o lado entre um suspiro e outro e lá estava ele.</p>
<p>Terno preto com riscas de giz, gravata vermelho sangue, um elegante chapéu, um sorriso no rosto maduro e cheio de marcas de expressão.</p>
<p>- Boa noite Cleber – disse ele com uma voz firme e grave &#8211; eu cheguei</p>
<p>Cleber achou que teria dificuldade para se ajeitar no leito e olhar direito para o visitante, mas foi fácil.</p>
<p>- Eu sei quem você é, e sei por que você está aqui.</p>
<p>O elegante homem sorriu.</p>
<p>- É claro que sabe, quando chega a hora todos sabem.</p>
<p>- E já está na hora? – perguntou Cleber com um pingo de esperança.</p>
<p>- Eu nunca chego antes da hora, nem depois da hora, eu sempre chego na exata hora de cada um.</p>
<p>- Mas todos te evitam.</p>
<p>Cleber abaixou os olhos e inspecionou seus sentimentos.</p>
<p>- Estranho, achei que quando você chegasse eu seria tomado por medo, desespero, mas estou tranquilo, sereno.</p>
<p>- Sim, a maioria sente a tranquilidade da inevitabilidade do momento, algo que se vocês aceitassem com mais frequência seriam mais felizes. Vocês passam a vida tentando evitar o inevitavel e gastando tempo e energia com o que não é importante, depois reclamam que a vida é curta.</p>
<p>- E vai ser assim, apenas eu e você?</p>
<p>Ele sorriu de novo</p>
<p>- É sempre assim Cleber, eu vou até vocês de forma individual e exclusiva, para todos vocês, sempre sozinhos.</p>
<p>Cleber pareceu sentir-se triste pela primeira vez durante esta conversa, olhou para cima, e viu o rosto familiar de seus filhos, estavam olhando para ele, e seguravam suas mãos.</p>
<p>- Meus filhos estão aqui, não estou sozinho.</p>
<p>- Mas você vem sozinho comigo, vocês chegam e saem sozinhos, não importa as condições, o choro de entrar nesse mundo é apenas seu, a hora da partida também.</p>
<p>Cleber olhou novamente para os filhos, sem deviar os olhos deles perguntou:</p>
<p>- Eu fiz o que tinha que fazer?</p>
<p>Não recebeu resposta nos primeiros instantes então se virou novamente para a figura sóbria sentada ao lado dele, ele parecia distraído acendendo um charuto.</p>
<p>- Se você cumpriu sua missão? Não sei, não é minha função saber, mas se você quiser saber eu aprendi algumas coisas durante essa eternidade.</p>
<p>- Que tipo de coisa? – perguntou Cleber estranhando o rumo da conversa.</p>
<p>- Bem – disse ele dando uma tragada no charuto – você teve filhos, isso aumenta a sua herança.</p>
<p>- Herança?</p>
<p>- Sim, o que você deixa para o mundo, sua marca, sua assinatura, sei que deixar uma boa assinatura é algo bom. Você também foi um bom amigo até onde observei.</p>
<p>- Eu não fui uma pessoa exemplar apesar disso tudo.</p>
<p>- Sim, eu sei disso também, quase ninguém é, acho que vocês vivem em dias que o parametro do que é bom e ruim, certo e errado ficou muito complexo de ser compreendido, vocês sempre distorcem tudo, mas não é meu trabalho julgar.</p>
<p>- E o que vem agora?</p>
<p>- Também não sei – ele encarou o olhar de questionamento de Cleber por entre a fumaça do charuto – sério, não sei, não é meu trabalho, eu apenas levo, mas você vai descobrir assim que eu deixá-lo. O que posso falar é que o passeio é mais bonito na saída desse mundo que na chegada, paradoxal não é? Todos pensam que existe dor e choro, mas do meu lado não é assim, claro que alguns dão mais trabalho, mas no final todos entendem.</p>
<p>- Acho que entendo, chegar aqui é mais tumultuado, mais doloroso.</p>
<p>- É isso mesmo – respondeu com uma nova tragada no charuto – mas é disfarçado com festa e alegria pela nova vida, ninguém pensa que esse final é inexoravel, ninguém gosta de pensar sobre isso, talvez se vocês me vissem como realmente sou, o outro lado da mesma moeda&#8230;</p>
<p>- Bem, já que não tem nada que eu possa fazer, podemos ir? Está na hora?</p>
<p>- Como falei, nunca chego nem antes, nem depois da hora, vem comigo, eu te mostro o caminho.</p>
<p>E Cleber fechou os olhos, e não abriu mais&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/no-final/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Poderosa natureza</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/poderosa-natureza/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/poderosa-natureza/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 16:13:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=515</guid>
		<description><![CDATA[- Entenda, meu amor, existem coisas na vida que são inexoráveis, por mais poderoso que um homem seja, ele não pode parar as ondas do mar, não pode mover os continentes. - Compreenda, minha esposa, existem forças naturais que são impossíveis de conter, não existe poder que resista a fúria de um vulcão, ou a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-516" title="Poderosa natureza" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/10/123877254-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" />- Entenda, meu amor, existem coisas na vida que são inexoráveis, por mais poderoso que um homem seja, ele não pode parar as ondas do mar, não pode mover os continentes.</p>
<p>- Compreenda, minha esposa, existem forças naturais que são impossíveis de conter, não existe poder que resista a fúria de um vulcão, ou a violência de um furacão.</p>
<p>- Querida mulher, como poderia eu, um simples mortal, medir forças com a gravidade, ou o poder de um sol, mesmo contra a lua?</p>
<p>- Minha amada, deixe disso, e entenda que mesmo o mais viril exemplar de masculinidade não pode com as mãos mudar o curso de um rio, não pode cavar a pedra dura da rocha que separa ele de seu destino, ele precisa contorná-la e usar de ferramentas e estar disposto a passar por dificuldades para cumprir seu destino.</p>
