Categoria: Crônicas

Set 20

Que nome darei?

Ele caminhava a passos largos pelo corredor, forçando-a a quase correr atrás dele com seus saltos altos e saia justa.

- Levamos muito a sério o processo de criação aqui na Beleza Pura Cosméticos.

- Entendo senhor.

- O Antônio falou onde você vai trabalhar.

- Ele falou apenas que era na área final de criação mas não foi especifico.

- Ok, é aqui.

Ele abre a porta e deixa que ela entre primeiro, uma sala grande com várias mesas amplas separadas com divisórias de um tom vermelho forte com o logo da empresa em relevo.

- Atenção por favor – falou o gerente com a voz em brado. Nem todos pararam o que estavam fazendo para olhar – Essa é Mônica, ela vai trabalhar na equipe de criação.

Mônica ruborizou e se sentiu no primeiro ano da faculdade de novo.

O Gerente seguiu entrando pela sala, Mônica olhava fixo para frente enquanto sentia os olhares que a acompanhavam.

- Esse é o Marcos – aponta o gerente para um rapaz baixo com uma camisa para fora da calça e ar despojado – ele vai te mostrar o que fazer.

Marcos se levanta e cumprimenta Mônica com um aperto de mão firme.

- Oi Mônica, esse aqui vai ser seu. O pessoal do RH passou seu login e senha para a rede?

- Passaram sim – respondeu Mônica, ainda sentindo o rosto queimar.

O gerente se despede e sai da sala com o mesmo passo largo.

Marcos começa a explicar o que Mônica vai fazer. Ela será responsável por dar nomes a uma nova linha de esmaltes. Marcos entrega a ela uma pasta com o projeto, as cores, embalagens, público alvo e até dados de produção.

- É bem simples Mônica, cada cor recebe um nome e depois vai para aprovação.

Mônica agradece a ajuda e começa a folhear a pasta, começa olhando para os dados de público, as cores, pesquisa sobre áreas de mercado, tendências, envia perguntas para várias comunidades na Internet e começa a pensar que esse não é um trabalho tão simples. O vermelho mais intenso da coleção é obviamente destinado a mulheres que querem impressionar, o rosa tem umas dez variações, alguns para mulheres que fazem o papel de mais meninas, outros para as mais ousadas.

Depois de algumas horas de trabalho, ela percebe que ainda faltam mais de 40 esmaltes para receber nomes. Começa a ficar nervosa, primeiro dia de emprego, recém formada, como passam uma tarefa assim tão importante no primeiro dia? Percebe que está suando nas mãos e devorando a tampa da caneta com mordidas nervosas.

- Marcos – Mônica fala por cima da divisória em um volume tão tímido que ele quase não ouve.

Marcos envia uma última mensagem para a morena de cabelos curtos com quem ele tem conversado a alguns dias em um chat na Internet e desvia sua atenção para Mônica.

- Você pode me dar uma ajuda Marcos? – ela diz em tom de súplica.

- Claro – ele se levanta e dá a volta na mesa.

Ela explica seu dilema, a sua atenção para dar os nomes de maneira adequada com as cores e a imagem que o produto tem que passar e como isso está enlouquecendo sua cabeça. Marcos ri abafado, ela olha com cara de reprovação. Ele engole a risada e explica.

- Mônica, é bem mais simples que isso. Espera aí que vou te mostrar – puxa uma cadeira do lado da dela e se senta – onde você passou suas últimas férias?

- Como? – responde a moça sem entender nada.

- Onde você passou suas últimas férias?

- Em uma praia da Bahia. O que isso tem haver com a coleção?

- Boa! – exclama Marcos enquanto avança sobre o teclado do computador como quem tivesse feito a descoberta da resposta de um grande mistério.

Ele digitou no website de buscas “praias do litoral brasileiro”. Uma grande lista com mais de cem praias foi listada.

- Pronto, um nome para cada cor.

- Você está me gozando?

- Mônica, confia em mim – disse ele sério.

Dois dias depois, o gerente atravessa a sala com seus passos largos até a mesa de Mônica, toca-lhe no ombro.

