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	<title>No Improviso</title>
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	<description>Mas não necessariamente nas coxas...</description>
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		<title>Física e infância</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 03:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Eu e as crianças]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava no parquinho com as crianças observando elas brincarem. E corre para cá, e corre para lá, e corre para acolá. Um dos disputados balanços ficou livre quando uma das crianças desceu dele correndo para subir no tobogã, minha filha mais velha correu até o brinquedo recentemente desocupado e logo começou a se balançar. Ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-363" title="sb10069147e-001" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/06/sb10069147e-001-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" />Estava no parquinho com as crianças observando elas brincarem. E corre para cá, e corre para lá, e corre para acolá.</p>
<p>Um dos disputados balanços ficou livre quando uma das crianças desceu dele correndo para subir no tobogã, minha filha mais velha correu até o brinquedo recentemente desocupado e logo começou a se balançar.</p>
<p>Ela segurando as correntes firmemente esticadas inclinou o balanço para trás enquanto dobrava os joelhos, soltou o corpo e deixou a gravidade e a inércia fazerem o resto, quando o balanço alcançou o ponto mais alto ela esticou as pernas para cima, colocando mais energia no movimento que começava a retroceder.</p>
<p>Rapidamente ela encolheu as pernas fazendo com que os pés ficassem abaixo do quadril, tão próximo do chão que parecia que as pontas dos pés tocariam o chão atrapalhando o movimento, mas a posição era perfeita. Quando a energia do movimento começava a perder para a força da gravidade a jovenzinha habilidosamente jogava os pés de encontro ao chão, empurrando o seu corpo e o brinquedo mais acima, em seguida esticava novamente as pernas para ajudar no movimento de ascensão.</p>
<p>E ela repetia esse movimento com perfeição, sem interrupção, com ritmo e com uma graciosidade mecânica. Gravidade, energia, inércia, gravidade de novo, inércia e então começava tudo de novo.</p>
<p>Pensei nas minhas aulas de física, e em como toda essa brincadeira gostosa de movimento e velocidade seria um dia, transformada em algo desinteressante e maçante por algum professor ou pela responsabilidade de um vestibular. Crescer às vezes é muito chato!</p>
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		<title>Eu pegava</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 01:04:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[copa do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[shakira]]></category>
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		<description><![CDATA[- Oi amor – cumprimenta ela antes mesmo de sentar-se à mesa do bar. - Oi minha namorada linda! – respondeu ele beijando delicadamente os lábios da namorada. Já era quase uma tradição assistirem os jogos da Copa do Mundo naquele mesmo bar, mesmo sendo apenas a segunda Copa que faziam isso. Ele se sentia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-358" title="Shakira" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/06/Shakira-214x300.jpg" alt="" width="214" height="300" /></p>
<p>- Oi amor – cumprimenta ela antes mesmo de sentar-se à mesa do bar.</p>
<p>- Oi minha namorada linda! – respondeu ele beijando delicadamente os lábios da namorada.</p>
<p>Já era quase uma tradição assistirem os jogos da Copa do Mundo naquele mesmo bar, mesmo sendo apenas a segunda Copa que faziam isso. Ele se sentia um homem privilegiado de ter uma namorada que gostava de futebol. Um chopp para cada um e estavam prontos para acompanhar o</p>
<p>jogo de abertura: África do Sul contra México.</p>
<p>- Você viu a abertura dos jogos meu amor? – perguntou ela depois de tomar um gole da bebida gelada.</p>