<p>- Meu amor, me aceita no seu leito, me deixa fazer parte da sua noite mesmo com minhas imperfeições e entenda que isso é apenas parte de um curso natural e imutável da natureza, algo contra o qual, eu te garanto, já lutei inúmeras vezes, e agora finalmente como homem sábio que o tempo me tornou eu descobri que é algo mesquinho e sem importância e&#8230;</p>
<p>- Sem importância coisa nenhuma, seu nojento, você não vai me enrolar. Se quer deitar aqui vai trocar essa cueca molhada.</p>
<p>- Mas amor, é só um pingo&#8230;</p>
<p>- Um pingo de xixi, anda, vai trocar essa coisa nojenta</p>
<p>- Amor você precisa entender que não importa o que a gente faça o último pingo sempre fica na cueca.</p>
<p>- Vai trocar isso logo.</p>
<p>Desde aquele dia, ele só comprou cuecas escuras.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/poderosa-natureza/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desprezo</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/desprezo/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/desprezo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 12:39:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cantadas]]></category>
		<category><![CDATA[conquista]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[paquera]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=507</guid>
		<description><![CDATA[Ronaldo olhou de longe, fixamente para ter certeza, a loira alta, , e notou que ela olhou de volta, disfarçou. Era o sinal que ele precisava para ter certeza… - Letícia? – perguntou ele se aproximando - Oi Ronaldo – respondeu ela, se arrependo em seguida, pensando que podia ter fingido não reconhecê-lo – Tudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-508" title="Desprezo" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/10/dv1659024-252x300.jpg" alt="" width="252" height="300" />Ronaldo olhou de longe, fixamente para ter certeza, a loira alta, , e notou que ela olhou de volta, disfarçou. Era o sinal que ele precisava para ter certeza…</p>
<p>- Letícia? – perguntou ele se aproximando</p>
<p>- Oi Ronaldo – respondeu ela, se arrependo em seguida, pensando que podia ter fingido não reconhecê-lo – Tudo bom?</p>
<p>- Tudo ótimo – disse ele, enquanto beijava o rosto maquiado da moça – Nossa, como você está linda!</p>
<p>Letícia fingia não dar atenção ao papo de Ronaldo, olhando para o lado e observando outras pessoas na festa, até que ele resolveu perguntar diretamente.</p>
<p>- Letícia, você está me esnobando?</p>
<p>- Oi?</p>
<p>- Sim, você está me esnobando! – disse ele rindo e claramente não se incomodando com o comportamento da moça.</p>
<p>- O que é isso Ronaldo, por que eu iria esnobar você?</p>
<p>- Por que quando você usava aqueles óculos horríveis, aquelas roupas que não valorizavam seu corpo e não tinha esse cabelo lindo, e eu fiz a mesma coisa com você.</p>
<p>Letícia ficou assustada com a sinceridade e não conseguiu articular uma resposta. Ronaldo continuou.</p>
<p>- E ai? Qual a sensação? – perguntou Ronaldo, ainda com um sorriso tão sincero quanto suas palavras.</p>
<p>Letícia resolveu entrar no jogo…</p>
<p>- É Ronaldo, é muito bom saber que agora você está me querendo e não vai ter – falou dando ênfase no “não vai ter”.</p>
<p>- Poxa, que legal, eu fico feliz por você. Lembra da Aline?</p>
<p>- Que Aline? – respondeu meio zonza com a mudança brusca de assunto.</p>
<p>- Aline, morena, alta, jogava no time de vôlei.</p>
<p>- Lembro. O que tem ela?</p>
<p>- Está quinze quilos mais gorda, cabelo tingido de uma cor estranha e muito menos atraente.</p>
<p>- E dai? – respondeu ela já achando aquela conversa meio chata.</p>
<p>- E dai – respondeu Ronaldo – que eu não fico por ai comemorando que quando ela saia comigo ela era gata e agora está feia, isso seria no mínimo “cuspir no prato que comeu”, você não acha?</p>
<p>- Aonde você quer chegar Ronaldo?</p>
<p>- Olha só Letícia, você sabe que há dez anos quando nos conhecemos você não era isso tudo ? Vai negar?</p>
<p>Ela novamente ficou confusa sobre o rumo da conversa.</p>
<p>- Não, mas não era motivo para você me&#8230;</p>
<p>Ronaldo interrompeu.</p>
<p>- Você se cuidava? Usava roupas como esse tubinho vermelho delicioso que você está usando? Pensou em trocar os óculos por essas lentes de contato e mostrar esses olhos verdes lindos? Ou mesmo  usar o cabelo como você usa agora? Você fazia essas coisas?</p>
<p>Estava passando um filme na cabeça de Letícia.</p>
<p>- Não, eu realmente não pensava nessas coisas.</p>
<p>- Então não me acuse de não ter dado valor a você, você mesmo que não estava se valorizando. Mas agora você está linda – concluiu ele em tom malicioso na orelha dela que causou um arrepio bom.</p>
<p>Ronaldo deu tchau e começou a afastar-se, quando Letícia chamou.</p>
<p>- Ronaldo&#8230; é&#8230; me liga qualquer dia desses&#8230;</p>
<p>Ronaldo sorriu e respondeu:</p>
<p>- Claro que ligo.</p>
<p>Ainda assim Letícia nunca atendeu as ligações ou as mensagens dele. O prazer de vê-lo correr atrás era mais forte que os argumentos</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/desprezo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Boletim de ocorrência</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/boletim-de-ocorrencia/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/boletim-de-ocorrencia/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 17:53:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[infidelidade]]></category>