- Os gerente adoraram a coleção com nome de praias. Grande trabalho! – e dando meia volta, retorna por onde entrou, deixando a novata com cara de boba.

- Marcos? – ela chama por cima das divisórias.

- Oi! -  ele responde.

- Hoje eu pago o seu almoço!

—————————————————————————————————-

Baseado no artigo: http://msn.lilianpacce.com.br/home/nomes-de-esmaltes/

2
comentários

Set 15

A torneira da pia que pingava

O marido se levanta lá pelas 6:30 da manhã para tomar um gole de água e assaltar a geladeira (não necessáriamente nessa ordem) e a torneira da pia que pingava, escorria seu liquido fujão por debaixo da pia, formando uma discretíssima poça de água bem no corredor. O resultado não poderia ser outro, ele leva um baita escorregão, seguido de uma desastroza tentativa de se segurar em algum suporte sólido o suficiente para salvar seus 90kg de encontrar o chão molhado.

Nessa parte da narrativa seria adequado colocar uma onomatopeia para representar seu tombo, mas não encontrei nenhuma que fosse fazer justiça ao barulho surdo da queda.

- Dá pra fazer menos barulho aí, que isso, poxa vida… – solicita a esposa preocupada.

- Eu estou ótimo, obrigado por perguntar!!! – tentando descobrir qual osso que se quebrou.

No dia seguinte pela manhã, resolve consertar a porcaria da torneira, enquanto a esposa levava a filha ao médico. Certo que era apenas o caso de passar aquela fita molenga branquinha e apertar a dita cuja torneira e seus problemas estariam acabados.

Usando uma velha chave inglesa, solta a torneira com a estranha sensação de estar esquecendo alguma coisa. A sensação passou assim que a torneira foi disparada contra seu estômago, seguida, imediatamente, por um forte jato de água. Depois de algum esforço, coloca a torneira de volta e fecha o registro da casa.

Retira a torneira da parede, solta o adaptador do filtro e enrola habilidosamente a fita na rosca (olha o respeito), coloca novamente a torneira no adaptador e o adaptador no cotovelo que saia da parede.

Foi aí que a história teve seu momento trágico. Aprendam crianças: Não apertem torneiras com chaves!!! Se achando, o profissional do lar, másculo e habilidoso, exagerou na força, e ouviu um pequeno estralo, mas  sua auto-confiança lhe fez pensar: “Não foi nada”. Abre o registro e a porcaria da torneira agora vazava mais do que antes, na verdade ela estava jorrando água. Retirando novamente a peça, constatou-se pior, ele havia quebrado o cano da parede.

Foi até a loja de material de construção mais próxima, onde o atendente olha para ele e fala:

- “Você apertou isso com uma chave não foi?” , soltando um sorriso cínico em seguida, “Pra essa torneira o senhor vai precisar de um cotovelo de 3 parsec de rosca anti struts (os termos não foram bem esses), o cotovelo é de projeção ou de instrospecção?

- Heim!?!?!?! Como eu fico sabendo isso?

- Ué, tem que tirar o cotovelo pra ver.

- Não me diga que vou ter que abrir a parede!? – enquanto dá um tapa na própria testa.

- Ué, e de que outro jeito dá pra ver? – certeza que o desgraçado estava se segurando para não rir.

Volta para casa e procura pelo martelo. Usando um prego grosso, o martelo, paciência, finalmente remove o cotovelo abrindo um buraco mínimo na parede, volta a loja.

- Ôôia, o senhor voltou rapidinho, que coisa! E tirou o cotovelo certinho!

- Tá me sacaneando?

- Como?

- Nada! E aí, você tem essa peça?

- Tem, sim senhor. O senhor também vai precisar disso aqui – Joga um tubo de cola no balcão e explica o procedimento. Nisso aparece o dono da loja, olha a peça quebrada no balcão e fala:

- Apertou a torneira com uma chave não foi?

- (…)

No final, cola o cotovelo no cano, encaixa o adaptador devidamente vedado e a torneira, a esposa chega em casa quando ele terminava de limpar a pia.

- Poxa, que bagunça que você fez só pra apertar uma torneira! Você não apertou com chave não né?

- Eu não quero conversar sobre isso!

