Categoria: Crônicas

Fev 16

Dentro do carro

Ela não segura o sorriso quando vê o número que aparece no visor de seu celular.

- Oi Celso!

- Oi gata, tudo bom?

Ela tentou não demonstrar o entusiasmo, mas a verdade era que Celso mexia com ela, já haviam ficado várias vezes e ela sempre esperava a oportunidade de se divertir com o amigo sarado.

- Tudo bom, o que você manda? – perguntou ela.

- Então, te liguei para pedir um favor!

- Só assim para você me ligar é, para pedir coisas, olha que vou cobrar.

Ele riu do outro lado da linha, ela entendeu isso como um sinal para avançar.

- Acho que o preço vai ser outra noite como aquela depois do baile no clube, você me levou para trás do estacionamento no meu carro e fez de tudo comigo – ela faz uma pausa para suspirar – como foi gostoso, eu nunca tinha feito no carro antes, adorei. E ai? O que acha?

Celso suspirou quando ela finalmente parou de falar.

- Foi legal mesmo, vou ter que desligar agora.

- Ué! Você não ia me pedir um favor?

- Deixa para lá!

- Não, agora fala!

- Eu ia pedir seu carro emprestado para levar a Suelem em um baile no clube, mas…

E ela desligou antes que ele termina-se a frase.

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Fev 31

Nostalgia

Sempre sentia-se assim quando chegava à rodoviaria da cidade. O mesmo buteco com salgado ruim e cerveja quente, o mesmo mendingo bêbado sentado próximo aos táxis, e estes, barrigudos,   jogando dominó na mesma velha mesa de bar. O pensamento que ocorreu em sua mente foi: Que merda!

Resolve não pegar um táxi apesar da mala pesada, segue a pé para a casa dos pais e aproveita para observar a cidade.

A velha loja de chapéus virara uma velha loja de sapatos, a antiga ótica tornara-se um restaurante. A velha farmácia transformou-se numa velha padaria. E dessa maneira tudo estava no mesmo lugar.

Novamente lhe ocorreu: Que merda!

Quando passou pelo velho colégio uma nostalgia gostosa tomou seu coração, suspirou profundamente. Já havia deixado a cidade há mais de quinze anos e a última aula que assistiu naquele prédio fora há mais de vinte.

E dessa vez seu pensamento não foi de lamentação ou reprovação, mas de uma saudade boa que fez um sorriso brotar em seus lábios.

Se lembrou das brincadeiras de criança, do velho time de futebol, do primeiro beijo, da velha lanchonete, dos professores odiados e amados.

E quando se lembrou dos professores, uma em particular veio à sua mente: Rose.

- Professora Rose… – repetiu como quem saboreava as palavras.

Era sua professora de história, loira, não muito alta, sempre sorrindo, seios grandes que durante explicações empolgantes sobre reis e revoluções, faziam ele se perder na esperança de vislumbrar um pouco mais deles.

Ela tinha pernas grossas e firmes e uma bunda tão impressionantemente redonda que ele diversas vezes se perdia em pensamentos obscenos enquanto ela escrevia no quadro negro.

Seu cabelo loiro de um dourado cintilante era quase tão hipnotizante quanto seus lábios grandes carnudos e vermelhos.

Quando deu por si já estava dentro da escola conversando com o diretor, explicando que era um antigo aluno e que gostaria de visitar o prédio.

A velha inspetora de alunos encarregada de acompanhá-lo durante a visita, reconheceu naquele homem o “jovenzinho de boca suja” e relembrou os vários petelecos de reprovação que recebeu dela ao usar um palavreado inadequado.

Ele foi discreto ao perguntar pela Pofessora Rose, mas não conteve o sorriso ao saber que ela ainda dava aulas naquela mesma escola, naquela mesma sala. Prendeu a respiração ao olhar pela porta e novamente ver sua antiga professora.

Ela estava de pé explicando algum esquema no quadro, ele olhou com atenção para aquele par de pernas, seus seios, seus cabelos. E um pensamento tornou-se palavras suspiradas que escaparam de sua boca.

- Mas que merda!

E então a velha inspetora acertou-lhe um peteleco reprovador no alto da cabeça.