		<category><![CDATA[traição]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=490</guid>
		<description><![CDATA[Entrou na sala logo atrás do oficial, sentou–se em uma cadeira que foi apontada pelo delegado calvo, que estava atrás da grande mesa de madeira com um cigarro no canto da boca. – O nome do senhor? Ele pigarreou, limpando a garganta. – Arh, arhan! Fábio Rosa Souto. Um oficial começou a redigir o depoimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-491" title="Boletim de ocorrência" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/08/84867935-230x300.jpg" alt="" width="230" height="300" />Entrou na sala logo atrás do oficial, sentou–se em uma cadeira que foi apontada pelo delegado calvo, que estava atrás da grande mesa de madeira com um cigarro no canto da boca.</p>
<p>– O nome do senhor?</p>
<p>Ele pigarreou, limpando a garganta.</p>
<p>– Arh, arhan! Fábio Rosa Souto.</p>
<p>Um oficial começou a redigir o depoimento em um velho computador, em uma mesa contígua.</p>
<p>– Profissão?</p>
<p>– Escritor.</p>
<p>O delegado olhou por cima dos óculos e deixou a cinza do cigarro cair em si, sem se importar.</p>
<p>– O que anda acontecendo, senhor Fábio escritor? Conte–me o que o trouxe aqui.</p>
<p>– Eu queria fazer uma denúncia por perseguição, é assim que se chama? Perseguição? Eu não entendo muito de direito então&#8230;</p>
<p>– Quem está perseguindo o senhor? – interrompeu o delegado abruptamente.</p>
<p>– O nome dele é Agenor.</p>
<p>O delegado deu uma longa baforada no cigarro, movimentou uma pilha desarrumada de papeis de cima da mesa procurando por algo. Achou um maço barato de cigarros, acendeu um na brasa do primeiro que foi jogado para trás da mesa, no chão.</p>
<p>– E por que o senhor Agenor está perseguindo o senhor?</p>
<p>Fábio suspirou e se ajeitou na dura cadeira.</p>
<p>– Então, ele acredita que estou tendo um caso com a esposa dele.</p>
<p>– E o senhor está?</p>
<p>Fábio pigarreou novamente.</p>
<p>– Arh, arhan! Isso é, bom&#8230; digo&#8230; é mesmo relevante? Adultério não é crime, é?</p>
<p>Novamente o delegado olhou por cima dos óculos para Fábio, deu mais uma longa baforada, olhou para o agente que redigia o depoimento.</p>
<p>– Então o senhor, como dizem os populares, deu uma furada na esposa do senhor Agenor, que obviamente ao descobrir o fato&#8230; Aliás, como ele descobriu?</p>
<p>– Não sei, não ficou claro. Talvez uma mensagem de celular, uma carta ou&#8230;</p>
<p>– Ou o quê, senhor Fábio escritor?</p>
<p>– Ou uma cueca minha, no quarto dele&#8230;</p>
<p>O delegado deu um tapa na mesa e levou a outra mão até a testa em um movimento reprovatório.</p>
<p>– O senhor largou uma cueca sua na casa do homem depois de deitar–se com a esposa dele? É isso que eu entendi?</p>
<p>– Foi, mas foi completamente sem querer&#8230;</p>
<p>– Ok, e o que o senhor Agenor anda fazendo que incomodou o senhor?</p>
<p>– Ele tem ligado no meu trabalho, na minha casa, no meu celular! Fazendo ameaças, doutor! Ameaças! E uma das vezes que eu liguei para Carla, ele atendeu e disse que iria até o meu serviço pra ter uma conversinha comigo se eu&#8230;</p>
<p>– Se você o quê, senhor Fábio? Se o senhor comesse a mulher dele de novo? Ou se o senhor largasse outra cueca em cima dos lençóis do homem?</p>
<p>Fábio olhou para o delegado com olhos arregalados e respondeu com incredulidade à cena que visualizara.</p>
<p>– A–a–acho que–que as duas co–coisas&#8230; Ou ele pro–va–vavel–mente nã,não se resig–resignou em ser tra–traído.</p>
<p>Uma cinza enorme caiu da ponta do cigarro do delegado. E o agente, que registrava o depoimento, virou a cadeira, mandou imprimir o depoimento para revisão e também acendeu um cigarro, prevendo que nada mais precisaria acrescentar.</p>
<p>– Olha só senhor Fábio, o senhor pode registrar uma ocorrência de Perturbação de Tranquilidade contra o senhor Agenor, uma vez que não houve ameaça à sua integridade física. Eu vou registrar todo o seu depoimento, vamos imprimi–lo na forma de um documento e o senhor assina esse documento. Depois vamos procurar pelo senhor Agenor para que ele possa dar a versão dele da história, com detalhes, inclusive onde ele encontrou a tal cueca. E depois ele assina também. Ele vai assinar um documento oficial, do Departamento de Polícia, que confirma que ele é um belíssimo corno graças ao senhor.</p>
<p>O delegado concluiu com um sorriso irônico. Fábio ficou em silêncio por alguns segundos, com os olhos ainda mais arregalados.</p>
<p>– Da maneira como o senhor colocou, não parece uma boa ideia, né?</p>
<p>– Não parece é? Eu não disse coisa alguma. Aqui estou a serviço da população e de cidadãos que procuram a lei, como o senhor. – rebateu o delegado, com sarcasmo escorrendo pelos lábios..</p>
<p>– Bem, acho que não precisamos continuar com isso, não é mesmo? Vai que as coisas fiquem piores se os senhores ligarem pra ele, né&#8230; Mas obrigado pelo seu tempo mesmo assim. – Fábio foi se levantando lentamente.</p>
<p>– Como o senhor quiser. E está tarde, senhor Fábio. Volte para casa com cuidado, viu&#8230;</p>
<p>O delegado desfez o sorriso sarcástico e meneando a cabeça negativamente procurava por outro maço de cigarros em cima da mesa. Fábio saiu lentamente, olhou para os dois lados antes de deixar a delegacia e foi correndo em direção ao carro estacionado. Saiu cantando pneus e quase bateu no portão enquanto olhava pelo retrovisor com a sensação de estar sendo observado.</p>
<p>– É cada uma que me aparece! Você viu isso? – O delegado pediu o isqueiro pra o oficial que redigira o documento. E continuou:</p>