2
comentários

Set 08

Bolsa de mulher

Dizem que você pode conhecer muito de uma mulher pelo que ela carrega na bolsa. Discordo. Acho que por mais que você conheça uma mulher nunca poderá usar o termo “muito” em relação isso.

A bolsa de uma mulher pode ser algo que pode variar de extremamente simples a algo até mesmo maligno.

Já vi mulheres que carregavam guarda-chuvas em suas bolsas, daqueles pequenos que se dobram até ficar com apenas trinta centímetros, notem que aparentemente isso não é algo ruim ou estranho. Notem que denota certa prudência, até uma lógica, se elas não carregassem o maldito guarda-chuva o verão inteiro. Na primeira chuva que cair perdem o maldito guarda-chuva.

Aposto que já viram mulheres que carregam chinelos ou sapatos, dependendo do momento, usam o sapato quando estão no jantar ou na festa, e quando saem a primeira coisa que fazem é calçar o chinelo. Pergunto-me por que não usar um sapato confortável em tempo integral. Mas mulheres e seus sapatos são assunto para outro (vários) textos.

Já me recusei a mexer em uma bolsa de mulher. “Pode pegar a minha carteira na minha bolsa, por favor?” Abro aquele acessório peculiar e descubro que não quero colocar a minha mão lá dentro mesmo se eu conseguisse ver a carteira lá. Certa vez saquei o que parecia ser uma carteira e era um porta-absorvente.

Existem algumas que carregam a suas câmeras, mas as mais exóticas são as que levam fotos. Para lembrar dos entes queridos? Não! Para ilustrar suas conversas. Houve uma vez que uma velhinha sentou ao meu lado no ônibus e começou a me exibir fotos dos filhos, netos, cachorros e outros personagens de sua vida ignorando completamente o fato de eu estar com fones de ouvido e um livro aberto sobre meu colo. Foi uma viagem longa.

Lembro-me dos desenhos animados e filmes em que as mulheres se defendem batendo em um marginal qualquer com suas pesadas bolsas, tal qual um guerreiro medieval manipulando uma mortal maça estrela com correias de couro. Depois descobri que isso é coisa da ficção, as mulheres nunca usariam suas preciosas bolsas Gucci ou Chanel para acertar a cabeça de uma pobre vítima.

Quero falar em especial de uma pessoa com quem estive em uma loja que vende bolsas e carteiras. Ela passou quarenta longos minutos escolhendo uma carteira, fez questão de comprar uma com divisão para uns vinte cartões bancários diferentes, “agora vou mantê-los organizados” ela argumentou. Na primeira oportunidade que saca um cartão, paga uma conta, e o que faz? Joga a porcaria do cartão dentro da bolsa. Resultado: na próxima vez que precisa do maldito cartão passa vinte minutos tirando câmeras, fotos, guarda-chuva e a multi dividida carteira para encontrar o cartão largado no fundo da perniciosa bolsa.

———————————————————————————————

As bolsas que inovam o “look” também refletem a personalidade da mulher

3
comentários

Set 30

Em uma faculdade qualquer

A loira se olha no espelho, adora o que vê, está linda no vestidinho vermelho curto. Tem a certeza que vai atrair os olhares desejosos de todos os rapazes e os invejosos de todas as meninas.

O garoto com a porta trancada termina seu ato de onamismo pensando nas garotas da faculdade que ele sempre fala que já pegou, mas que na verdade nunca deram bola para ele.

Outro garoto chega à faculdade de carona com o pai, um senhor de meia idade com um principio de calvície e falta de noção do ridículo, que comenta com o filho:

- Ô filhão, olha lá aquela japinha gostosa, não foi nela que você já passou a vara?

- Foi sim pai, e naquela peituda ali também!

- Esse é meu moleque, vai lá campeão.

E parte com carro, passando devagar por uma dupla de adolescentes com idade para ser filhas do irmão mais novo dele, solta um gracejo tão elegante quanto um “pedreiro”.

A garota frustrada desce do ônibus e repara na loira com microvestido e a ruiva ao lado com um decote que em determinados ângulos permitira ver o umbigo dela. Olha para si mesmo em seu corpo mais delgado, não é uma moça feia, mas é recatada e se sente apagada perto dessas “umazinhas vulgares”, a primeira palavra que passa pela sua cabeça é “piranhas”.