<p>- Vi pelo Youtube e adorei principalmente a apresentação da Shakira, eu pegava – completou um segundo antes de perceber que talvez estivesse falando uma besteira.</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Como assim o que? – respondeu ele tentando ganhar tempo.</p>
<p>- Você esta me falando que me trairia com a Shakira?</p>
<p>Ele achou melhor ser sincero.</p>
<p>- Poxa amor, a Shakira&#8230; pensa bem, até você pegaria a Shakira.</p>
<p>Ela riu com deboche</p>
<p>- Vai dizer que você não toparia um “waka waka” com ela?</p>
<p>- Bem, é – ela pensou por um segundo – ela é um mulherão mesmo.</p>
<p>- Nem seria uma traição não é mesmo? – argumentou ele tentando ganhar terreno.</p>
<p>Ela parou e observou ele por um momento.</p>
<p>- Seria uma traição sim!</p>
<p>Ele abaixou a cabeça e tomou um gole de chopp tentando desviar o olhar como quem procura uma saída, mas ela completou.</p>
<p>- Seria uma traição sim, mas seria mais fácil de perdoar, concordo que com a Shakira valeria a pena. Não é?</p>
<p>- Com certeza valeria a pena – e sorriu novamente se sentindo um homem de sorte.</p>
<p>Ela se aproximou, acariciou o cabelo dele, e falou colado no ouvido com um sussurro sensual.</p>
<p>- Lembra que você falou outro dia sobre swing?</p>
<p>- Lembro sim, o que tem – respondeu ele olhando para o rosto da namorada com ar de lascivo.</p>
<p>- Então, eu topo! Mas com uma condição!</p>
<p>Ele se esqueceu do jogo que começava.</p>
<p>- Qual?</p>
<p>- Tem que ser com a Angelina Jolie e o Brad Pitt. Assim valeria a pena, você não acha. – ela sorriu se deliciando com o argumento.</p>
<p>Ele suspirou, tomou outro gole do chopp e voltou sua atenção para o jogo com a certeza que tinha caído em uma armadilha astuta e cruel.</p>
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		<title>Dentro do carro</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jun 2010 02:01:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela não segura o sorriso quando vê o número que aparece no visor de seu celular. - Oi Celso! - Oi gata, tudo bom? Ela tentou não demonstrar o entusiasmo, mas a verdade era que Celso mexia com ela, já haviam ficado várias vezes e ela sempre esperava a oportunidade de se divertir com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/06/200285697-001.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-352" title="Dentro do carro" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/06/200285697-001-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Ela não segura o sorriso quando vê o número que aparece no visor de seu celular.</p>
<p>- Oi Celso!</p>
<p>- Oi gata, tudo bom?</p>
<p>Ela tentou não demonstrar o entusiasmo, mas a verdade era que Celso mexia com ela, já haviam ficado várias vezes e ela sempre esperava a oportunidade de se divertir com o amigo sarado.</p>
<p>- Tudo bom, o que você manda? – perguntou ela.</p>
<p>- Então, te liguei para pedir um favor!</p>
<p>- Só assim para você me ligar é, para pedir coisas, olha que vou cobrar.</p>
<p>Ele riu do outro lado da linha, ela entendeu isso como um sinal para avançar.</p>
<p>- Acho que o preço vai ser outra noite como aquela depois do baile no clube, você me levou para trás do estacionamento no meu carro e fez de tudo comigo – ela faz uma pausa para suspirar – como foi gostoso, eu nunca tinha feito no carro antes, adorei. E ai? O que acha?</p>
<p>Celso suspirou quando ela finalmente parou de falar.</p>
<p>- Foi legal mesmo, vou ter que desligar agora.</p>
<p>- Ué! Você não ia me pedir um favor?</p>
<p>- Deixa para lá!</p>
<p>- Não, agora fala!</p>
<p>- Eu ia pedir seu carro emprestado para levar a Suelem em um baile no clube, mas&#8230;</p>
<p>E ela desligou antes que ele termina-se a frase.</p>