<p>– Depois eu lavraria esse documento, chamaria as partes e o que aconteceria? Um corno homicida dentro da minha jurisdição!</p>
<p>– Então posso deletar o documento, delegado?</p>
<p>– Deve, né, Haroldo, deve! E Zeca! Ô Zeca! Acorda, infeliz! Todo dia chego nesse Departamento e tem uma pilha de processos na impressora! Comece agora a cumprir as demandas de hoje, ligar pros interessados!</p>
<p>Zeca, com a cara amassada do cochilo que tirava em cima da mesa, foi até a impressora cumprir seu trabalho. E só encontrou um único processo para ligar para as partes, um tal de Agenor.</p>
<p>=============</p>
<p>Esse post foi escrito a quatro mãos com o escritor, blogueiro e amigo Fernando Ramos (<a href="http://twitter.com/colunafantasma" target="_blank">@colunafantasma</a>) <a href="http://colunafantasma.blogspot.com/" target="_blank">colunafantasma.blogspot.com</a>   <a href="http://aescritasalaz.blogspot.com/" target="_blank">aescritasalaz.blogspot.com</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/boletim-de-ocorrencia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dia dos pais &#8211; intimidade entre pai e filhos</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/dia-dos-pais-intimidade-entre-pai-e-filhos/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/dia-dos-pais-intimidade-entre-pai-e-filhos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 06 Aug 2011 14:21:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Eu e as crianças]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[dia dos pais]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[pais]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=484</guid>
		<description><![CDATA[Após o almoço do dia dos pais, relaxado no sofá da casa da avó enquanto assiste a um filme na pequena tevê da sala com os filhos, o pai sente-se maravilhosamente a vontade. - Credo pai, que nojo – reclama a menina completamente revoltada depois de ouvir o flatulento barulho produzido pelo próprio pai que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-485" title="Dia dos pais" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/08/108316519-267x300.jpg" alt="" width="267" height="300" />Após o almoço do dia dos pais, relaxado no sofá da casa da avó enquanto assiste a um filme na pequena tevê da sala com os filhos, o pai sente-se maravilhosamente a vontade.</p>
<p>- Credo pai, que nojo – reclama a menina completamente revoltada depois de ouvir o flatulento barulho produzido pelo próprio pai que instalado na poltrona ao lado do sofá.</p>
<p>- O que foi? – responde o pai com uma cara de pau tão bem feita que seria comparada com um móvel fino.</p>
<p>- O papai soltou pum – declara o mais novo.</p>
<p>O pai arruma-se no sofá, abaixa o som da televisão através do controle remoto em suas mãos e respira fundo (mas não muito).</p>
<p>- Crianças, darei a vocês uma importante lição de vida, portanto prestem atenção.</p>
<p>As crianças se moveram em seus lugares para olharem melhor para o pai que parecia pronto para dar uma importante notícia ou revelação.</p>
<p>- Filha, você solta pum na frente da sua professora? Ou da diretora? Ou será que você solta pum do lado do motorista de ônibus da escola?</p>
<p>- Claro que não – respondeu a menina mostrando uma perplexidade infantil, mas ainda assim uma perplexidade.</p>
<p>- Filho – disse o pai se voltando para o menino – você arrota na frente da professora?</p>
<p>O menino menos moldado socialmente pela baixa idade com algum esforço solta um pequeno arroto, tão baixinho e tímido que quase poderia ser chamado de “bunitinho”, imediatamente pede desculpas.</p>
<p>Mesmo assim o pai olha com olhar de reprovação</p>
<p>- O pum, o arroto, é um sinal de intimidade, de proximidade uma proximidade que você só tem com quem você divide a sua vida, proximidade que existe apenas com as pessoas importantes da sua vida.</p>
<p>A menina, mais sensata, tentou argumentar, o pai não deixou continuando o discurso.</p>
<p>- Vocês meus filhos, jamais soltariam um pum na frente da diretora da escola de vocês simplesmente por que ela não é amiga de vocês, ela é a diretora, existe uma distância separando vocês. Isso não existe e nem nunca devia existir entre pais e filhos – terminou a sentença com um sorriso que derreteria o coração de um carrasco.</p>
<p>A menina novamente tentou argumentar, mas não encontrou por onde e terminou por aceitar os termos apresentados pelo pai e se aninhou no colo dele.</p>
<p>O filho com esforço solta um novo arrotinho, imediatamente diz: “desculpa”.</p>
<p>- Filho, duas coisas erradas – disse o pai arrumando a postura e fazendo a filha que já estava instalada confortavelmente nos ombros do pai se levantar – primeira se você está arrotando de propósito pedir desculpas é uma hipocrisia.</p>
<p>Tomou a garrafa de refrigerante da mão da criança.</p>
<p>- Segundo, se você quer arrotar – tomou um vigoroso e demorado gole do liquido gasoso – faça isso como um homem.</p>
<p>E soltou um arroto tão poderoso que fez as janelas tremerem. O jovem ainda aplaudia o pai enquanto a menina indignada com tanta testosterona no ar (mesmo ela ainda não sabendo o que é testosterona) resolveu que era uma boa hora para ler um livro. Enquanto saia da sala passou pela avó que perguntou:</p>
<p>- Esse barulho foi um liquidificador?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/dia-dos-pais-intimidade-entre-pai-e-filhos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Abatido</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/abatido/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/abatido/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 09 Jul 2011 13:03:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[superação]]></category>