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Fev 25

Desculpa, não resisti

Marcela se levantou e foi até  o banheiro no fim do corredor, havia muito tempo que não tomava tanta cerveja e isso apenas intensificava o efeito diurético da bebida. No banheiro pensou no rapaz que conhecerá, notou os olhares indiscretos dele, se lamentou por ele ter uma noiva.

Quando saiu cruzou com ele no corredor, o espaço diminuto do local fez com que eles “dançarem” por alguns segundos tentando passar, ela parou e sorriu, olhou para ele, não tinha notado como ele era alto.

- Desculpa – disse ela sem graça.

Ele olhou um segundo para trás, depois segurou o rosto dela com as duas mãos e beijo sua boca vigorosamente, ela teve uma leve intenção de resistir, mas quando se deu conta estava retribuindo, de repente ele parou.

- Desculpa, eu… eu simplesmente não resisti. Você é muito maravilhosa – disse ele visivelmente constrangido.

Ela não respondeu, apenas respirou fundo recuperando o ar.

- Me encontra lá fora por favor.

Ele se encolheu contra a parede e foi ao banheiro.

Mais tarde no carro dela ele falou que nunca havia se sentido tão atraído assim por alguém, que agiu por impulso, se desculpou e beijo sua boca de novo. Terminaram em um quarto de motel.

Na semana seguinte ele foi para a festa na casa do antigo vizinho, encontrou com Roberta na saída da cozinha e enquanto ninguém olhava segurou o rosto dela com as duas mãos e beijou sua boca.

- Desculpa, eu… eu simplesmente não resisti. Você é muito maravilhosa.

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Fev 13

Poesia sensorial

- Gosto da fazenda, adoro os finais de semana aqui. Quando me levantei agora pela manhã escutei ao longe o barulho do rio que passa depois da estrada, suave, calmo, e assim minha audição se deleitou. O cheiro do café sendo moído e torrado na hora invadiu minhas narinas me deixando quase embriagado. Estendi a mão e peguei uma broa de milho ainda quente que havia acabado de sair do forno e mordi com gosto. O paladar foi invadido pelo gosto das ervas misturados na massa e me deliciei com isso. Olhei pela janela da cozinha e vi as árvores ao longe, os animais pastando calmamente e o sol nascendo acanhado no horizonte. Meu único sentido que não se deleitava nesse cenário brejeiro e delicioso era o tato. E foi por isso que eu peguei na bunda da Mariazinha, que estava na cozinha preparando o desjejum com tanta gana. Estava apenas aproveitando toda essa poesia sensorial. Você entende querida? Não foi por maldade ou malícia!

E a esposa contrariada respondeu sem entender a conotação sensível e rítmica daquela experiência sensorial.

- Você é um babaca!

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Fev 31

Papai não sabe

Estávamos eu e as crianças em uma fila no shopping, um pouco mais a frente um rapaz com uma opção sexual diferente da tradicional vestindo uma calça tipicamente feminina, com sapato de salto alto tipicamente femininos, uma blusa tipicamente feminina e segurando uma bolsa que seria denominada por alguns como absolutamente fashion, e claro, com a maior cara de homem.

A menina foi a primeira a perceber.

- Pai, aquele é homem ou mulher?

Pensei em explicar sobre o terceiro sexo, mas se eu tomasse esse caminho teria que explicar sobre os outros dois com mais detalhes.

- Bem filha, é…. não sei!

- Não sabe?

- É filha, papai não sabe se é homem ou mulher.

Então o menino se manifestou.

- Vamos lá perguntar pra ele.

- Não filho, não vamos!

- Porque pai?

- Por que ele também provavelmente também não sabe.

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Fev 16

Respostas para perguntas inadequadas

- Oi, tudo bom?

- Oi – responde a moça olhando o rapaz de cima abaixo.

- Conhece o Paulo? – querendo saber se foi o dono da festa que convidou a beldade.

- Sim, colega que trabalho.

- Que legal, veio com seu namorado?

A moça não parecia acompanhada, e obviamente o moço não está interessado na existência de um namorado, ou melhor está interessado na inexistência dele.

- Não tenho namorado. – responde a moça, já visualizando as intenções do rapaz.

