Ele usava um lenço para enxugar o suor que escorria pela testa, as mãos tremiam enquanto descia pelo elevador. Espantou-se quando notou que estava sorrindo.Como podia ter a coragem?
Desceu na garagem e foi para o carro. O misto de satisfação e arrependimento o dominava. Ligou o carro e ganhou a rua. Ainda sentia o cheiro e isso o incomodava assim como o deixava com um ar de contentamento. Não conseguia mais se conter, sentia que dirigia sem saber para aonde estava indo, apenas seguindo o fluxo. Entrou no primeiro retorno. Achou melhor parar.
Descansou a cabeça entre as mãos sobre o volante, respirou fundo e quando levantou a cabeça notou que havia estacionado em frente a uma igreja. Desceu e entrou.
Enquanto andava pelo corredor de bancos, entre as imagens imóveis de anjos, homens e mulheres considerados santos, sentiu-se mal, culpado, sujo.
Suas mãos estavam escarlates, mas era apenas por que apertava vigorosamente o celular. Olhou para o aparelho e se viu discando os números. Ele precisava falar com alguém, precisava contar o que fez. Ligou para a noiva. Quando o telefone atendeu com um carinhoso “oi amor!”, ele pensou no que estava fazendo.
- Oi meu doce, preciso te falar uma coisa!
- Pois não meu lindo, fala, o que foi?
Então ele contou, contou tudo, sem tomar fôlego, sem parar para ouvi-la, cada detalhe fresco em sua mente. Descreveu cenário, cores, a posição dos móveis antes e como ficaram depois, tudo o que usou, como segurou e enquanto narrava seu corpo parecia reviver o momento. Foi ficando ofegante, agitado, falava cada vez mais rápido e intensamente e terminou. Então se calou para ouvir.
Mas não houve resposta, com o aparelho colado no ouvido chamou pela noiva, não escutou nada, afastou o aparelho da cabeça e viu que ele estava desligado. Ficou olhando para o aparelho apagado em sua mão como se fosse um singular artefato há muito perdido.
Ainda estava ofegante quando o celular tremeu em sua mão e começou a tocar. Era ela, levou o aparelho até o ouvido.
- Amor? Alô?
- Oi, você me ouviu?
- Não amor, a ligação caiu depois que você começou a falar. O que você ia dizer?
- Nada, apenas queria dizer que eu te amo muito e que você me faz muito feliz!
Se despediu, desligou o telefone e foi para casa.
Atom
RSS



Meu comentário é o mesmo: Cadu, vá se foder! kkkkk
Muito bom. E arquivarei o escarlate pra falar da cor rubra em uma oportunidade perversa. Hehehehe.
Abraços!
E o pior que que vc já fez isso comigo, né seu bobão???
Enfim…
Não sou a favor de sutilezas… De formalidades… Digo-lhe com todas as palavras…
- Seu texo me lembra o filme Vannila Sky…
“SOMOS IGUAIS EM DESGRAÇA E HÁ UM INCÊNDIO SOBRE A CHUVA RALA”
Adoro suas escritas isto é fato!
Parabéns, belo texto.
A ignorância eh uma benção, só isso q eu digo (Y)
Momentos angustiantes…rs
Ótimo texto, parabéns!
Bjs.
Como não conheço o filme Vanilla Sky.. Digo que me emocionei com seu texto!
A coragem da confissão é uma só…
Belo texto.
Qualquer coisa passa lá no meu ponto, ok?!
Inté
Afinal, o que ele disse hein?