		<category><![CDATA[tristeza]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=480</guid>
		<description><![CDATA[Você não quer sair da cama, quer se encolher, se encolher, agarrar os joelhos e se encolher ainda mais, cola o queixo no peito e fecha os olhos, na verdade você gostaria de voltar para dentro do ventre de sua mãe. Parece que foi uma ideia ruim sair de lá. Você errou pergunta-se por que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/07/95586669.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-481" title="Abatido" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/07/95586669-300x270.jpg" alt="" width="300" height="270" /></a>Você não quer sair da cama, quer se encolher, se encolher, agarrar os joelhos e se encolher ainda mais, cola o queixo no peito e fecha os olhos, na verdade você gostaria de voltar para dentro do ventre de sua mãe. Parece que foi uma ideia ruim sair de lá.</p>
<p>Você errou pergunta-se por que fez aquilo, por que faz essas tolices, se pergunta por que não imaginou que isso pudesse dar errado, você debate-se, bate as pernas os braços como se estivesse se afogando, mas não adianta nada, você não pode lutar.</p>
<p>Você sente-se pequeno, magro, seco como uma planta abandonada no vaso. Um vaso solitário, vazio, árido e não importa quanta água coloquem você está seco, sem folhas, áspero, apagado. Leva a mão ao rosto, olha para cima como quem procura uma resposta. Não existe resposta, não existe saída.</p>
<p>O coração dispara, a cabeça pesa, o coração dispara, os olhos se enchem de lágrimas e você quer que esse momento acabe que ele termine. Deseja que ele nunca tivesse acontecido, mas aconteceu. Você finalmente aceita que não tem para onde fugir, para onde correr, não existe caminho para escolher ou destino para mudar. É tarde demais.</p>
<p>Você arrepende-se, mas arrependimento sem mudança é impossível e o momento de corrigir os erros ou evita-los já passou. Você quer sumir, deixar de existir, não é a morte que você deseja, é o vácuo, o vazio, a inexistência, onde haveria paz, onde haveria ausência da dor que sente. Mas isso não é mais uma opção.</p>
<p>Existe apenas uma opção, uma única voz que sussurra, sussurra tão baixo que o silêncio de uma tumba seria o suficiente para sufoca-la, para fazer com que seu clamor não chegasse aos seus ouvidos. Essa voz vem do fundo de sua alma, do fundo da origem da sua alma, no cerne mais profundo e oculto do seu ser.</p>
<p>Quando você finalmente escuta essa voz precisa aguçar os ouvidos para entender o sussurro, e você ouve uma vez, duas, três, quantas forem necessárias até você compreender a voz diz. Então você faz o que ela diz, cambaleando, envergonhado, cheio de lágrimas e dor, mas você obedece à voz que falou e finalmente seu som é alto e claro e ela repete a mensagem com determinação.</p>
<p>Levanta, continua!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/abatido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Eu não gostaria de ter um filho gay</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/eu-nao-gostaria-de-ter-um-filho-gay/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/eu-nao-gostaria-de-ter-um-filho-gay/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 18:07:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[heterosexualismo]]></category>
		<category><![CDATA[homosexualismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=473</guid>
		<description><![CDATA[Hoje o assunto que está na boca da mídia é a homofobia e os direitos dos gays, uma luta que só ganhou voz na imprensa nos dias atuais, apesar de existir a décadas. Agora vemos esse tema nas revistas, em passeatas, em blogs, todos levantando a bandeira colorida de defesa do grupo LGBT. Se me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-474" title="Eu não gostaria de ter um filho gay" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/06/200372488-001-242x300.jpg" alt="" width="242" height="300" />Hoje o assunto que está na boca da mídia é a homofobia e os direitos dos gays, uma luta que só ganhou voz na imprensa nos dias atuais, apesar de existir a décadas. Agora vemos esse tema nas revistas, em passeatas, em blogs, todos levantando a bandeira colorida de defesa do grupo LGBT.</p>
<p>Se me perguntarem se eu aceitaria ter um filho gay, eu respondo com outra pergunta. Eu devo aceitar um filho meu? Sim, é claro que devo, é minha obrigação aceitá-lo, criá-lo e participar da educação dele.</p>
<p>Agora se a sua pergunta é, se eu gostaria de ter um filho gay, a minha resposta muda um pouco&#8230;</p>
<p>Quando eu era um pré-adolescente resolvi entrar para o time de basquete da escola, eu não era um excelente jogador, mas a descarga de hormônios me fez crescer tal qual uma planta transgênica, e minha mãe teve a seguinte reação em relação a escolha</p>
<p>- Bola não “dá camisa para ninguém”.</p>
<p>Referindo-se a falta de profissionalismo e aos poucos esportistas bem sucedidos financeiramente, desde a época que ela era uma mocinha, até o dia do meu ingresso no mundo dos esportes.</p>
<p>Muitos outros pais com certeza falaram essa mesma frase para seus filhos, imagine se isso tivesse sido dito pela família de Ronaldo Fênomeno, ou Zico, ou Pelé.</p>
<p>Eu vi no passado e ainda vejo um gigantesco estigma social no que diz respeito aos gays em nossa sociedade, algo tão enraizado, tão fundo na nossas vidas que será necessário muita luta, coragem e esforço para mudá-la.</p>