- Sério? Por que não? – retruca o infeliz rapaz.

É aí então que a falta de saber o que falar resulta em uma pergunta estúpida. O rapaz já teve o seu objetivo alcançado, sabe que a moça não tem namorado. Qual o objetivo de perguntar “por que” ela não tem namorado?

Abaixo algumas sugestões de respostas adequadas a essa situação:

1)    – Não quero namorar, quero ir direto para o altar.

2)    – Estou esperando as vozes na minha cabeça indicarem a pessoa certa.

3)    – Não sei por que, a propósito meu nome é Paulão, mas pode me chamar de Carol.

4)    – Meu psicólogo disse que primeiro preciso controlar minha raiva dos homens e dominar minha tendência homicida.

5)    – É cedo para isso, nem desovei completamente o corpo do meu ex ainda.

6)    – Seria complicado, meu presídio não permite visita intima.

7)    – Geralmente os homens correm quando tiro meu strap-on da bolsa.

8)    – Depois da operação de mudança de sexo, tenho que esperar pelo menos seis meses para fazer sexo.

9)    – O pessoal da clinica de doenças venéreas disse que eu preciso esperar mais algumas semanas.

10)  – Papai me fez prometer esperar ele sair da cadeia.

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Fev 07

Sobre o jugo dessa poderosa força

Vem sem aviso. Você levanta um dia pela manhã e simplesmente acontece. Todos estão propensos a ela, ninguém escapa: pobres, ricos, solteiros, casados. Todos um dia vão se submeter a sua força implacável.

Nesse momento, alguns estarão mais preparados, terão serenidade apesar do medo e do desespero que tentará dominar seus corações.

Outros, sentirão o pânico desse momento que dominará o cerne de suas almas tentando  desesperados encontrar uma mão amiga.

Seu único desejo pode ser de, assim como um soldado ferido nas frentes inimigas, procurar um lugar seguro. Mas assim como em uma guerra, nem sempre isso é possível.

Alguns terão a sorte de estarem em um lugar confortável ou mesmo em braços e lares aconchegantes, onde o gentio será recebido com a compreensão de quem já sofreu do mesmo mal.

Estamos todos condenados  a um dia passar por ela que é a foça que irá nos relembrar de nossa finitude. Mesmo o mais bravo guerreiro um dia se sentirá humilde e pequeno diante da luta que terá que travar contra a revolta que oprime seu interior de forma cruel.

Existem poucas situações, se realmente houver, que podem fazer a pessoa se sentir tão submissa e simplória. Tudo o que ela quer é um local livre de inquietações, a chance de expulsar a revolta que oprime seu interior.

Quando esse momento chegar, pode ser que o suor escorra pelo seu rosto, que suas pernas tremam, que o mundo gire fora do eixo te desequilibrando. Mas por incrível que pareça, esses sinais virão para aqueles que são cheios de auspício.

Pior será o destino daqueles que não sentirão ela chegando, que serão tomados de súbito. Pode acontecer quando, sozinhos em casa, sem ninguém para testemunhar sua tristeza; dentro do seu carro em meio a uma viagem em uma estrada perigosa; durante um banho ou ainda durante uma festa alegre, entre seus amigos a tempo de sentir todo o compadecimento deles antes mesmo de notar direito o que aconteceu.

Todos estão sujeitos a uma grande e assombrosa diarreia.

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Fev 01

Mentira preventiva

O casal está deitado no sofá abraçadinho ouvindo uma boa música. Ela faz um carinho nos braços fortes dele e ele retribui com um afago no cabelo dela.

- Ontem meu chefe se enrolou todo…  – começa ela, puxando a conversa.

- O que houve?  – pergunta o namorado não tão interessado assim.

- Ele foi almoçar com aquela secretária do quinto andar.

- E daí? Não tem nada demais em almoçar com uma colega de trabalho, tem? Você mesmo almoça com seus colegas, diz que seu chefe é fiel… – argumenta ele.

- Sim, é verdade. Ele é super fiel a ela, apaixonadíssimo, mas o negócio é que a esposa dele ligou bem na hora e ele falou todo nervoso que estava no mecânico. Claro que ela percebeu que ele estava mentindo e foi esperá-lo na porta do escritório. Pegou ele chegando com a secretária. Deu o maior escândalo.

