Category: Releituras

dezembro 2nd, 2009

Melhor amigo – segunda versão

Estava arrasada! Nem sabia por onde começar: trabalho, diarista, contas, balança, mas o principal era o idiota do Felipe, ainda não conseguia acreditar no que ele tinha feito. Largou-me no sofá encolhida, chorando solitariamente.

Toca o celular, é o Anderson. Tento me segurar, mas me desabo em lágrimas. Ele diz que preciso sair para me distrair, digo que não estou no clima, mas ele diz que uma mulher linda não deve ficar em casa em uma sexta-feira à noite.

Ele chega quarenta minutos depois, abraça-me forte quando abro a porta, diz que estou linda.No sofá, começo a reclamar do meu dia , mas ele me interrompe, diz que não preciso me preocupar, que uma mulher linda como eu não devia esquentar “a sua cabecinha linda” com essas “coisas” e diz que eu devo trocar de roupa, colocar um vestido por que ele vai me levar para jantar. Protesto que não estou no clima, mas ele é persistente. Coloco um tubinho preto e um salto alto. Quando volto para a sala ele está com cara de impaciente, mas ainda assim solta um longo assovio e diz que estou maravilhosa.

Vamos a uma pizzaria animada, muitos jovens.Ele faz o pedido de uma meia calabresa, meia quatro queijos. Fico pouco a vontade, mas ele pede um vinho e começo a relaxar. Ele me faz rir e esquecer um pouco dos problemas. Terminamos rápido tanto a pizza, quanto o vinho e ele me arrasta para uma festa. Não reclamo. Começo a pensar que ele tem razão, que preciso me divertir. Eu queria dançar, mas  ele protestou que não levava jeito.Ainda sobre o efeito do vinho, arrasto ele para a pista e descubro que ele tinha razão!Ele não leva o menor jeito, mas parece ter gostado, porque tentou me beijar três vezes em apenas uma música.

Ele me leva de volta para casa, tenta me beijar mais uma vez na saída da festa, mais uma em um sinal fechado e duas quando chega ao meu prédio. Ele pergunta se pode subir para usar o banheiro.Olho para ele meio torto e penso essa é a última vez que bebo uma garrafa de vinho. Subimos, eu me jogo no sofá e ele vai para o banheiro. Coloca a cabeça no meu ombro. Começa a afagar meus cabelos. Sinto uma sensação estranha, uma vibração, era o celular dele no bolso da calça. Ele não atende.

- Você é muito linda sabia?

- Sabia!

- É?

- É, deve ser a centésima vez que você fala isso essa noite.

- E?

- E está na hora de você ir embora – me levanto em um impulso só, o puxo  pelo braço.

- Mas já?

- Sim.

- Está cedo – protesta ele, enquanto o empurro porta a fora.

- Boa noite Anderson! – estou sorrindo deliciada.

- Nem um beijinho?

Bato a porta e caio no sofá meio que rindo.Até que ele é gatinho, quem sabe na próxima?

Quando o elevador abre, Anderson sem entender o que aconteceu e lembrando-se do preço daquela garrafa de vinho pensa: mas que vadia filha de uma puta!

novembro 20th, 2009

Que nome darei?

Ele caminhava a passos largos pelo corredor, forçando-a a quase correr atrás dele com seus saltos altos e saia justa.

- Levamos muito a sério o processo de criação aqui na Beleza Pura Cosméticos.

- Entendo senhor.

- O Antônio falou onde você vai trabalhar.

- Ele falou apenas que era na área final de criação mas não foi especifico.

- Ok, é aqui.

Ele abre a porta e deixa que ela entre primeiro, uma sala grande com várias mesas amplas separadas com divisórias de um tom vermelho forte com o logo da empresa em relevo.

- Atenção por favor – falou o gerente com a voz em brado. Nem todos pararam o que estavam fazendo para olhar – Essa é Mônica, ela vai trabalhar na equipe de criação.

Mônica ruborizou e se sentiu no primeiro ano da faculdade de novo.

O Gerente seguiu entrando pela sala, Mônica olhava fixo para frente enquanto sentia os olhares que a acompanhavam.

- Esse é o Marcos – aponta o gerente para um rapaz baixo com uma camisa para fora da calça e ar despojado – ele vai te mostrar o que fazer.