O garoto que a pouco estava extravasando sua energia originada da tempestade de hormônios da adolescência com a mão chega e solta um sonoro “gostosa” para uma moça que passa com um shortinho. Ela não segura uma risada e continua seu caminho. Ele entende como “essa gostou do elogio, sou mesmo O cara”.

O filho do pai-exemplo passa pela loira e comenta sobre o que, supostamente, faria com ela em sua casa. Coisa que obviamente seria reprovada pela sua mãe, que desconfia do comportamento do pai, mas não faz nada para mudá-lo ou inibir essa influência sobre o filho.

De repente, ninguém sabe bem como, tudo explodiu, alguém gritava “vagabunda”, outro berrava “puta”, outrem “gostosa” e eventualmente alguém gritava os verbos chupar e comer.

Alguns alunos entram na sala e cumprimentam o professor com seus cabelos grisalhos.

Alguém falou sobre como isso era um absurdo, outro incentivado pelos colegas passa correndo por uma moça e dá um tapa em sua nádega a fazendo gritar.

Outro rapaz grita ao lado, e mais um depois, a cena segue como uma onda, como macacos em uma jaula pulando quando vêem algo que os exalta. Logo o caos toma conta do lugar, todos gritam e pulam e deixam suas jaulas interiores.

O rapaz onamista queria fazer sexo com ela, a moça recatada ser igual, o professor experiente que ela tivesse mais juízo, a loira queria chamar a atenção e ser desejada, o pai queria voltar a adolescência, o filho queria que o pai se orgulhasse dele, o policial queria estar com a família, o aluno de boné não queria estar na aula, o de cabelo verde queria fazer teatro, o de óculos queria se drogar.

Mas naquela noite, ninguém conseguiu fazer o que queria, e todos continuaram frustrados. Voltaram para suas jaulas e fecharam a porta mais uma vez, por enquanto.

——————————————————————————–

Jovem é xingada em faculdade por causa de roupa curta

Qualquer coincidência não é mera semelhança: aqui, aqui e aqui

8
comentários

Set 28

Então ela entrou no ônibus

Ele correu quando viu o ônibus chegando ao ponto, pensou em gritar, mas o senso de ridículo o impediu. Alcançou o ônibus subindo em um único pulo, cumprimentou o motorista que respondeu com um aceno de cabeça, pagou a passagem e passou pela catraca.

Escolheu um lugar ao lado de um senhor que dormia profundamente apesar dos movimentos desabridos do ônibus.

Pegou seu MP3 player e encaixou os fones no ouvido, não escutava a música, apenas preferia o som dos fones de ouvido que o do ônibus e outros carros passando pela cidade.

Então ela entrou no ônibus, em uma parada cheia, várias pessoas também entraram, mas ele não conseguiu tirar os olhos dela. O cabelo solto balançou quando o ônibus reiniciou o movimento, ela ainda não tinha passado pela catraca, colocou as mãos morenas e pequenas dentro da bolsa e tirou o dinheiro, empinou graciosamente o corpo para frente para passar para o outro lado do veículo.

Ele estava absolutamente hipnotizado, ela não era muito alta, nem muito baixa, vestia uma calça jeans justa e tênis, uma blusa preta com um decote que faria qualquer homem tropeçar ao cruzar o seu caminho.

Ela tira um livro da bolsa e começa a ler.

Eu preciso puxar assunto, o que eu falo? O que eu falo? – pensa o jovem com o coração disparado. Ele sabia que não era apenas uma mulher atraente no ônibus, era a mulher que ele queria, ou pelo menos ele precisava saber se ela podia ser.

Ele olha fixo para frente – o que eu falo? Pensa! – não era uma questão simples – como se aborda uma desconhecida em um ônibus?

Não posso simplesmente chegar e falar “oi tudo bem?” ou posso? Não vou parecer patético?

Preciso pensar em algo engraçado, algo que a faça rir. Não, espera, vou parecer um palhaço, pensa – olha novamente para ela. Tão linda, tão serena, lendo seu livro, o cabelo negro escorrendo pelos ombros e colo.