<p>Um exemplo desse fato, que gosto de citar, é que em momentos onde você quer ofender uma pessoa,  muitas vezes usamos o termo “seu viado”&#8230;, ninguém tenta ofender outra pessoa chamando-a de “seu hétero”. Isso mostra o quanto a homossexualidade é vista de forma negativa, e o quanto essa negatividade é vista como normal e aceita praticamente de forma inconsciente.</p>
<p>Quanto tempo será que vamos levar para ver isso mudar? Quanto tempo até que o principio do respeito, supere o pejoratismo ligado a homossexualidade? Quanto tempo ainda de luta, de educação, de debate vamos ter, para atingir um patamar de tratamento digno para essas pessoas? Para essas e para qualquer outras! Acredito que ainda vá demorar muito, e torço sinceramente para que eu esteja redondamente enganado sobre isso.</p>
<p>Por isso, se me perguntam se eu gostaria que meus filhos fossem gays, eu a princípio respondo que não. Não gostaria de vê-los sofrerem com o preconceito. Não gostaria que eles tivessem essa necessidade de amadurecimento imediato, para poderem passar de forma saudável por este momento, e tenho medo de que, talvez, eles ainda não tenham o esclarecimento necessário para isso. Não gostaria de vê-los sentirem vergonha de suas escolhas, por que pessoas ignorantes e preconceituosas acham que deveriam fazê-lo.</p>
<p>Mas, se meus filhos, fizerem essa escolha (mesmo que não se trate exatamente de uma &#8220;escolha&#8221;), e mesmo sabendo tudo o que podem sofrer, que a sociedade não está pronta para aceitá-los como eles são, que eles vão precisar de uma coragem e determinação acima da média, a minha atitude seria estar ao lado deles&#8230;, apoiá-los como eu apoiaria um filho hetero, ou negro, ou latino, ou de qualquer grupo, por que ele é meu filho.</p>
<p>Caso eles demonstrem toda a atitude necessária para passar por essa sociedade cheia de preconceitos infundados e ignorancia, mesmo que para isso eles precisem da ajuda de um pai dedicado, isso apenas me faria ter ainda mais orgulho pela coragem e maneira de agir que demonstram. A opção sexual? É tão importante quanto a cor da pele, ou seja, não tem peso nenhum comparado com fatores mais importantes como caráter, honra, dignidade e coragem.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/eu-nao-gostaria-de-ter-um-filho-gay/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>15</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cães e gatos</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/caes-e-gatos/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/caes-e-gatos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 17:30:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cães]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[gatos]]></category>
		<category><![CDATA[pets]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=466</guid>
		<description><![CDATA[Ele entrou na loja timidamente e observou em volta como quem procura algo; uma atenta vendedora notou e abordou o cliente rapidamente antes que outra colega o fizesse. - Boa tarde, em que posso ajudá-lo? - Bo&#8230; boa tarde – ele gaguejou timidamente, e não disse mais nada. A vendedora esperou até onde achava adequado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-467" title="Cães e gatos" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/06/107669877-280x300.jpg" alt="" width="280" height="300" />Ele entrou na loja timidamente e observou em volta como quem procura algo; uma atenta vendedora notou e abordou o cliente rapidamente antes que outra colega o fizesse.</p>
<p>- Boa tarde, em que posso ajudá-lo?</p>
<p>- Bo&#8230; boa tarde – ele gaguejou timidamente, e não disse mais nada.</p>
<p>A vendedora esperou até onde achava adequado antes de perguntar novamente.</p>
<p>- Em que posso ajudá-lo?</p>
<p>Ele pareceu despertar de um transe.</p>
<p>- É&#8230; estou procurando um bichinho de estimação.</p>
<p>- Que ótimo – respondeu a vendedora, demonstrando um falso entusiasmo – o senhor prefere um cão ou um gato?</p>
<p>- Não sei, eu acho que, talvez&#8230; – novamente ele parecia em transe.</p>
<p>A hábil vendedora o interrompeu ao ver que aquele raciocínio poderia levar mais tempo do que ela estava disposta a esperar. Começou a imaginar se ele era altista ou algo assim.</p>
<p>- Posso dar-lhe minha opinião pessoal?</p>
<p>- Claro – respondeu o tímido cliente.</p>
<p>- Os cães em geral são brincalhões e simpáticos, são fiéis e carinhosos, com alguma variação de personalidade dependendo da raça, em geral vão fazer festa todos os dias quando o senhor chegar em casa, vão atender ao seu chamado para brincar ou apanhar algo. Quando tiver que dar uma bronca neles, poderá ser duro e ele vai estar disposto a “perdoa-lo” assim que o senhor usar um tom de voz mais doce – dizia ela enquanto gesticulava e sorria claramente empolgada.</p>
<p>- E os gatos? – perguntou o cliente depois de ouvir os entusiasmados argumentos da vendedora.</p>
<p>- Bem, os gatos não são maus bichos de estimação, são extremamente higiênicos, fazem suas necessidades sempre no mesmo lugar, mas quando senhor chegar em casa, talvez seja recebido com uma certa indiferença ao invés de uma “recepção calorosa”, os gatos são famosos por sua independência, tanto que as vezes isso é confundido com egoísmo, eles pedem carinho quando querem, dão carinho quando querem e podem as vezes não responder quando chamados, mesmo que seja para brincar ou receber carinho.</p>
<p>O cliente pareceu olhar para o vazio por um segundo, de maneira perdida. A vendedora começou a questionar a integridade mental dele novamente, e quando se preparava para dizer algo este se manifestou primeiro:</p>