Marcos se levanta e cumprimenta Mônica com um aperto de mão firme.

- Oi Mônica, esse aqui vai ser seu. O pessoal do RH passou seu login e senha para a rede?

- Passaram sim – respondeu Mônica, ainda sentindo o rosto queimar.

O gerente se despede e sai da sala com o mesmo passo largo.

Marcos começa a explicar o que Mônica vai fazer. Ela será responsável por dar nomes a uma nova linha de esmaltes. Marcos entrega a ela uma pasta com o projeto, as cores, embalagens, público alvo e até dados de produção.

- É bem simples Mônica, cada cor recebe um nome e depois vai para aprovação.

Mônica agradece a ajuda e começa a folhear a pasta, começa olhando para os dados de público, as cores, pesquisa sobre áreas de mercado, tendências, envia perguntas para várias comunidades na Internet e começa a pensar que esse não é um trabalho tão simples. O vermelho mais intenso da coleção é obviamente destinado a mulheres que querem impressionar, o rosa tem umas dez variações, alguns para mulheres que fazem o papel de mais meninas, outros para as mais ousadas.

Depois de algumas horas de trabalho, ela percebe que ainda faltam mais de 40 esmaltes para receber nomes. Começa a ficar nervosa, primeiro dia de emprego, recém formada, como passam uma tarefa assim tão importante no primeiro dia? Percebe que está suando nas mãos e devorando a tampa da caneta com mordidas nervosas.

- Marcos – Mônica fala por cima da divisória em um volume tão tímido que ele quase não ouve.

Marcos envia uma última mensagem para a morena de cabelos curtos com quem ele tem conversado a alguns dias em um chat na Internet e desvia sua atenção para Mônica.

- Você pode me dar uma ajuda Marcos? – ela diz em tom de súplica.

- Claro – ele se levanta e dá a volta na mesa.

Ela explica seu dilema, a sua atenção para dar os nomes de maneira adequada com as cores e a imagem que o produto tem que passar e como isso está enlouquecendo sua cabeça. Marcos ri abafado, ela olha com cara de reprovação. Ele engole a risada e explica.

- Mônica, é bem mais simples que isso. Espera aí que vou te mostrar – puxa uma cadeira do lado da dela e se senta – onde você passou suas últimas férias?

- Como? – responde a moça sem entender nada.

- Onde você passou suas últimas férias?

- Em uma praia da Bahia. O que isso tem haver com a coleção?

- Boa! – exclama Marcos enquanto avança sobre o teclado do computador como quem tivesse feito a descoberta da resposta de um grande mistério.

Ele digitou no website de buscas “praias do litoral brasileiro”. Uma grande lista com mais de cem praias foi listada.

- Pronto, um nome para cada cor.

- Você está me gozando?

- Mônica, confia em mim – disse ele sério.

Dois dias depois, o gerente atravessa a sala com seus passos largos até a mesa de Mônica, toca-lhe no ombro.

- Os gerente adoraram a coleção com nome de praias. Grande trabalho! – e dando meia volta, retorna por onde entrou, deixando a novata com cara de boba.

- Marcos? – ela chama por cima das divisórias.

- Oi! -  ele responde.

- Hoje eu pago o seu almoço!

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Baseado no artigo: http://msn.lilianpacce.com.br/home/nomes-de-esmaltes/

maio 18th, 2009

Moisés

E estava Moisés no deserto pastoreando algumas cabras e pensando na vida

- Que decadência viu, de príncipe do Egito para pastor de cabras, não que o Jetro meu sogro não seja gente boa, a filha dele é boa esposa mas pôxa, eu era príncipe…

Nisso Moisés nota algo estranho ao longe

- Que ótimo, alguém botou fogo numa sarça, já quase não tem o que as cabras comerem e ainda tacam fogo na vegetação local, bando de irresponsavel.

Nisso a chama da sarça se intensifica.

- Bem, deixa esse negocio queimando ai… vou pra casa.

A chama aumenta ainda mais.

- Coisa estranha, bem, vou indo.

A chama sobe a dez metros de altura por cinco de largura.

- Mas que coisa heim, da próxima vez que for buscar lenha eu vou pegar só sarça. Fui!

Nisso uma voz vem de lugar nenhum

- Putz, que pastor burro… Moisés!!!!