Não vou deixar essa oportunidade passar, mas o que eu falo? Você vem sempre aqui? Não, claro que não! Isso é para festas! Nem isso! “Você vem sempre aqui” não serve para nada – o jovem parecia estar a frente de um enigma que representava vida ou morte.

Teve um surto de energia moral diante dessa situação – vou simplesmente ser sincero: “Oi, escuta, você é linda demais, posso te ligar qualquer dia desses?” – Ai minha nossa, o que ela vai pensar. Que tipo de homem aborda uma mulher assim?

O que eu falo? O que eu falo? – e a mente do rapaz continuava sua busca pela aproximação ideal.

De repente ela se levantou, ele congelou por um momento – respirou fundo, tomou coragem – soltou um “Oi, tudo bom?”, mas inaudível de tão retraído, se virou ainda a tempo de vê-la descer do ônibus.

E ele nunca mais a viu de novo.

11
comentários

Set 26

Diálogo de um casal comum

O jovem casal abraçado no sofá vendo um filme. Ela com as pernas sobre o móvel, ele abraçando sobre os ombros dela e com o outro braço aberto sobre o sofá, pernas esticadas e balançando o chinelo.

Ela se surpreende com a cena em que um casal de personagens revela um dos segredos da historia com um beijo.

- Não acredito, eles estão tendo um caso. E agora?

- Aposto que vão tentar fugir com as joias antes que alguém descubra – argumenta o marido menos envolvido na trama pensando em como aquela era uma historia clichê.

- Como pode um homem fazer uma coisas dessas?

- Qual parte? Matar, dar um golpe de milhões ou ter um caso – pergunta o cônjuge lista as atrocidades do vilão daquela trama cinematográfica barata.

- Ter um caso ora – responde a esposa sentando-se direito no sofá com ar de indignação.

O marido acha graça, entre assassinatos e estelionatos o que a deixou mais chocada foi adultério.

- Apenas acontece… – e se volta para o filme.

- Como assim acontece?

- O que? – sem tirar os olhos da televisão.

- Como assim acontece?

- Como assim acontece o que? – pergunta novamente o esposo já sentindo que falou alguma besteira.

- Você sabe do que estou falando! – esposa já começa a buscar o controle remoto para desligar a televisão.

O marido já preocupado começa a pensar no que foi que falou de errado.

- Não! Não sei do que você esta falando!

Televisão desligada.

- Como assim “acontece de um homem ter um caso”?

- Haaaa, é isso amor, bobagem.

- Um caso é uma bobagem? Traição? A destruição da nossa família? E nossos filhos?

- Não temos filhos.

- Isso não faz diferença.

- Eu estava falando do filme meu amor.

- Quem me garante que não era o seu subconsciente querendo me falar algo?

- Meu benzinho – ele faz aquele olhar que sabe que quebra as barreiras dela, ela desvia o olhar emburrada, ele a abraça – Olha pra mim benzinho.

- Sai pra lá!

- Eu te amo, te amo demais, larga de besteira – beijo no pé da orelha, golpe baixo para encerrar o assunto.

- Para… – como quem diz “continua”

- Eu amo minha esposinha linda e não preciso de mais ninguém – segue o marido ainda usando diminutivos de forma infantil.

- Está bem, desculpa.

- Vamos continuar vendo o filme?

- Ok – ela liga a televisão de novo.

Alguns minutos depois durante o intervalo comercial.

- Amorzinho. Você já me traiu? – ela pergunta demonstrando certa serenidade.

- Claro que não benzinho.

- Se tivesse me traído contaria?

- Claro que não benzinho.

- COMO ASSIM CLARO QUE NÃO SEU TRASTE!!!

- Ops…

- Ops?!?! Ops?!?! É essa sua reação.

- Não amorzinho, é que se eu hipoteticamente traísse você não te contaria isso quando você perguntasse.

- O QUE?!?!?!

- Não, espera, não foi isso que eu quis dizer.

- Então o que você quis dizer?

- Que eu nunca trairia a mulher perfeita!

- Perfeita? Eu? Sério?