<p>- Vou querer um gato.</p>
<p>A vendedora surpreendeu-se, tentou não demonstrar nada e começou a argumentar novamente.</p>
<p>- Mas por que um gato? É por causa do espaço físico de sua residência? Por que posso garantir que temos raças de&#8230;</p>
<p>- Não é por causa de espaço físico. Recomendaram-me um animal de estimação para ajudar-me a socializar melhor, e pela sua descrição os gatos são muito mais parecidos com as pessoas do que os cães.</p>
<p>A vendedora abriu a boca com um falso sorriso automático no rosto mas não soube o que responder.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/caes-e-gatos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os valores errados certos</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/os-valores-errados-certos/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/os-valores-errados-certos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 05 Jun 2011 07:42:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[valores morais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=462</guid>
		<description><![CDATA[- Senhor, infelizmente &#8230; - Só um minuto filho, estou no meio de um jogo. Olhou por cima dos óculos de lentes coloridas para o ultimo adversário que havia sobrado no outro lado da mesa, um grande homem branco com um chapéu de cowboy texano. - Eu pago – afirmou completando a aposta com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-463" title="Bons valores" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/06/78460427-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" />- Senhor, infelizmente &#8230;</p>
<p>- Só um minuto filho, estou no meio de um jogo.</p>
<p>Olhou por cima dos óculos de lentes coloridas para o ultimo adversário que havia sobrado no outro lado da mesa, um grande homem branco com um chapéu de cowboy texano.</p>
<p>- Eu pago – afirmou completando a aposta com um punhado de fichas coloridas.</p>
<p>O segurança tentou novamente falar – Senhor, infelizmente eu tenho que&#8230;</p>
<p>- Ainda não rapaz! Full house – falou apresentando seu jogo e dando uma forte tragada no charuto e se deliciando com a cena.</p>
<p>O cowboy deu um tapa na mesa e esbravejou um palavrão, no final esfregou as mãos no rosto, cumprimentou o adversário e saiu lamentando a sua má sorte.</p>
<p>O homem terminou de puxar as fichas para junto de si tão bem quanto podia e finalmente se virou para o segurança.</p>
<p>- Agora pode falar filho, e quando terminar traga-me um cinzeiro por favor.</p>
<p>- É justamente sobre isso senhor, é proibido fumar nesse local, infelizmente o senhor deve apagar o seu charuto.</p>
<p>O homem levantou o olhar profundo e marcado de rugas para o segurança, levou alguns segundos para falar algo como se estivesse digerindo as palavras, finalmente falou.</p>
<p>- Isso é um cassino filho, eu posso fumar em um cassino.</p>
<p>O segurança pigarreou.</p>
<p>- Na verdade senhor, segundo a nova lei estadual número&#8230;</p>
<p>- Lei?</p>
<p>- Sim senhor, existe uma lei estadual que proíbe os charutos em locais públicos incluindo cassinos.</p>
<p>- Pelo amor da santa madre, você está me falando que existe uma lei que proíbe charutos em cassinos? – falou o homem quase gritando.</p>
<p>- Isso mesmo senhor – o segurança tentou se impôr – vou pedir que o senhor se acalme.</p>
<p>- Me acalmar? Me acalmar? Como posso me acalmar quando o mundo está se decompondo, que mundo louco é esse onde não podemos fumar em um cassino – gritou visivelmente nervoso o homem , mais seguranças começaram a se aproximar.</p>
<p>- Um mundo onde agir como um homem, um homem no conceito ensinado pelo meu pai, que aprendeu com o pai dele, onde agir como um homem é poder fumar, é poder beber um bom wiskye sem ter que misturar outra coisa, onde jogo de homens é poker e não reality-shows e novelas.</p>
<p>- Senhor, preciso que se acalme – pediu o segurança novamente.</p>
<p>- Eu estou farto disso, é um mundo onde fumar não pode, beber é mal visto, onde se eu usar a palavra “preto” vou apanhar e ser chamado de preconceituoso – olhou para o segurança que era negro – sem ofensas filhos.</p>
<p>- Tudo bem senhor, mas vou ter que pedir&#8230;</p>
<p>- Sou do tempo em que feio era não se comportar como homem, feio era não saber como tratar uma mulher, não saber se comportar em um restaurante ou em um jantar familiar, feio era beber até cair mesmo que de coração partido, feio era não saber falar sobre política ou economia, sou do tempo em que feio é ser inculto ou receber honras de forma desonesta, alias, meus pais me ensinaram que ser desonesto era feio. Eu te digo filho, que no jantar do meu noivado o pai de minha Margareth, que os anjos a tenham, fumou comigo charutos cubanos enquanto tomávamos conhaque, e não havia lei proibindo isso.</p>
<p>Tragou mais uma vez o charuto, recolheu suas fichas.</p>
<p>- Como vamos ensinar os valores certos aos nossos filhos se estão tentando eliminar todos os valores errados, como eles vão saber a diferença?</p>
<p>Deixo o lugar com o charuto acesso e baforando muita fumaça, nenhum segurança falou mais nada, no fundo concordavam com ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/os-valores-errados-certos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uma nova pessoa</title>
		<link>http://www.noimproviso.com/uma-nova-pessoa/</link>
		<comments>http://www.noimproviso.com/uma-nova-pessoa/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2011 15:03:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[infidelidade]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[traição]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.noimproviso.com/?p=457</guid>