- Heim, quem chama?

- MOISÉS!!!!

- Que foi?!?!?

- Aqui na sarça!!!

- Onde?

- Na sarça pôxa, uma sarça que queima a dez metros de altura e não se consome e você só pensa em ir para casa?

- Na verdade eu já estou indo, falou heim – saindo apavorado.

- MOISÉS!!! – A terra treme.

- Qu… que que fo… foi.

- Venha até mim.

- É que a Zípora minha esposa deve estar…

- AGORA!!!!

- Estou indo, estou indo…

Ao se aproximar da sarça ardente a voz volta a falar depois de um leve pigarrear.

- Moisés, tire suas alpargatas por que o solo…

- Já já es… estou ti.. tirando, é pra tirar eu tiro…

- Fica quieto e para de gaguechar, deixa eu acabar de falar pô.

- É, sim Senhor, claro…

- Onde eu estava mesmo? A sim, Moisés, tire suas alpargatas por que o solo onde você pisa é sagrado!

- Já já ti.. ti.. tirei, escuta “voz-de-trovão-que-vem-da-sarça-ardente-que-queima-e-não-se-consome”, o que… que… quer de mim?

- Moisés, eu sou o Senhor do seu povo, o Senhor de Israel, de Jacó, de Isaac, de Abraão.

- De quem?

- Mas que porcaria de judeu você é que não conhece Jacó, Isaac e Abraão?!?!

- Desculpe, eu fui criado pelos egípcios.

- É eu sei, por isso escolhi você, você já tem intimidade com a família do faraô.

- Na verdade eu fugi de lá por que eu matei um capataz egípcio e ele era meio enrolado com a esposa de um general e eu fiquei com medo de…

- Está bem, está bem, fica quieto homem…

- Ok, calei-mei.

- Eu ouvi o lamurio do meu povo por clêmencia, para que eu os liberte da escravidão dos egípcios.

- Que legal, que ótimo.

- E eu escolhi você para liderar o povo.

- Maravilha, eu sabia, eu sabia.

- Você vai guiar meu povo até uma terra maravilhosa onde eles vão viver.

- Eu sabia, sabia que eu tinha nascido para algo importante.

- Para isso quero que você vá até o faraô e diga-lhe para libertar todos os escravos israelitas imediatamente.

- Está de sacanagem né???

- O QUE??!?!?!?! – a terra treme de novo.

- Que… que… quero disser, mas como, co co como eu um simples pastor vou convencer o faraô que…

- Moisés, você não me conhece. Eu sou Jeová, sou o Verbo, aquele que tudo fez e sem mim nada foi feito, eu fiz toda a carne e tudo o que vive, em resumo, eu sou fodão. Te darei o poder para realizar a tua tarefa.

- Sério?

- Sério! Eu não dou nenhuma ordem sem preparar antes o caminho.

- Então o faraô não vai me matar?

- Que nada…

- Então tudo bem, mas como eu vou convencer o faraô que eu fui enviado pelo Senhor de Israel.

- Moisés, jogue o seu cajado no chão

E quando Moisés obedeceu seu cajado se transformou em uma serpente.

- Ai caramba – gritou Moisés antes de sair correndo esquecendo até as alpargatas para trás

- Hey, Moisés, volta, volta! VOLTE MOISÉS – terra tremendo de novo

Moisés volta pé ante pé sem tirar os olhos da cobra

- Agora Moisés, pegue a serpente pela cauda.

- Mas de jeito nenhum.

- Pode pegar, vai por mim.

- Mas olha o tamanho dela

- Você é um homem ou o que?

- Tem jeito de ser venenosa.

- PEGA LOGO!!!

- Tá bom, espera ai, tá bom, ai caramba…

Então Moisés, por livre e espontânea pressão, estica a mão e cuidadosamente pega a cobra pela cauda que instantaneamente se converte novamente em cajado

- Nossa, truque legal, eu vou pregar um susto na Zípora que ela nem…

- Moisés, parta agora de volta para o Egito e liberte meu povo. Pelo seu cajado você executará meus sinais.

- Certo, olha é uma viagem meio longa, o Senhor não podia me arrumar algo além de um cajado que vira serpente, não que não seja uma coisa bacana mas é que…

- VAI LOGO!!!

- Estou indo, já fui…

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