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		<title>Nostalgia</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 00:33:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre sentia-se assim quando chegava à rodoviaria da cidade. O mesmo buteco com salgado ruim e cerveja quente, o mesmo mendingo bêbado sentado próximo aos táxis, e estes, barrigudos,   jogando dominó na mesma velha mesa de bar. O pensamento que ocorreu em sua mente foi: Que merda! Resolve não pegar um táxi apesar da mala [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-346" title="Nostalgia" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/05/75462641-214x300.jpg" alt="" width="214" height="300" />Sempre sentia-se assim quando chegava à rodoviaria da cidade. O mesmo buteco com salgado ruim e cerveja quente, o mesmo mendingo bêbado sentado próximo aos táxis, e estes, barrigudos,   jogando dominó na mesma velha mesa de bar. O pensamento que ocorreu em sua mente foi: <em>Que merda!</em></p>
<p>Resolve não pegar um táxi apesar da mala pesada, segue a pé para a casa dos pais e aproveita para observar a cidade.</p>
<p>A velha loja de chapéus virara uma velha loja de sapatos, a antiga ótica tornara-se um restaurante. A velha farmácia transformou-se numa velha padaria. E dessa maneira tudo estava no mesmo lugar.</p>
<p>Novamente lhe ocorreu: <em>Que merda!</em></p>
<p>Quando passou pelo velho colégio uma nostalgia gostosa tomou seu coração, suspirou profundamente. Já havia deixado a cidade há mais de quinze anos e a última aula que assistiu naquele prédio fora há mais de vinte.</p>
<p>E dessa vez seu pensamento não foi de lamentação ou reprovação, mas de uma saudade boa que fez um sorriso brotar em seus lábios.</p>
<p>Se lembrou das brincadeiras de criança, do velho time de futebol, do primeiro beijo, da velha lanchonete, dos professores odiados e amados.</p>
<p>E quando se lembrou dos professores, uma em particular veio à sua mente: Rose.</p>
<p>- Professora Rose&#8230; &#8211; repetiu como quem saboreava as palavras.</p>
<p>Era sua professora de história, loira, não muito alta, sempre sorrindo, seios grandes que durante explicações empolgantes sobre reis e revoluções, faziam ele se perder na esperança de vislumbrar um pouco mais deles.</p>
<p>Ela tinha pernas grossas e firmes e uma bunda tão impressionantemente redonda que ele diversas vezes se perdia em pensamentos obscenos enquanto ela escrevia no quadro negro.</p>
<p>Seu cabelo loiro de um dourado cintilante era quase tão hipnotizante quanto seus lábios grandes carnudos e vermelhos.</p>
<p>Quando deu por si já estava dentro da escola conversando com o diretor, explicando que era um antigo aluno e que gostaria de visitar o prédio.</p>
<p>A velha inspetora de alunos encarregada de acompanhá-lo durante a visita, reconheceu naquele homem o &#8220;jovenzinho de boca suja&#8221; e relembrou os vários petelecos de reprovação que recebeu dela ao usar um palavreado inadequado.</p>
<p>Ele foi discreto ao perguntar pela Pofessora Rose, mas não conteve o sorriso ao saber que ela ainda dava aulas naquela mesma escola, naquela mesma sala. Prendeu a respiração ao olhar pela porta e novamente ver sua antiga professora.</p>
<p>Ela estava de pé explicando algum esquema no quadro, ele olhou com atenção para aquele par de pernas, seus seios, seus cabelos. E um pensamento tornou-se palavras suspiradas que escaparam de sua boca.</p>
<p>- Mas que merda!</p>
<p>E então a velha inspetora acertou-lhe um peteleco reprovador no alto da cabeça.</p>
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		<title>Desculpa, não resisti</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 00:25:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Marcela se levantou e foi até  o banheiro no fim do corredor, havia muito tempo que não tomava tanta cerveja e isso apenas intensificava o efeito diurético da bebida. No banheiro pensou no rapaz que conhecerá, notou os olhares indiscretos dele, se lamentou por ele ter uma noiva. Quando saiu cruzou com ele no corredor, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-342" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/05/200311000-001-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" />Marcela se levantou e foi até  o banheiro no fim do corredor, havia muito tempo que não tomava tanta  cerveja e isso apenas intensificava o efeito diurético da bebida. No  banheiro pensou no rapaz que conhecerá, notou os olhares indiscretos  dele, se lamentou por ele ter uma noiva.</p>