- Claro amorzinho, para com isso – abraça-a mais forte.

- Mas se você traísse você me contaria?

- Claro que não benzinho.

- O QUE?!?!

- Ai ai! Vai ser uma longa noite..

9
comentários

Set 22

Estar apaixonado

Quero propor uma pergunta: Estar apaixonado é bom ou ruim?

Já estou vendo alguns de vocês respondendo “é claro que é bom” e outros “quando se é correspondido é bom” e ainda outrem “amar é bom”.

Primeiro: paixão é diferente de amor, pode parecer obvio para alguns, mas ainda muita gente confunde os dois, assim como muita gente confunde sexo com amor, alias, falando nisso, que mania de misturarem amor com tudo, parece que amor é o catchup dos sentimentos, sinceramente catchup para mim apenas no cachorro quente, e olha lá.

Quando você está apaixonado se torna patético, calma não me chame de antirromântico, eu sou romântico, por incrível que pareça, é sério, parem de rir. Mas quando você se apaixona por alguém você faz com que sua vida orbite aquela pessoa, não é preciso ser um gênio para saber que isso não é saudável.

Mas e quando você é correspondido, claro, ai tudo são flores. Ou não, por que ninguém vive em um filme, ninguém passa semanas a fio correndo na praia em câmera lenta, ninguém vai todo final de semana fazer piqueniques em um lugar diferente com uma fotografia lindíssima. Acho que devíamos alertar nossas crianças sobre isso, podemos estar salvando uma geração de adultos frustrados.

Esse comportamento de entusiasmo de quando estamos apaixonados, de achar tudo lindo, de sorrir o tempo todo, de cantar aquela musica linda (geralmente brega) como se fosse um tenor é encontrado em outra situação. Quando a pessoa consome drogas.

Sim, se apaixonar é como se drogar, mas sem a maioria dos efeitos colaterais mais graves. Se apaixonar é estimulante, aumenta sua energia e entusiasmo, melhora seu humor e também pode causar dependência. Conheço pessoas que estão sempre tentando se apaixonar, não acreditam que podem ser felizes se não estiverem apaixonadas, geralmente esse “sintoma” vem acompanhado da já citada indistinção de paixão com amor.

Se apaixonar gera ótimas sensações, mas sabe o que é melhor? Quando a paixão vira amor. Se fica apenas na paixão não dura muito. O efeito da droga passa rápido, e então queremos mais. Se apaixonar sem amar também é bom claro, mas cuidado com a dependência química, digo, psicológica, ou seria emocional… sei lá. Cuidado com a dependência de estar apaixonado.

Principalmente por que diferente de comprar pílulas você não se apaixona como quem vai a uma festa, espera, ok, tem algumas festas que não exemplificam o que eu quis dizer.

Então voltamos  a pergunta que fiz no começo? Sinceramente, não sei responder. Mas gosto de estar apaixonado.

Eu disse que iria propor uma pergunta, não necessariamente a resposta. Mas agora me ocorreu, será que uma clinica de desintoxicação de paixão seria um bom empreendimento?

13
comentários

Set 19

Insubstituível

Baseado em uma dessas mensagens motivacionais que você recebe por e-mail.

————————————————————————————————–

O ar-condicionado deixou a sala extremamente fria, mais que o normal, o garçom passava distribuindo os copos de água. O gerente estava vermelho, sua careca brilhando sobre a luz das lâmpadas. Ele esbravejava em pé.

- Isso foi inaceitável; um dos nossos principais clientes na concorrência. Inaceitável.

A maioria estava de cabeça baixa, folheando os relatórios passados, olhando os gráficos. Reuniões tensas como essa na empresa envolvendo a equipe estavam virando uma rotina.

- Como isso aconteceu? – esbravejou novamente.

O gerente respirou fundo, pegou seu copo de água recém servido tomou um gole, sentou-se devagar olhando para a mesa. Depois levantou os olhos olhando para todos na mesa.

- Preciso lembrá-los de que ninguém é insubstituível?

O ar pareceu congelar, todos pareciam ter segurado a respiração, era claramente uma ameaça. Ele acrescentou:

- Teremos que diminuir a equipe.