		<description><![CDATA[Rafael se debateu, fez força, pulou, mas a cadeira onde estava amarrado nem ao menos se mexeu, parecia parafusada no chão. Olhou para Cássia que estava calma puxando um banco de madeira para perto dele que olhava em volta, não reconhecia o lugar onde estava, parecia um armazém vazio. - Veja Rafael, eu só quero [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-458" title="Uma nova pessoa" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2011/03/88388435-222x300.jpg" alt="" width="222" height="300" />Rafael se debateu, fez força, pulou, mas a cadeira onde estava amarrado nem ao menos se mexeu, parecia parafusada no chão.</p>
<p>Olhou  para Cássia que estava calma puxando um banco de madeira para perto  dele que olhava em volta, não reconhecia o lugar onde estava, parecia um  armazém vazio.</p>
<p>- Veja Rafael, eu só quero saber a verdade, e depois você pode ir, mas eu preciso que você me fale exatamente a verdade.</p>
<p>Rafael  olhou nos olhos de Cássia e viu que ela estava serena, ele respirou  fundo e tentou ignorar o formigamento dos braços por causa da pressão  das cordas.</p>
<p>- Tudo bem Cássia, o que você quer saber? – falou tentando disfarçar o medo na voz.</p>
<p>-  Você fez tudo o que fez, me fez te amar, fazer planos junto de você, e  você estava o tempo todo me sacaneando pelas costas – disse Cássia, que  interrompeu a frase para suspirar lembrando da recente dor do termino do  seu noivado, foi quando Rafael interrompeu.</p>
<p>- Você quer saber o porquê eu fiz essas coisas?</p>
<p>Cássia abriu um sorriso estranhamente luminoso.</p>
<p>-  Não Rafael, eu sei por que você fez essas coisas, fez por que é um mau  caráter, um cafajeste. Mas você parecia uma boa pessoa, todo mundo pensa  que você é uma boa pessoa, mas no fundo você é um safado, quero saber  como você conseguiu enganar todos. É isso que eu quero saber.</p>
<p>Rafael  ficou confuso no começo, mas encarou a pergunta com a sobriedade que  vem de estar completamente imobilizado sem ninguém para ajuda-lo,  resolveu entrar de cabeça no jogo de Cássia.</p>
<p>- Ok, Cássia, é bastante simples, você conheceu um Rafael que morreu. Que não existe mais, e eu uso o que sobrou dele às vezes.</p>
<p>Cássia se ajeitou no banquinho e cruzou as longas pernas.</p>
<p>- Explique melhor.</p>
<p>-  Muito tempo atrás um outro Rafael foi noivo, e foi o noivo mais feliz  do mundo, ele era honesto, ia de casa para o trabalho, e fazia  absolutamente tudo para agradar sua noiva, era gentil, mandava flores,  comprava joias, vivia sua vida por ela, na verdade, ela era mais  importante que a própria vida desse Rafael.</p>
<p>- E o que aconteceu com “esse” Rafael? – perguntou Cássia.</p>
<p>-  Ele morreu. Morreu de coração partido quando viu a noiva com um dos  futuros padrinhos de casamento fazendo sexo na cama que ele havia  comprado para eles. Mas veja, ele não morreu naquele instante, o coração  partido continuava a bater mesmo dilacerado, mas cada movimento que ele  fazia para manter a vida naquele corpo causava dor, uma dor  insuportável. Um dia essa dor o fez sofrer tanto que aquele Rafael  morreu.</p>
<p>Cássia enviou a mão nos bolsos e tirou um maço de cigarros.</p>
<p>- Você nunca fumou Cássia – disse Rafael.</p>
<p>- Agora eu fumo – respondeu Cássia – continue sua história.</p>
<p>-  “Aquele” Rafael morreu, mas seu corpo continuou como uma nova pessoa,  uma que não tem escrúpulos e que não serve a ninguém a não ser o próprio  prazer, mas muito mais forte, mais confiante, mais ofensivo. Ele se  tornou eu. Às vezes puxo do fundo do meu passado a carcaça daquela  antiga pessoa que fui e uso como uma mascara, é assim que eu faço.</p>
<p>Rafael suspirou, abaixou a cabeça e uma lagrima rolou pelo seu rosto.</p>
<p>Cássia  se levantou, acariciou o rosto de Rafael e tocou-lhe os lábios em um  beijo frio, ela estava cheirando a um perfume que Rafael não conhecia.  Ficou em pé na frente dele que ao olhar para ela pensou “ela está mais  linda do que nunca”.</p>
<p>Realmente  Cássia parecia mais bonita, cabeça levantada, postura ereta, cabelos  brilhantes, emanava um poder e uma sensualidade que não parecia ser dela  que era sempre tímida e recatada.</p>
<p>Ela  colocou a mão no outro bolso e tirou um objeto de metal, uma navalha,  Rafael engoliu seco, Cássia deu a volta na cadeira e cortou as cordas  que prendiam Rafael.</p>
<p>- Você pode ir – disse ela guardando a lamina nos bolso.</p>
<p>- Posso? – indagou sem entender.</p>
<p>- Sim pode – ela respondeu dando as costas e saindo em direção a uma porta.</p>
<p>Rafael  ficou olhando para aquela mulher alta com um corpo escultural, não se  lembrava de Cássia ter roupas de couro tão sensuais.</p>
<p>-  O que foi isso Cássia? O que aconteceu aqui? O que aconteceu com você? –  ele perguntou enquanto esfregava os pulsos marcados pelas cordas.</p>
<p>Cássia olhou por cima do ombro sem se virar.</p>
<p>-  Você matou a antiga Cássia, e agora sobrou apenas eu, a nova Cássia.  Tenha uma boa vida Rafael, eu quase sou grata por você ter entrado na  minha vida&#8230; quase grata – e ela abriu e atravessou a porta de metal.</p>
<p>Rafael  ficou alguns minutos parado no mesmo lugar, estava tentando decidir-se  se tinha feito bem ou mal para a vida de Cássia, mas só conseguiu ter a  certeza que gostava muito mais dessa nova versão.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.noimproviso.com/uma-nova-pessoa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