<p>Quando saiu cruzou com ele no corredor,   o espaço diminuto do local fez com que eles “dançarem” por alguns  segundos tentando passar, ela parou e sorriu, olhou para ele, não tinha  notado como ele era alto.</p>
<p>- Desculpa – disse ela sem graça.</p>
<p>Ele olhou um segundo para trás, depois  segurou o rosto dela com as duas mãos e beijo sua boca vigorosamente,  ela teve uma leve intenção de resistir, mas quando se deu conta estava  retribuindo, de repente ele parou.</p>
<p>- Desculpa, eu&#8230; eu simplesmente não  resisti. Você é muito maravilhosa – disse ele visivelmente constrangido.</p>
<p>Ela não respondeu, apenas respirou  fundo recuperando o ar.</p>
<p>- Me encontra lá fora por favor.</p>
<p>Ele se encolheu contra a parede e foi  ao banheiro.</p>
<p>Mais tarde no carro dela ele falou  que nunca havia se sentido tão atraído assim por alguém, que agiu  por impulso, se desculpou e beijo sua boca de novo. Terminaram em um  quarto de motel.</p>
<p>Na semana seguinte ele foi para a festa   na casa do antigo vizinho, encontrou com Roberta na saída da cozinha  e enquanto ninguém olhava segurou o rosto dela com as duas mãos e  beijou sua boca.</p>
<p>- Desculpa, eu&#8230; eu simplesmente não  resisti. Você é muito maravilhosa.</p>
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		<title>Poesia sensorial</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 20:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Gosto da fazenda, adoro os finais de semana aqui. Quando me levantei agora pela manhã escutei ao longe o barulho do rio que passa depois da estrada, suave, calmo, e assim minha audição se deleitou. O cheiro do café sendo moído e torrado na hora invadiu minhas narinas me deixando quase embriagado. Estendi a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-337" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/04/BA14050-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />- Gosto da fazenda, adoro os finais de semana aqui. Quando me levantei agora pela manhã escutei ao longe o barulho do rio que passa depois da estrada, suave, calmo, e assim minha audição se deleitou. O cheiro do café sendo moído e torrado na hora invadiu minhas narinas me deixando quase embriagado. Estendi a mão e peguei uma broa de milho ainda quente que havia acabado de sair do forno e mordi com gosto. O paladar foi invadido pelo gosto das ervas misturados na massa e me deliciei com isso. Olhei pela janela da cozinha e vi as árvores ao longe, os animais pastando calmamente e o sol nascendo acanhado no horizonte. Meu único sentido que não se deleitava nesse cenário brejeiro e delicioso era o tato. E foi por isso que eu peguei na bunda da Mariazinha, que estava na cozinha preparando o desjejum com tanta gana. Estava apenas aproveitando toda essa poesia sensorial. Você entende querida? Não foi por maldade ou malícia!</p>
<p>E a esposa contrariada respondeu sem entender a conotação sensível e rítmica daquela experiência sensorial.</p>
<p>- Você é um babaca!</p>
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		<title>Vestido vermelho</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 23:41:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Abriu a porta e apareceu com seu vestido vermelho curto, seu salto alto e seu cabelo solto. Olhou para cima e abriu um sorriso ao olhar para a lua. Sentiu-se como se tivesse de novo vinte anos, apesar de nunca ter agido assim quando realmente o tinha. Caminhou pela rua estreita andando fora da calçada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abriu a porta e apareceu com seu vestido vermelho curto, seu salto alto e seu cabelo solto. Olhou para cima e abriu um sorriso ao olhar para a lua. Sentiu-se como se tivesse de novo vinte anos, apesar de nunca ter agido assim quando realmente o tinha.</p>