Nesse ponto não foi apenas a respiração que prendemos.

Um silêncio que durou apenas alguns segundos, mas pareceu uma eternidade foi quebrado.

- Senhor? – era o jovem novato, contratado há seis meses para “reforçar” a equipe, conhecido por ser ousado e criativo.

- Que foi? – responde o gerente quase gritando para o “atrevido”, quase soltando um palavrão em seguida, pronto para tritura-lo.

- E o Beethoven? – perguntou o jovem.

- Quem?

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu o Beethoven?

Silêncio.

O jovem se sentiu confiante com a hesitação e prosseguiu.

- Quem substitui Beethoven, ou Ayrton Senna, ou Elvis Presley? O talento não pode ser substituído senhor, esses nomes marcaram a historia fazendo o que gostavam e sabiam fazer bem, e jamais poderiam ser substituídos, portanto, se me permite discordar, a afirmação que ninguém é insubstituível está incorreta.

Os presentes se entreolharam, alguns inclinaram a cabeça, pensativos, claramente entendendo e concordando com aquele raciocínio.

O gerente que encarava o rapaz então levantou a cabeça, olhou alguns segundos para o teto. Suspirou mais uma vez.

- Você tem razão – aparentemente se rendendo ao argumento do rapaz – você está demitido!

- O que?!?!? – argumentou o rapaz com a boca torta e o rosto tremendo com o choque.

O gerente ignorou a reação dele, se voltou para o diretor de recursos humanos.

- Você! Contrate alguém com o talento de um Beethoven! – reunião encerrada.

2
comentários

Set 14

Como (não) conquistar mulheres

Não sou um especialista no assunto, mas sei observar, e isso eu faço (quase sempre) bem e vou listar aqui alguns comportamentos que condenam qualquer homem a terminar a noite sozinho.

Educação

Tem coisas que todo mundo faz, todo mundo expele gases, todo mundo fala uma grosseria para amigos no bar, todo mundo as vezes faz algo que a mãe condenaria, mais algumas coisas não se faz por regras sociais, lembre-se: gritar (principalmente por futebol), arrotar e cuspir não são sexy.

Saber beber

Se você não pode com o álcool não existe problema em beber um refrigerante ou mesmo a boa e velha água. Passar mal de tanto encher a cara é receita para ficar marcado como o pinguço do grupo. Se for caso de afogar magoas compre uma garrafa e faça isso em casa sozinho onde a dignidade não é tão importante.

Consideração

Tenha atenção com a mulher que estiver conversando, atenção de verdade, faça perguntas, faça com que ela fale, convenhamos não é difícil fazer uma mulher falar. Não queira monopolizar a conversa, e nem todo mundo quer ouvir sobre sua ex-namorada, sua mãe doente ou seus problemas no trabalho, o melhor amigo é aquele que sabe ouvir. Não olhe para outras mulheres com cara de coiote, nem pense que pode fazer isso sem ela perceber, homens não possuem essa capacidade. E por favor, não cumprimente os peitos (ou outras partes) dela, cumprimente a pessoa, mesmo que você esteja pensando em outra coisa.

Gentileza

Divida a conta, abra a porta, estenda a mão para ajudar, ofereça para buscar algo. Mas cuidado, existe uma fina linha divisória entre você ser o cavalheiro e o “cara legal”, também conhecido a boca pequena como “escravinho”.

Bom humor

Fazer rir é 50%, você pode não ter a aparência do Brad Pitt, mas se você fazê-la rir terá meio caminho andando. Note que ela precisa rir, fazer piadas toscas ou grosseiras geralmente não são eficientes, se for fazer isso melhor ficar calado.

Vestuário e apresentação

Sejamos sinceros, o senso de estética de homens para algumas coisas se confundem com o de praticidade, por isso as vezes erramos feio nesse quesito. Minha dica é arrume uma amiga para te acompanhar quando você for fazer compras, amigo gay também vale. Outro destaque é: sabe quando você vê aquele belo decote na sua frente? O equivalente feminino a isso é um homem cheiroso, não economize na hora de comprar e usar um bom perfume, mas olha o bom senso, nada de exagerar na quantidade.