- Nooosssaaa… que horrível.

- Mas também, por que ele foi mentir?

- Mentira preventiva!

- O que? – pergunta ela, parando imediatamente de acariciar o braço dele.

- É, mentira preventiva! – respondeu ele, já analisando se tinha dito alguma besteira, mas resolveu continuar.

- Que história é essa de mentira preventiva?

- Olha só, seu chefe mentiu porque se falasse que estava almoçando com uma secretária morena, alta, com seios fartos e mini-saia, ela ficaria puta com ele. Ele tentou uma mentira preventiva, já que não fazia nada de errado.

- Mas se não fazia nada de errado, por que não falou a verdade?

- Por que as mulheres não acreditam quando os homens falam a verdade. No fundo, o problema todo é esse. É como um habeas corpus preventivo.

- Está falando que a culpa é nossa?

- Sim, quer dizer, não. Olha, vocês precisam confiar na gente. Você não disse que o seu chefe é fiel, apaixonado e tal?

- Eu lá sei da vida dele. Diga-me, você já me contou uma mentira preventiva?

- Amor que isso, para com essa conversa.

- Não acredito. Você mentiu para mim? Quando foi?

- Eu não disse isso, amor.

- Mas tentou desconversar.

- Mulheres sabem instintivamente quando o homem mente, você sabe disso. Pergunta de novo.

Ela olha seriamente e penetrantemente para ele.

- Você já me contou uma dessas mentiras preventivas?

- Não, eu nunca fiz – responde ele com uma confiança que intimidaria o mais bem treinado agente policial.

- Se tivesse, eu perceberia você mentindo?

- Você é melhor em outras coisas amor.

- O QUE!?!?!

- Droga… podemos começar essa conversa de novo?

habeas corpus

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Fev 02

Atitude suspeita

Então o inevitável aconteceu, o destino inexorável que alcança a todos os seres humanos finalmente me alcançou. Morri. Morri uma morte calma e não me lembro de dor ou de sofrimento, agora estou a caminho do paraíso.

Estou em uma longa fila. Não vejo nenhum rosto conhecido. À frente, um alto portão dourado para o qual uma massa de pessoas movimentam-se lentamente, bloqueando minha visão. Espero minha vez.

Quando chego ao portão, vejo uma figura impressionante: alto, moreno, musculoso como um halterofilista, vestindo uma túnica tão branca que faz os olhos doerem. De sua cintura pende uma corda dourada e grossa como cabos de sustentação de uma ponte.

- Você, – aponta para mim com uma voz de trovão – venha até aqui filho.

Aproximo-me da figura imponente.

- Como vai, João? – Sinto um arrepio. Ele sabe o meu nome.

- Vou bem, Senhor – respondo quase gaguejando.

- Bem, como você pode ter percebido, estamos nos portões do paraíso e eu vou fazer algumas perguntas de praxe e você pode entrar. Ok? – enquanto tirava não sei de onde uma prancheta com uma ficha e caneta.

- Ok – respondi, tentando parecer confiante, mas me sentindo muito pequeno.

- Você foi honesto em sua vida mortal?

- Sim.

- Derramou sangue inocente?

- Claro que não – percebendo que não seria complicado.

- Cuidou bem de sua companheira e dos seus amigos.

- Sim, muito bem – sentindo a confiança crescer.

- Cuidou do seu corpo mortal?

- Sim, eu fazia exercícios físicos diariamente, não bebia, nunca fumei, nunca consumi drogas e tirava a gordura da carne vermelha.

Nesse momento a gigante figura celestial tira os olhos da prancheta sem mover a cabeça e me olha por cima dos papéis.

- Tirava o quê?

- Sim, eu tirava a gordura da carne vermelha. Sabe aquela gordurinha da picanha? Eu tirava, faz mal para o coração e…  –  calei-me sentindo que já falava muito.

A gigante figura colocou as mãos na cintura e olhou sério para mim.

- Você tirava a capa de gordura da picanha? – falando devagar como quem precisava digerir bem as palavras.

- Bem… sim, tirava – respondi, sentindo-me ainda menor.

