Arquivo junho, 2010

Set 29

Física e infância

Estava no parquinho com as crianças observando elas brincarem. E corre para cá, e corre para lá, e corre para acolá.

Um dos disputados balanços ficou livre quando uma das crianças desceu dele correndo para subir no tobogã, minha filha mais velha correu até o brinquedo recentemente desocupado e logo começou a se balançar.

Ela segurando as correntes firmemente esticadas inclinou o balanço para trás enquanto dobrava os joelhos, soltou o corpo e deixou a gravidade e a inércia fazerem o resto, quando o balanço alcançou o ponto mais alto ela esticou as pernas para cima, colocando mais energia no movimento que começava a retroceder.

Rapidamente ela encolheu as pernas fazendo com que os pés ficassem abaixo do quadril, tão próximo do chão que parecia que as pontas dos pés tocariam o chão atrapalhando o movimento, mas a posição era perfeita. Quando a energia do movimento começava a perder para a força da gravidade a jovenzinha habilidosamente jogava os pés de encontro ao chão, empurrando o seu corpo e o brinquedo mais acima, em seguida esticava novamente as pernas para ajudar no movimento de ascensão.

E ela repetia esse movimento com perfeição, sem interrupção, com ritmo e com uma graciosidade mecânica. Gravidade, energia, inércia, gravidade de novo, inércia e então começava tudo de novo.

Pensei nas minhas aulas de física, e em como toda essa brincadeira gostosa de movimento e velocidade seria um dia, transformada em algo desinteressante e maçante por algum professor ou pela responsabilidade de um vestibular. Crescer às vezes é muito chato!

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Set 22

Eu pegava

- Oi amor – cumprimenta ela antes mesmo de sentar-se à mesa do bar.

- Oi minha namorada linda! – respondeu ele beijando delicadamente os lábios da namorada.

Já era quase uma tradição assistirem os jogos da Copa do Mundo naquele mesmo bar, mesmo sendo apenas a segunda Copa que faziam isso. Ele se sentia um homem privilegiado de ter uma namorada que gostava de futebol. Um chopp para cada um e estavam prontos para acompanhar o

jogo de abertura: África do Sul contra México.

- Você viu a abertura dos jogos meu amor? – perguntou ela depois de tomar um gole da bebida gelada.

- Vi pelo Youtube e adorei principalmente a apresentação da Shakira, eu pegava – completou um segundo antes de perceber que talvez estivesse falando uma besteira.

- Como assim?

- Como assim o que? – respondeu ele tentando ganhar tempo.

- Você esta me falando que me trairia com a Shakira?

Ele achou melhor ser sincero.

- Poxa amor, a Shakira… pensa bem, até você pegaria a Shakira.

Ela riu com deboche

- Vai dizer que você não toparia um “waka waka” com ela?

- Bem, é – ela pensou por um segundo – ela é um mulherão mesmo.

- Nem seria uma traição não é mesmo? – argumentou ele tentando ganhar terreno.

Ela parou e observou ele por um momento.

- Seria uma traição sim!

Ele abaixou a cabeça e tomou um gole de chopp tentando desviar o olhar como quem procura uma saída, mas ela completou.

- Seria uma traição sim, mas seria mais fácil de perdoar, concordo que com a Shakira valeria a pena. Não é?

- Com certeza valeria a pena – e sorriu novamente se sentindo um homem de sorte.

Ela se aproximou, acariciou o cabelo dele, e falou colado no ouvido com um sussurro sensual.

- Lembra que você falou outro dia sobre swing?

- Lembro sim, o que tem – respondeu ele olhando para o rosto da namorada com ar de lascivo.

- Então, eu topo! Mas com uma condição!

Ele se esqueceu do jogo que começava.

- Qual?

- Tem que ser com a Angelina Jolie e o Brad Pitt. Assim valeria a pena, você não acha. – ela sorriu se deliciando com o argumento.

Ele suspirou, tomou outro gole do chopp e voltou sua atenção para o jogo com a certeza que tinha caído em uma armadilha astuta e cruel.

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Set 16

Dentro do carro

Ela não segura o sorriso quando vê o número que aparece no visor de seu celular.

- Oi Celso!

- Oi gata, tudo bom?

Ela tentou não demonstrar o entusiasmo, mas a verdade era que Celso mexia com ela, já haviam ficado várias vezes e ela sempre esperava a oportunidade de se divertir com o amigo sarado.

- Tudo bom, o que você manda? – perguntou ela.

- Então, te liguei para pedir um favor!

- Só assim para você me ligar é, para pedir coisas, olha que vou cobrar.

Ele riu do outro lado da linha, ela entendeu isso como um sinal para avançar.

- Acho que o preço vai ser outra noite como aquela depois do baile no clube, você me levou para trás do estacionamento no meu carro e fez de tudo comigo – ela faz uma pausa para suspirar – como foi gostoso, eu nunca tinha feito no carro antes, adorei. E ai? O que acha?

Celso suspirou quando ela finalmente parou de falar.

- Foi legal mesmo, vou ter que desligar agora.

- Ué! Você não ia me pedir um favor?

- Deixa para lá!

- Não, agora fala!

- Eu ia pedir seu carro emprestado para levar a Suelem em um baile no clube, mas…

E ela desligou antes que ele termina-se a frase.

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