Abordagem

Pelo amor de Zeus, não grite na rua “ô princesa” ou “lá em casa heim” nem nada do gênero. Isso nunca ajudou a pegar ninguém, mesmo que a pessoa seja uma profissional do sexo na esquina a chance de você ser ignorado é grande.

Atitude

Tenha atitude. Não se faça de coitadinho, ninguém beija alguém por pena. Ok, até beija, mas você não vai querer isso. Se imponha, não reclame sobre como ninguém te dá atenção e como você sofre, mesmo que você seja um emo, aliás, não seja um emo!

Excesso de confiança

Sabe quando falei de atitude acima, se você exagerar vira excesso de confiança, e isso pode ser tão ruim quanto falta de atitude. Mesmo que você seja o José Mayer entenda que talvez ela não esteja afim agora, direcione toda sua confiança para uma nova oportunidade.

Esqueci alguma coisa leitoras? Comentários por favor!

9
comentários

Set 07

Super models X Gostosonas

Encontrei essa notícia pelo twitter.

“Brigitte, a revista feminina mais popular da Alemanha, avisa que não mais usará modelos profissionais em suas páginas, passando a adotar mulheres do povo. Andreas Lebert, editor da publicação, diz que está cansado de ter de “engordar” via Photoshop mulheres que não têm qualquer semelhança com a média das senhoras e senhoritas normais.”

Isso me fez lembrar um velho tio com quem eu costumava conversar na minha infância, que vez ou outra me perguntava sobre a escola, lembro-me, dele fazendo uma pergunta que não tinha muito haver com meu desenvolvimento nos estudos: – E a sua professora? Tem coxa grossa ou coxa fina?

Eu do alto da minha meninice e puerícia nem fazia ideia da lascividade da pergunta e pensava: – O que será que meu tio quer com as pernas da professora? E terminava por responder qualquer coisa.

- São finas tio! – e ele fazia cara de desapontamento.

Não tinha ainda a malicia que logo os hormônios desencadeariam de maneira muito eficiente, diga-se de passagem, em meu organismo para entender as vantagens estéticas de uma perna desenhada com coxas grandes e firmes. Mas às vezes penso se esses valores não se inverteram novamente. Vou explicar.

Augusta Lucchini

Augusta Lucchini(click para ver maior)

Entrei agora no website da agência Ford Models Brasil, escolhi uma modelo aleatóriamente, Augusta Lucchini, notem que não estou fazendo uma critica a modelo ou ao trabalho profissional que ela desenvolve. Mas em uma opinião propositalmente simplista eu a classificaria simplesmente como “magrela”.

Vejam que é uma moça muito bonita, e realiza grandes trabalhos como modelo, mas está longe de receber o chulo título de “gostosa heim”. Já estou vendo as feministas de plantão me chamando de “galanteador da construção civil” ou coisa pior. Segurem as pedras mais alguns minutos antes de jogarem, tenho alguns argumentos.

Primeiro: o padrão de beleza apresentado nas passarelas não é o mesmo que a maioria das pessoas aprecia e pior, não é fácil de ser encontrado. Estava conferindo as medidas da nossa modelo objeto de observação Augusta Lucchini, ela tem 1,77 de altura e pesa 52 quilos, quem tem essas medidas e quer ganhar uns quilinhos levanta a mão. Já me falaram que os homens que trabalham com moda têm padrões tão elevados que acabam estragando a concorrência, digo, as modelos.

Segundo: as capas de revistas apresentam sempre uma mulher absolutamente perfeita, com uma bunda redondinha, seios perfeitos e corpo modelado. Na verdade literalmente modelados. Modelados usando ferramentas digitais, com isso estão criando um padrão de beleza impossível de ser alcançado. E ai? O que fazem os meros mortais de carne o osso? Sentar e chorar?

Terceiro e último: homem (generalizando) gosta de mulher de verdade. Aquela que fica linda mesmo com camiseta velha e shortinho surrado, que tem estria e celulite (sem exagero claro) até por que é difícil para nós homem sabermos qual é qual.

Para seguir essa linha de pensamento um tanto rude no entanto completamente verdadeira: gostar de carne magra não é gostar de roer osso.

9
comentários