<p>Caminhou pela rua estreita andando fora da calçada, acenou com uma ponta de escárnio para a a vizinha da frente que observava tudo com olhar de reprovação. A vizinha recolheu sua cabeça coberta pelo lenço para dentro de casa antes de bater a janela dizendo em tom indiscreto para que pudesse ser ouvida:</p>
<p>- Vagabunda!</p>
<p>Ao invés de ficar chateada ou responder, ela apenas sorriu fazendo pouco caso.</p>
<p>Antes de chegar ao final da rua cruzou com a benemérita presidenta da associação de moradores do bairro. Esta olhou para ela dos pés as cabeça, desviou o olhar com um movimento brusco da cabeça quando notou seu sorriso de satisfação.</p>
<p>- Piriguete!</p>
<p>Ao cruzar com o marido da louvável presidenta, que se apressava caminhando atrás da esposa segurando as pesadas sacolas de compras, cumprimentou polidamente.</p>
<p>- Boa noite, Alberto!</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-329" src="http://www.noimproviso.com/wp-content/uploads/2010/04/74108022-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" />- Boa!&#8230; noi&#8230; noite – gaguejou enquanto se equilibrava entre segurar as compras, desviar o olhar das longas pernas e não derrubar as sacolas.</p>
<p>Ela se afastou segurando a risada enquanto ouvia a esposa que repreendia o marido por dar atenção para “essa mulherzinha”.</p>
<p>Lembrou da época que era convidada para jantar com os vizinhos, de quando chorava no sofá delas sofrendo suas dores amargas, de quando consternava-se melancólica enquanto observava as famílias “amigas” a sua volta trazendo lembranças doloridas.</p>
<p>Lembrou de tudo isso sem nenhuma saudade e continuou caminhando até seu destino com o mais malicioso dos sorrisos nos lábios.</p>
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		<title>Papai não sabe</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 21:23:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estávamos eu e as crianças em uma fila no shopping, um pouco mais a frente um rapaz com uma opção sexual diferente da tradicional vestindo uma calça tipicamente feminina, com sapato de salto alto tipicamente femininos, uma blusa tipicamente feminina e segurando uma bolsa que seria denominada por alguns como absolutamente fashion, e claro, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estávamos eu e as crianças em uma fila no shopping, um pouco mais a frente um rapaz com uma opção sexual diferente da tradicional vestindo uma calça tipicamente feminina, com sapato de salto alto tipicamente femininos, uma blusa tipicamente feminina e segurando uma bolsa que seria denominada por alguns como absolutamente fashion, e claro, com a maior cara de homem.</p>
<p>A menina foi a primeira a perceber.</p>
<p>- Pai, aquele é homem ou mulher?</p>
<p>Pensei em explicar sobre o terceiro sexo, mas se eu tomasse esse caminho teria que explicar sobre os outros dois com mais detalhes.</p>
<p>- Bem filha, é…. não sei!</p>
<p>- Não sabe?</p>
<p>- É filha, papai não sabe se é homem ou mulher.</p>
<p>Então o menino se manifestou.</p>
<p>- Vamos lá perguntar pra ele.</p>
<p>- Não filho, não vamos!</p>
<p>- Porque pai?</p>
<p>- Por que ele também provavelmente também não sabe.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Respostas para perguntas inadequadas</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 21:07:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Oi, tudo bom? - Oi – responde a moça olhando o rapaz de cima abaixo. - Conhece o Paulo? – querendo saber se foi o dono da festa que convidou a beldade. - Sim, colega que trabalho. - Que legal, veio com seu namorado? A moça não parecia acompanhada, e obviamente o moço não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Oi, tudo bom?</p>
<p>- Oi – responde a moça olhando o rapaz de cima abaixo.</p>
<p>- Conhece o Paulo? – querendo saber se foi o dono da festa que convidou a beldade.</p>
<p>- Sim, colega que trabalho.</p>
<p>- Que legal, veio com seu namorado?</p>
<p>A moça não parecia acompanhada, e obviamente o moço não está interessado na existência de um namorado, ou melhor está interessado na inexistência dele.</p>