- Espera ali no canto – apontando para uma cadeira ao lado de uma grande mesa – próximo!

A atitude daquele gigante me deixou preocupado.

- Só um momento, eu não estou entendendo…

- Sente-se ali com aqueles outros. – ele esbraveja.

Ele disse “outros” de maneira quase pejorativa. Desesperei-me.

- Não, espera, você não entende, me falaram que a gordura fazia mal – sinto as mãos de dois poderosos anjos seguranças me puxando para minha cadeira.

- Senhor, sente-se aqui com os outros que tiveram atitudes suspeitas em vida – ordena o anjo enquanto continua me empurrando.

- Atitude suspeita? Que atitude suspeita? – pergunto vendo os portões se distanciarem.

- Essa moça que não gostava de sorvetes, o cara que não comia chocolate e o padre que não bebia vinho, sente-se e espere – a mão forte do anjo me força a sentar na cadeira.

Nesse momento, acordo suando frio. As mãos tremem. Minha esposa acorda junto com meu movimento brusco.

- O que foi querido? Teve um pesadelo?

Respondi ainda ofegante.

- Amor, vamos almoçar na churrascaria hoje!

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Fev 15

Presente de aniversário

- Amor, pode olhar? – pergunta Paula ansiosa com as mãos sobre a venda improvisada com a gravata do namorado.

- Ainda não, estamos quase chegando. Cuidado com o degrau – responde Pedro.

Ela ouve um tilintar de um sino batendo na porta que se abre e a voz do namorado – Agora pode tirar…

Ela olha e se vê em uma grande sala com a atendente do sexshop sorrindo.

- Pedro, que isso! – exclama – ainda boquiaberta.

- É um dos seus presentes de aniversário, escolha o que quiser, qualquer coisa, estou pagando.

Paula sorri, e já sabendo as intenções do namorado, escolhe uma fantasia de colegial, alguns óleos e um incrementado vibrador, daqueles com uma dezena de funções, rotações e intensidades.

Saem de lá direto para o motel, onde mais da metade dos óleos ficam no lençol do quarto. Depois de duas horas de entretenimento, ela se lembra do jantar com os pais.

Saem do motel direto para a casa dela. Pedro dirige com um sorriso de satisfação proporcionado apenas por momentos tórridos de sexo como aquele. Do lado de fora da casa dos sogros já sentem o cheiro do churrasco e ouvem as conversas dos amigos e familiares. Paula entra ao som de um vigoroso “parabéns pra você” entoado pelos presentes.

Depois de cumprimentar todos e servirem-se do churrasco, o pai de Paula, acompanhado da esposa e de alguns amigos, pergunta para a filha ao lado do namorado sentado na área da casa próximo ao portão da rua.

- Como está sendo o aniversário de minha filhota?

- Perfeito pai, tenho vocês, todos meus amigos estão aqui, ganhei vários presentes lindos de vocês, dos meus amigos, do meu namorado.

- Qual presente o Pedro te deu filha? Eu não vi ainda – pergunta a curiosa mãe da moça.

Paula arregala os olhos, Pedro mastigava uma fatia de carne e congelou instantaneamente. Olhou para a namorada sem mexer a cabeça.

- Qual presente? – disse Paula tentando achar a resposta.

- Sim filha, que presente?.

Pedro se esforçava para engolir o pedaço de carne.

- É… foi… ai… é… nossa… tão lindo… é um…

- Um o quê filha? – solta o pai, já estranhando a demora.

Nesse momento, Pedro dá um salto e fica em pé, coloca o prato na mesa enquanto leva a mão até a garganta. Parecia ter algo obstruindo sua respiração.

- Ele engasgou, ele engasgou – gritou a mãe em desespero.

Pedro sai tossindo violentamente e puxando Paula pela mão.Deixam o portão da casa e a família observa tudo sem entender direito. Pedro vira a esquina da casa saindo do campo de visão de quem ainda estava lá e cospe longe o pedaço da carne.

- Vamos correndo para o shopping agora! Se eles perguntarem, você me levou para o hospital.

- Vamos fazer o que no shopping?

- Nem me fale! Depois daquela grana que custou o vibrador, ainda vou ter que te comprar uma joia. Droga!

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