<p>- Não tenho namorado. – responde a moça, já visualizando as intenções do rapaz.</p>
<p>- Sério? Por que não? – retruca o infeliz rapaz.</p>
<p>É aí então que a falta de saber o que falar resulta em uma pergunta estúpida. O rapaz já teve o seu objetivo alcançado, sabe que a moça não tem namorado. Qual o objetivo de perguntar “por que” ela não tem namorado?</p>
<p>Abaixo algumas sugestões de respostas adequadas a essa situação:</p>
<p>1)    – Não quero namorar, quero ir direto para o altar.</p>
<p>2)    – Estou esperando as vozes na minha cabeça indicarem a pessoa certa.</p>
<p>3)    – Não sei por que, a propósito meu nome é Paulão, mas pode me chamar de Carol.</p>
<p>4)    – Meu psicólogo disse que primeiro preciso controlar minha raiva dos homens e dominar minha tendência homicida.</p>
<p>5)    – É cedo para isso, nem desovei completamente o corpo do meu ex ainda.</p>
<p>6)    – Seria complicado, meu presídio não permite visita intima.</p>
<p>7)    – Geralmente os homens correm quando tiro meu strap-on da bolsa.</p>
<p>8)    – Depois da operação de mudança de sexo, tenho que esperar pelo menos seis meses para fazer sexo.</p>
<p>9)    – O pessoal da clinica de doenças venéreas disse que eu preciso esperar mais algumas semanas.</p>
<p>10)  – Papai me fez prometer esperar ele sair da cadeia.</p>
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		<title>Sobre o jugo dessa poderosa força</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 17:18:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Vem sem aviso. Você levanta um dia pela manhã e simplesmente acontece. Todos estão propensos a ela, ninguém escapa: pobres, ricos, solteiros, casados. Todos um dia vão se submeter a sua força implacável. Nesse momento, alguns estarão mais preparados, terão serenidade apesar do medo e do desespero que tentará dominar seus corações. Outros, sentirão o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vem sem aviso. Você levanta um dia pela manhã e simplesmente acontece. Todos estão propensos a ela, ninguém escapa: pobres, ricos, solteiros, casados. Todos um dia vão se submeter a sua força implacável.</p>
<p>Nesse momento, alguns estarão mais preparados, terão serenidade apesar do medo e do desespero que tentará dominar seus corações.</p>
<p>Outros, sentirão o pânico desse momento que dominará o cerne de suas almas tentando  desesperados encontrar uma mão amiga.</p>
<p>Seu único desejo pode ser de, assim como um soldado ferido nas frentes inimigas, procurar um lugar seguro. Mas assim como em uma guerra, nem sempre isso é possível.</p>
<p>Alguns terão a sorte de estarem em um lugar confortável ou mesmo em braços e lares aconchegantes, onde o gentio será recebido com a compreensão de quem já sofreu do mesmo mal.</p>
<p>Estamos todos condenados  a um dia passar por ela que é a foça que irá nos relembrar de nossa finitude. Mesmo o mais bravo guerreiro um dia se sentirá humilde e pequeno diante da luta que terá que travar contra a revolta que oprime seu interior de forma cruel.</p>
<p>Existem poucas situações, se realmente houver, que podem fazer a pessoa se sentir tão submissa e simplória. Tudo o que ela quer é um local livre de inquietações, a chance de expulsar a revolta que oprime seu interior.</p>
<p>Quando esse momento chegar, pode ser que o suor escorra pelo seu rosto, que suas pernas tremam, que o mundo gire fora do eixo te desequilibrando. Mas por incrível que pareça, esses sinais virão para aqueles que são cheios de auspício.</p>
<p>Pior será o destino daqueles que não sentirão ela chegando, que serão tomados de súbito. Pode acontecer quando, sozinhos em casa, sem ninguém para testemunhar sua tristeza; dentro do seu carro em meio a uma viagem em uma estrada perigosa; durante um banho ou ainda durante uma festa alegre, entre seus amigos a tempo de sentir todo o compadecimento deles antes mesmo de notar direito o que aconteceu.</p>
<p>Todos estão sujeitos a uma grande e assombrosa diarreia.</p>
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